As imagens falam por si. Os encapotados são polícias à paisana infiltrados entre os manifestantes.
Esses mesmos polícias infiltrados instigaram e provocaram os incidentes junto ao parlamento no dia 24, dia da greve geral.
Mais tarde esses mesmos polícias espancaram e algemaram um cidadão de origem alemã. Quanto ao resto... as imagens falam por si.
A imprensa ao serviço do poder dominante vem agora dar eco a uma notícia de que esse cidadão alemão é afinal um perigoso criminoso referenciado pela INTERPOL. Só se têm esquecido de perguntar pelo polícia ferido e se já foi identificado o agressor.
Afinal, os provocadores, instigadores da violência, desordeiros e outros nomes que lhe queiram chamar, eram, nem mais nem menos que, polícias à paisana colocados estratégicamente entre os manifestantes para fazer aquele servicinho.
Ou seja: uma grande montagem dos serviços comandados pelo ministro Miguel Relvas.
Foda-se. Mas estes métodos em que é que se diferenciam dos métodos do fascismo e da PIDE?
Entretanto, o Diretor Nacional da PSP, aproveitando o momento e em jeito de intimidação, mostrou os dentes e avisou o povo e os trabalhadores acerca da contestação social que se adivinha no futuro:
Fotos retiradas de: 5dias.net
...Pela segunda vez na história, ergue-se um Estado em que o poder estás nas mãos das classes não exploradoras.
E surge, pela primeira vez na história, um Estado Socialista.
A Revolução de Outubro constitui um dos maiores acontecimentos históricos de toda a humanidade pois assinalou o advento de uma nova época com a experiência pioneira de construção de uma sociedade sem classes, livre de opressão e exploração.
Escrevi em 2007, na altura do 90.º Aniversário da Revolução de Outubro:
"...o capitalismo sustenta-se numa governação de fora para dentro, onde os grupos económicos e financeiros decidem as regras em que o governo político executa a sua governação, garantindo assim a sua milionária sustentabilidade, ao invés de ser o governo político a impor as regras e a pautar o seu exercício governativo segundo os interesses do povo e do país.
Este sistema e modelo político não tem outra consequência que não seja a de causar mais miséria no mundo e assegurar o aumento da riqueza e do bem estar de meia dúzia de previligiados, bem como, assegurar a protecção destes pelo próprio estado.
É perante esta realidade, que encontramos toda a actualidade na matriz que orientou e concretizou a Revolução de Outubro.
Ontem na Rússia Czarista, hoje em Portugal e na Europa capitalista, impera a necessidade de "derrubar" o modelo que pratica uma desigualdade abismal na distribuição da riqueza produzida, de "derrubar" um modelo que se sustenta através da injustiça social.
Ontem na Rússia Czarista, hoje em Portugal e na Europa capitalista, impera a necessidade de construir uma sociedade nova, mais solidária e humana, sustentada no direito a uma vida digna e de oportunidades iguais independentemente da condição social, étnica, racial, ou outra de cada um.
Em suma, hoje, como à 90 anos na Rússia, é preciso encontrar o caminho da ruptura com o modelo vigente e encetar o percurso para a construção de uma sociedade justa, de direitos e obrigações iguais para todos, sem opressão nem exploração."
Quatro anos depois, esta opinião está mais certa e actual que nunca!
Acrescentando, que esse caminho só pode ser encontrado através da luta!
Através da luta dos trabalhadores, das populações, de todas as classes exploradas, oprimidas e marginalizadas pelo capitalismo. Ou seja: a grande maioria dos cidadãos.
Uma luta que é afinal, nem mais nem menos que A LUTA DE CLASSES.
Neste momento, a classe dominante é uma pequena minoria capitalista com as consequências e o retrocesso civilizacional que está à frente dos nossos olhos.
Como tal, só derrubando esta classe dominante minoritária é possível um mundo melhor para a classe maioritária.
Claro que é necessário que cada cidadão esteja consciente sobre qual é a classe a que pertence e perceba melhor o papel que lhe cabe nesta luta. Isto é um processo mais lento que o desejável, mas lá chegaremos. E quando lá chegarmos, vai terminar o retrocesso civilizacional imposto pelo capitalismo e "o mundo vai pular e avançar" novamente. Tal como "pulou e avançou" com a Revolução de Outubro de 1917.
Sobre o mesmo assunto escrevi vários textos, que podem ser encontrados aqui:
90.º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO
PRIMEIROS DECRETOS DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO
Ainda sobre a Revolução de Outubro, ver tudo AQUI
Lá voltaremos aos "trastes". Sim, que neste governo são às mãos cheias. Mas para já fico-me pelos "palermas", espécies da mesma família dos "trastes". São um pouco menos activos mas tão irresponsáveis e tão delirantes como os outros.
O nosso ilustre e iluminado secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre, encontrou o caminho para combater do desemprego nos jovens.
Então aconselha ele: «Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras». Ou seja: se estão desempregados, a solução é emigrarem.
Palavras para quê? Provavelmente, nem Salazar se lembraria de melhor.
Sem esquecer que estamos a falar de jovens e que este "palerma" é secretário de estado de um governo que decidiu recentemente aumentar o horário de trabalho em 2,5 horas semanais para que o país possa produzir mais.
Esta gente saberá o que saliva pela boca fora? Ou alguém será capaz de descodificar este chorrilho de asneiras e mentiras a que assistimos diáriamente?
Como dizemos aqui na "província": Mas que putas de "peças" nos calharam em sorte! Ou talvez: que os portugueses escolheram para os governar.
"Um dos mais conhecidos poemas de Ary e seguramente dos mais queridos dos militantes do PCP, A Bandeira foi escrito em condições que merecem ser recordadas.
Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.
À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.
Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.
E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a Bandeira Comunista.
José Carlos Ary dos Santos
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