"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sábado, 10 de Outubro de 2009
Uma Bomba!

Ao que parece a atribuição do Nobel da Paz a Obama caiu como uma BOMBA.
E no entanto talvez a coisa não seja tão inesperada como à primeira vista pode parecer.

Com efeito, lendo as justificações do presidente do Comité Nobel, percebe-se a «lógica» da decisão: segundo o tal presidente, o Nobel da Paz foi para Obama «porque queríamos apoiar aquilo que ele está a tentar fazer».
Aí está: o prémio não é pelo que Obama fez, mas pelo que «está a tentar fazer».

E o que é que Obama «está a tentar fazer»?
Muita coisa, designadamente: assegurar a ocupação do Iraque; enviar mais 40 mil soldados para que os EUA assegurem a ocupação do Afeganistão; dar a ajuda habitual ao governo fascista de Israel; assentar a pata imperialista na América Latina e, a partir da Colômbia ocupada, desencadear golpes militares e o mais que se verá contra os países que se libertaram do jugo imperialista; assegurar a continuação do criminoso embargo a Cuba e a continuação de Guantánamo; assegurar que os EUA - o único país que até hoje lançou bombas atómicas sobre populações - seja quem decide quem pode ou não pode ter... armas atómicas...

Enfim, o que Obama «está a tentar fazer» é - com um sorriso de outra cor - exactamente o mesmo que todos os seus antecessores na presidência dos EUA tentaram fazer: impor o imperialismo norte-americano como dono incontestado e senhor absoluto do Mundo.
E foi isso que o Comité Nobel premiou...

Aliás, Obama captou de imediato a intenção do Comité Nobel e fez questão de o sublinhar de forma incisiva. Disse ele que via este Nobel da Paz como «uma afirmação da liderança da América em nome das aspirações partilhadas pelos povos de todas as nações».
Não se pode ser mais claro.
 

Fernando Samuel, in CRAVO DE ABRIL



publicado por vermelho vivo às 23:51
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Quem diria...

"... - Asfixia democrática e pressão política sobre um órgão de informação é aquilo que o movimento "Por Amor às Taipas" fez desde Setembro de 2008 ao indagar, pedindo satisfações, directa ou indirectamente, junto de membros da redacção, sobre noticias e títulos que o jornal publicou na versão online e papel. Isto porque a “santidade” do Partido Socialista local entendeu que deve haver submissão à única verdade nesta vila, que é a deles. ..."

 

José Henrique Cunha, in: Taipas XXI

 

Parece que a "escola Socratiana" também tem alunos cá pela Vila...

 

Que belos democratas, eles me saíram...



publicado por vermelho vivo às 12:20
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E eles insistem, insistem...

É curioso que ao observar o programa do PSD/Constantino Veiga, concluímos que na globalidade ele pouco difere do programa apresentado à quatro anos. Mas como desse programa quase tudo ficou por realizar, toma lá mais do mesmo!

 

Mas... agora vem com algumas nuances, já não apresenta algumas pretensões como dados adquiridos. Ou seja, por exemplo, onde à quatro anos se escrevia "requalificação do centro da vila" agora escreve-se "demonstrar a absoluta necessidade de execução do projecto de requalificação do centro cívico da vila...". ou: "sensibilizar a Câmara municipal para descentralizar serviços e delegar competências..."

 

Bem, o que eu questiono é o seguinte:

 

Com tanta sensibilização, demonstração e alertas que se pretendem fazer à Câmara Municipal, parece-me que foi esquecido um factor fundamental: Se por acaso o PSD/Constantino Veiga ganhar novamente a Junta de Freguesia, as relações entre o elenco da Junta e o poder camarário vão ser diferentes das que actualmente existem?

É que, parece-me que a manter-se a pedrada e calhauzada exibida ao longo destes quatro anos, este programa estará ainda actualizado para apresentar nas próximas eleições daqui a quatro anos.

 

P.S. - A vontade de Constantino Veiga em cavar buracos em terreno alheio ainda não esmoreceu. Como tal, lá aparece também:

"Concretizar o projecto de alargamento do parque de lazer..." e a Junta tem autoridade para isso???



publicado por vermelho vivo às 01:09
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Debate público

Hoje, um amigo perguntava-me se era verdade que o Ricardo Costa não iria participar no debate organizado pelo Jornal "Reflexo".

Respondi-lhe que não sabia mas... provavelmente, não.

A razão é simples: não se pratica marketing e show-off à porta fechada. Logo, para alguns candidatos debater as Taipas sem a presença destas componentes não faz nenhum sentido.



publicado por vermelho vivo às 23:46
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
A força indestrutível de um ideal

"Cá estamos, uma vez mais, no grandioso comício de encerramento da nossa Festa – que, é bom lembrar, é o maior comício partidário realizado em Portugal. E, já agora, lembremos também que o comício de abertura, anteontem realizado, foi o segundo maior comício partidário realizado em Portugal...

Este ano assinalamos na nossa Festa o 35.º aniversário da Revolução de Abril que libertou o nosso País e o nosso povo da ditadura fascista e iniciou a construção de uma democracia avançada – simultaneamente política, social, económica e cultural, uma democracia a sério, em que o capitalismo monopolista de Estado foi liquidado; em que a grande propriedade latifundiária do Sul foi expropriada com a construção da Reforma Agrária; em que, com as nacionalizações e o controlo operário, se criou um amplo sector da economia libertado da propriedade e do controlo do capitalismo e onde o Estado e os trabalhadores tinham o poder de decisão; em que os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos eram respeitados e em que o respeito pelos direitos dos trabalhadores era parte integrante da democracia; em que Portugal deixou de ser o País dominante de um império colonial e deixou de ser um País dominado pelo capitalismo internacional, assumindo a soberania e a independência nacional como componente indissociável da democracia.

E nenhum local seria mais apropriado para comemorar mais um aniversário de Abril do que a nossa Festa do Avante!, que é, ela própria, uma conquista de Abril. Uma conquista de Abril que não deixámos – nem deixaremos – que nos seja roubada – e que queremos que seja cada ano mais bonita e maior, para que todos os anos possamos dizer, dizendo a verdade, que não há Festa como esta.

Porque, de facto, não há Festa como esta, camaradas.

Muitas vezes tem sido dito e escrito que a Festa do Avante! é a maior iniciativa política, cultural, artística, convivial e de massas realizada no nosso País - e porque é verdade, é necessário que o repitamos tantas vezes quantas as necessárias.

Na verdade, a Festa do Avante!, construída e organizada na base do trabalho voluntário gerado pela militância revolucionária, constitui um caso único no panorama nacional. E a Festa é assim, porque somos nós, militantes comunistas, que a construímos.

 
Pedacinhos do futuro

 
Também já aqui dissemos que o facto de ela ser construída e organizada pelo PCP – e de nenhum outro partido nacional ser capaz de fazer coisa semelhante; o facto de ela assumir uma expressão concreta do que é o ideal comunista e, assim, nos mostrar, quer durante o processo de construção, quer nos três dias da sua duração, pedacinhos do futuro pelo qual os comunistas portugueses se batem; o facto de, sendo uma festa organizada pelo PCP, atrair aqui, ao belo espaço da Atalaia, milhares e milhares de visitantes que, não só não são militantes comunistas, como, em numerosos casos, são até membros de outros partidos – e que aqui se sentem como se em suas casas estivessem, vivendo e convivendo fraternalmente;

o facto de a Festa, enquanto realização comunista, constituir uma componente da luta geral dos trabalhadores e do povo português contra a política de direita – que é, simultaneamente, a luta por Abril de novo; o facto de esta Festa de este ano, ter sido construída ao mesmo tempo que o colectivo partidário comunista e os restantes activistas da CDU construíam o excelente resultado que obtivemos nas eleições para o Parlamento Europeu e preparavam intensamente as importantes batalhas eleitorais para as legislativas e para as autárquicas - todos estes factos, e muitos outros que espelham a singularidade da Festa do Avante!, fazem com que ela seja essa iniciativa sem paralelo em Portugal. E, ao mesmo tempo, fazem com que a Festa do Avante! seja, muito justamente, como Festa de Abril que é, a menina dos olhos do PCP e da JCP, a menina dos olhos do nosso grande colectivo partidário...
 

O mais belo de todos os ideais

A nossa Festa é o resultado de uma conjugação singular de esforços, de dedicações, de vontades, de empenhamentos, que fazem dela um espaço novo de participação democrática e um tempo novo carregado de sinais de futuro – desse futuro que Abril nos mostrou ser possível e que permanece como referência essencial da luta que hoje travamos, que é uma luta por Abril de novo.

Uma luta que amanhã, segunda-feira, paralelamente à difícil, complexa – e dolorosa... – tarefa que é a desmontagem da Festa, prosseguiremos dando resposta aos desafios que temos pela frente – que são muitos e muito exigentes.

É que a Festa, ela própria uma importante jornada de luta, é ponto de passagem para as lutas do futuro imediato: a luta, necessária e indispensável, ao lado dos trabalhadores pela defesa dos seus interesses e direitos e contra a política do Governo PS/Sócrates; e a batalha eleitoral das legislativas e das autárquicas, que exigem toda a nossa capacidade e disponibilidade.

E a todos esses desafios daremos a resposta necessária, com a confiança de que, nas eleições que aí vêm, alcançaremos resultados que constituirão mais um passo em frente na ruptura com a política de direita e na concretização de uma política alternativa e de uma alternativa política, rumo a Abril de novo.

E lá estaremos, com o mesmo empenho, a mesma determinação e a mesma confiança, com que construímos a Festa do Avante!

E àqueles que se interrogam sobre o «segredo» desta nossa constante disponibilidade para lutar, lutar sempre, respondemos que encontrarão esse «segredo» na força indestrutível do nosso ideal de liberdade, de justiça social, de paz, de solidariedade, de fraternidade, de camaradagem, de amizade; neste ideal comunista que é o mais belo de todos os ideais, porque é portador do sonho – que um dia concretizaremos – de construção de uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração, a sociedade socialista e comunista."

 

José Casanova, in: Avante!



publicado por vermelho vivo às 23:54
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Diferenças de conteúdo

Depois de três dias maravilhosos passados na grande "cidade de Abril" que o mesmo é dizer: na Quinta da Atalaia e na Festa do Avante!, naquele enorme espaço de solidariedade, fraternidade, amizade, alegria e luta. Coisa perfeitamente natural, pois estes são princípios e valores intrínsecos à identidade e ao ideal Comunista.

Mas depois destes maravilhosos três dias, e de regresso à sociedade egoista e capitalista que por todos os meios insistem em tentar impôr-me, fui dar uma olhadela pelas notícias e pelos blogues para actualizar a informação.

Nesta ronda, encontrei um excelente texto publicado pelo meu camarada Alex Campos, que com a devida vénia, pela clareza e objectividade, faço questão de reproduzir aqui um excerto:

 

"O debate entre Louça e Jerónimo de Sousa foi muito preciso quanto à clareza das diferenças, nos conteúdos, entre o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Só não entendeu quem está de má fé, é ignorante ou está desatento.

 

A propósito da banca, Jerónimo definiu muito claramente a importância de uma banca na esfera pública capaz de ajudar o tecido produtivo, de imediato, as pequenas e médias empresas, pela baixa dos juros e spreads.

Louçã a este propósito, deixou-nos a ideia do que necessitamos é de mais regulação e de um melhor regulador e basta.

Como sair deste estado de coisas?

Jerónimo disse que será imperioso melhorar os salários em ordem a dinamizar o mercado interno, porque não basta exportar, é preciso produzir mais para diminuir a dependência. Deu como exemplo, inclusive, o modo como os Estados Unidos recuperaram da crise de 1929. Da transferência de uma pequena parte dos fabulosos lucros das grandes empresas, a EDP por exemplo, em linha com uma baixa do preço da electricidade a favor das empresas. E quanto às grandes obras, tgv e aeroporto, a questão é saber quanto vai a indústria nacional incorporar nessas obras. Quem faz por exemplo as carruagens, os pernos, parafusos, os carris, as vigas, etc. Esta questão é central, sob pena de afinal, a coisa se tornar mais um bodo às grandes empresas internacionais, da metalomecânica e metalurgia, sangrando mais recursos nacionais para o exterior. Nesta matéria, seria importante que tanto o P.S, o PSD/PPD e o CDS, que é quem tem governado a pátria, nos dissessem o que foi feito das nossas grandes empresas da metalurgia pesada e metalomecânica, que agora vinham a propósito.

Louçã falou da teia de interesses, do Coelho da MotaEngil e de uma taxa sobre as grandes fortunas e mais não disse.

Isso já nós sabemos, caro Louçã, a questão é saber como mudar as coisas.

Poderemos então concluir, de modo rápido, que Jerónimo propõe mudanças e Louçâ propõe mudar, sem nada mudar, ou seja, coloca-se numa espécie de quadratura do círculo.  Difícil!"...
 

Texto completo aqui: "Aldeia Olímpica"



publicado por vermelho vivo às 23:48
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Festa do Avante!

A partir de amanhã e até Domingo, lá nos encontraremos!

 

 

 

Então, até amanhã Camaradas!



publicado por vermelho vivo às 23:41
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Domingo, 5 de Julho de 2009
Nas Honduras a luta continua!

A situação nas Honduras continua a não merecer especial atenção por parte dos jornais portugueses.

Nada de primeiras páginas: apenas pequenas notícias em páginas interiores - e mesmo essas não conseguindo esconder as suas simpatias pelos golpistas.

 

A TeleSur tem vindo a transmitir, em directo, imagens da multidão que, desde ontem, marcha pacificamente na direcção da base onde, previsivelmente, aterrará hoje o avião transportando o Presidente Manuel Zelaya e, entre outros, os presidentes do Equador, Argentina e Paraguai.

Tal acontecimento, em princípio, deveria ser «notícia», ou até A NOTÍCIA: que diabo, não é todos os dias que se assiste a uma coisa destas (creio, mesmo, que se trata de um acontecimento inédito).

Pois sobre essa marcha, nem uma palavra nos jornais de hoje: o Público - deliciado e cheio de esperança - dedica uma coluna de uma página interior ao apoio explícito dado pela Igreja Católica hondurenha ao golpe e aos golpistas; o DN destaca «a atitude de desafio», «o gesto nunca antes visto», de o governo golpista ter anunciado a sua saída da OEA.
Quanto aos comentadores e analistas de serviço, continuam sem produzir comentários ou análises - certamente à espera de ver em que param as modas...

 

Da repressão, das prisões, dos mortos... os jornais portugueses não têm notícia...
 

Também a situação dos média nas Honduras parece não incomodar os seus gémeos portugueses. Isto apesar de a liberdade de informação - mesmo a formal.. - ter sido mandada às urtigas e de continuar a divulgação das «justificações» do golpe e dos horrores que o golpe evitou - e de entre esses horrores, os média hondurenhos sublinham o pior de todos eles: a chegada dos «comunistas a comer criancinhas», se o referendo se tivesse realizado...

 

Mas o DN não dorme e - certamente após aturada investigação... - descobriu quem é O RESPONSÁVEL por tudo o que de mau está a acontecer nas Honduras.
Sabem quem é o vilão?; sabem quem é a «personagem central desta trama política»?
Adivinharam: é Hugo Chávez...

 

Entretanto, e é isso que conta, o povo hondurenho está na rua: em massa e determinado.
Entretanto, e esse é um dado relevante, cresce a solidariedade internacional com a luta do povo das Honduras.

 

Entretanto, sublinho a condenação do golpe por parte do PCP e, muito especialmente, o «alerta para eventuais manobras que, a coberto da condenação formal do golpe de Estado, pretendam legitimar os objectivos deste acto anticonstitucional».
 

Excelente artigo de Fernando Samuel emCRAVO DE ABRIL



publicado por vermelho vivo às 23:53
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Festa da Fraternidade 2009

  

 

Aparece!

Trás um amigo também!



publicado por vermelho vivo às 23:04
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Curiosidades

Depois de quatro dias afastado da rotina, abstraído de quase toda a informação e apenas recarregando as baterias, hoje, de regresso à vida normal vi-me confrontado com uma observação do meu filho, mais ou menos nestes termos: “Fogo pai, tu pareces vidente, aconteceu mesmo o que disseste.

A razão desta observação é simples e prende-se com uma conversa tida com ele na passada Quarta-feira. É essa conversa que aqui reproduzo para que se perceba como estas coisas são tão óbvias que já não espantam ninguém que esteja minimamente atenta ao que se passa no mundo e às tácticas do imperialismo e do capitalismo e dos seus meios de propaganda.
 

Perguntava-me ele: “Pai, quem é que achas que vai ganhar as eleições no Irão?”

Respondi-lhe: “o Ahmadinejad. E com larga maioria. Tem um forte apoio popular”

Não convencido, voltou à carga: “não é isso que dizem os jornais e as televisões. Então porque é que eles dizem que não vai ser assim?”

Expliquei-lhe: “É simples. Eles sabem que não estão a noticiar a verdade mas estão a preparar o terreno para o que se vai seguir depois das eleições.

Para já estão a criar a expectativa de que pode acontecer uma vitória da oposição. Depois das eleições em que o Ahmadinejad vai ganhar com larga maioria vão dizer que houve fraude e que as eleições não valem nada. Segue-se aquele circo em que uns milhares de manifestantes vão juntar-se na rua e permitir aos jornais e televisões dizerem e escreverem que existe uma grande contestação popular contra a “suposta” fraude eleitoral e dizerem e escreverem cobras e lagartos do regime ditaturial do Irão. Depois vêm os países europeus e com os Estados Unidos à frente armados em arautos da verdade e da democracia acusar o regime iraniniano de tudo o que for possível e exigir democracia e respeito pela vontade popular.

Olha, vais ver que os mesmos que não permitiram que os cidadãos europeus se pronunciassem em referendo sobre o Tratado de lisboa, ainda vão agora encher a boca com os direitos e a vontade do povo. Espera para veres. Mas para isso é preciso criar as condições ideais. É isso que os jornais e as televisões estão a fazer.

Embora seja triste e lamentável este papel desempenhado pelos jornais e televisões, é o que temos. Se te deres ao trabalho de ler informação independente, facilmente concluirás que Ahmadinejad é muito popular no Irão e que tudo indica ter a vitória garantida.”

Respondeu-me: “vou ver se tens razão...”
 

Hoje, não se esqueceu da conversa ocorrida e com a observação acima citada, reconheceu que eu estava certo.

Claro que não sou vidente. Apenas aconteceu aquilo era óbvio, a vitória de Ahmadinejad, e o que já estava preparado para acontecer, toda esta campanha e esforço vizando enfraquecer um presidente e um regime que o ocidente não quer. Estas táticas são tão velhas e tão óbvias que já só enganam os distraídos e os cegos, não os que não vêm mas aqueles que teimam em não ver. 
 

Assim, mesmo acontecendo o previsto, não deixa de saltar à vista de qualquer pessoa uma outra curiosidade.

A comunicação social refere-se à contestação de uns milhares de iranianos, que diga-se em abono da verdade apenas acontecem na capital Teerão, como uma contestação generalizada. Ora vamos lá ser sérios, mesmo que fossem alguns 100.000 - e não são! A TSF noticiava no noticiário das 19,00 horas, cerca de 10.000 manifestantes. O Irão tem uma população de cerca de 70 milhões de habitantes.

Ora, os mesmos órgãos de comunicação social, os mesmos “jornaleiros” e os mesmos analistas que agoram tanto valorizam esta contestação de menos que 0,1% da população e que acham que isto reflete a insatisfação e a razão dos iraninianos, são exactamente os mesmos que já haviam valorizado a contestação de meia dúzia de estudantes previligiados na Venezuela porque os seus previlégios estavam em risco e que por isso até já punham  em causa o governo legítimo de Hugo Chavez, eleito democráticamente pelo povo.

São exactamente os mesmos que desvalorizaram e silenciaram de todas as formas possiveis as manifestações ocorridas em Portugal com 100.000, 150.000 e 200.000 portugueses, organizadas pela CGTP-IN contra as políticas deste governo.

São exactamente os mesmos que desvalorizaram e silenciaram de todas as formas possiveis as manifestações ocorridas em Portugal com 50.000 portugueses, organizada pelo PCP, exigindo garantias de liberdade e mais democracia, e 85.000 portugueses, organizada pela CDU, exigindo uma mudança de rumo e uma ruptura com as políticas deste governo PS/Sócrates. Sendo que tudo isto se passou Portugal, um país com cerca de 10 milhões de habitantes. Façamos a proporcionalidade e tiremos as devidas ilações.

Esta contradição dos órgãos de comunicação social ao serviço do poder dominante é demasido evidente para que possamos acreditar na veracidade de qualquer notícia por eles difundida.

Mas que eles vão cumprindo na perfeição o seu papel de desinformação, isso é inquestionável.



publicado por vermelho vivo às 23:48
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