"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007
Os grandes portugueses

"Do ponto de vista da História, Salazar terá sempre um lugar, que só os historiadores situarão com maior ou menor rigor (como sucede hoje a outros estadistas que foram, eles também, dirigentes inclementes, como D. João II ou o Marquês de Pombal). Cunhal, por mais que os votos dos militantes comunistas entrem nas urnas do programa da RTP, nem como resistente ocupará mais do que duas das linhas dos compêndios históricos."

É com esta previsão extraordinária que o jornalista José Manuel Barroso termina o seu “artigo de opinião” impregnado de um anti-Comunismo primário e bafiento sobre a eleição do maior português de sempre, no DN de terça-feira, 30 de Janeiro de 2007.

O Sr. José Manuel Barroso, provavelmente, ainda hoje não encontra uma explicação para o facto de mais de 200.000 pessoas estarem presentes no funeral de Álvaro Cunhal, naquele que foi o maior funeral de sempre realizado em Portugal.

Nas cerimónias fúnebres de Salazar, segundo me contam, também era um mar de gente em Lisboa, mas também me contam que todos os funcionário públicos tiveram tolerância de ponto para serem conduzidos, em autocarros pagos pelo estado a Lisboa e quem não fosse nos autocarros e não justificasse a falta, era alvo de processo.
Também o PCP disponibilizou transporte a quem quis assistir ao funeral de Álvaro Cunhal, é verdade, mas quem embarcou nos ditos fez-lo voluntáriamente e com o sincero propósito de prestar homenagem a Álvaro Cunhal (não a última! porque a grande homenagem a Cunhal, continua a prestar-se na luta que milhares de comunistas e outros democratas travam diáriamente seguindo o seu exemplo).

O Sr. José Manuel Barroso provavelmente não conseguiu perceber o que disseram algumas figuras públicas, jornalistas e povo anónimo,

“Álvaro Cunhal representa muito mais que ele próprio. Representa os milhões de portugueses e de portuguesas que durante décadas lutaram contra o fascismo e contra o capitalismo. Submetido à clandestinidade, à prisão, à tortura e ao exilio. Soube, juntamente com os seus camaradas, organizar um Partido que resistiu na clandestinidade e contribuiu através da sua obra para o enriquecimento do desenho, da literatura, do pensamento político.”

“Muitos anos passarão até que volte a nascer entre nós um homem com a dimensão de grandeza de Álvaro Cunhal.”

“De entre as mais ricas e fascinantes personalidades do século XX português, avulta sem dúvida a de Álvaro Cunhal, pela aliança rara de inteligência e coragem, de firmeza e equilíbrio que o seu percurso político e revolucionário a cada passo atesta.”

"Álvaro Cunhal foi um homem grande, cuja vida é inseparável da história do século XX.”

Mas enfim, o Sr. José Manuel Barroso não entende estas opiniões e pensa diferente.

 

Quanto ao programa em si, trata-se apenas e somente de um concurso, por isso, vale o que vale, interessante do ponto de vista mediático, mas nunca um instrumento de avaliação séria e aferidora relativamente ao maior português. Basta observar a presença em peso do mundo futebolístico nos 80 primeiros nomeados, Pinto da Costa, José Mourinho, Figo, Cristiano Ronaldo, Vítor Baía, Eusébio (talvez o único merecido), ou a presença de Ricardo Araújo Pereira dos Gato Fedorento, ou ainda, pasme-se, Hélio Pestana, actor dos morangos com açucar, para se perceber a mistura entre a grandeza de uns e o mediatismo de outros e a incapacidade de descernimento entre eles na votação. No entanto, se o concurso conduzir ao conhecimento mais aprofundado e mais factual da vida e obra destas personalidades e despertar a curiosidade dos portugueses para estes, então já é um enorme contributo prestado pelo concurso.

Já agora, confesso que mesmo assim, também votei. Não sei se é possivel avaliar entre a importância de D. Afonso Henriques, fundador deste Portugal e Fernando Pessoa com um legado literário impar. Nem sei se é possivel comparar a grandeza humana de Aristides Sousa Mendes com a importância dos descobrimentos de Vasco da Gama.

Nesta complexidade, votei na personalidade que me parece ter marcado profundamente e de forma mais transversal a sociedade  portuguesa e o século XX e aquela que foi e continuará a ser uma referência em várias vertentes para milhares de portugueses.

Votei na personalidade que foi ímpar na política, tanto em tese como em prática, antes e depois do 25 de Abril, foi excelente na literatura, com obras extraordinárias quer ao nivel do ensaio ou do romance, e nas artes plásticas com desenhos e pinturas de uma sensibilidade e qualidade extremas. Foi um exemplo de coerência, coragem e de sacrifício físico e psicológico sofrido através da prisão, da tortura, do isolamento ou da clandestinidade em nome de um ideal. Foi um dos principais obreiros, juntamente com muitos outros camaradas, para a queda do fascismo e para a defesa do povo e dos trabalhadores portugueses. Foi figura reconhecida e influente mundialmente pelos movimentos progressistas. Tinha uma ligação profunda com o povo português como o demonstraram as suas cerimónias fúnebres.

Por tudo isto e pela complexidade expressa em cima, votei em Álvaro Cunhal. E ainda porque ao votar em Álvaro Cunhal estou a ir mais além e votar também nos milhões de portugueses e portuguesas que como ele, durante décadas lutaram contra o fascismo.



publicado por vermelho vivo às 11:45
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2 comentários:
De diogo a 15 de Fevereiro de 2007 às 11:14
quem nao fosse ao funeral eram alvo de processo??
ó pa voces os comunistas sao mesmo de rir, uma gargalhada autentica, o homem foi torturado?
o pa se kisessem tinham no morto a vontade.
Porque é que nqao leem a entrevistra que o ramanlho eanes a dizer que o salazar defendeu o pc?
sao uma gargalhada, as vossa teorias cada vez dao para rir mais


De anónimo a 15 de Fevereiro de 2007 às 16:26
Morreu a semana passada Sérgio Vilarigues que foi um resistente do fascismo, as palavras dele valem muito mais que milhentas entrevistas do Ramalho Eanes.
Ainda me vão querer fazer crer de que a morte de Dias Coelho e de muitos outros antifascistas foi exactamente para proteger o partido comunista.
O isolamento em que Cunhal esteve durante 8 anos dos 11 em que esteve preso e os outros 22 anos de clandestinidade e exilio também foi para proteger o partido comunista da sua liderança, inteligência e capacidade organizadora.
Ainda vamos chegar à conclusão que o fascismo nunca existiu.



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