"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sábado, 16 de Outubro de 2010
Nove anos depois

Nove anos depois do início da guerra do Afeganistão, o imperialismo procura ocultar o atoleiro em que se tornou a ocupação do território. O recrudescimento da resistência faz disparar as baixas entre as tropas estrangeiras tornando cada vez mais evidente que só a retirada pode pôr fim ao conflito.

A 7 de Outubro de 2001, os EUA e a Grã-Bretanha iniciaram o ataque ao Afeganistão bombardeando a capital, Cabul, e outras grandes cidades do país, como Jalalabad, Kandahar, Herat, Kunduz, Farah ou Mazar. Seguiu-se a invasão, a deposição do governo talibã e a ocupação do país com a NATO a assumir o comando das operações. Nove anos depois, o balanço é trágico.
O objectivo de democratizar a vida política nunca passou de propaganda. Nas últimas «eleições», por exemplo, apenas 24 por cento dos eleitores habilitados compareceu às urnas e os relatos de compra de votos, coacção ou tráfico de credenciais voltaram a marcar o acto.
A corrupção é intrínseca ao regime sustentado pelos EUA e seus aliados, sobejando denúncias de apropriação dos fundos destinados à «reconstrução». A produção de ópio, segundo as Nações Unidas, floresceu como nunca estendendo-se agora por mais de um milhão e cem mil hectares.
O número de civis mortos em consequência das acções militares dos ocupantes supera os 33 mil (veteransforpeace.org), ao que acrescem, de acordo com dados oficiais, 27 mil mortos entre os membros dos grupos armados da resistência e cerca de 7 mil efectivos do contingente afegão.
A guerra nunca cessou. Mais de 2100 soldados ocupantes já morreram em combate, cerca de 60 por cento dos quais são norte-americanos. Mais de 7 mil soldados dos EUA foram feridos e milhares regressaram das respectivas comissões com graves distúrbios psíquicos.
São os próprios norte-americanos que admitem que nos últimos três anos os insurrectos ganharam vigor. O ano de 2010 é já o mais mortífero para as tropas invasoras com mais de 560 soldados abatidos em combate.
 

Obama pior que Bush
 

Barack Obama aumentou o contingente dos EUA garantindo o início da retirada para o segundo semestre de 2011. Mas a realidade mostra que a chamada nova estratégia do presidente norte-americano não conduziu à pacificação do território.
Depois da maior ofensiva militar desde 2001, realizada em Fevereiro passado, na província de Helmand, os grupos que resistem à ocupação acumularam simpatia popular e ganharam terreno.
Actualmente, os rebeldes dizem controlar 75 por cento do território e a esmagadora maioria da rede viária. O total de norte-americanos mortos no Afeganistão durante a administração Obama superou, em Agosto deste ano, o total de baixas durante a administração Bush.
A ONU admite que nos primeiros seis meses de 2010, mais de 3200 civis afegãos morreram ou ficaram gravemente feridos na sequência de operações dos EUA/NATO, o que representa um aumento de 31 por cento face ao mesmo período de 2009.
Por outro lado, os grupos da resistência estão longe de ser um corpo homogéneo de inspiração confessional ligado aos talibans. O ano passado, Matthew Hoh, alto quadro do Departamento de Estado no Afeganistão, admitiu, na carta da sua demissão, que, ao contrário do procuram fazer crer os EUA, a maioria dos combatentes não luta pela recuperação do poder pelos talibans mas pela expulsão dos estrangeiros do país.
 

Retirada é a solução
 

Neste quadro, a retirada das tropas ocupantes é a única solução viável. E enquanto o imperialismo procura ocultar o atoleiro em que se transformou o Afeganistão (abafando, minimizando ou mentindo sobre as ocorrências violentas e os combates), manobra nos bastidores uma trégua com alguns dos senhores da guerra.
Não o faz directamente. Por intermédio do seu homem de mão, Hamid Karzai, promove o chamado Alto Conselho da Paz – estrutura que reúne membros do governo e líderes territoriais e de grupos armados–, alicia os combatentes com garantias de dinheiro e emprego e apoia o estabelecimento de pontes de diálogo com o ex-arqui-inimigo Mohammad Omar.
O objectivo é não permitir que se consolide uma derrota humilhante, a qual beliscaria a imagem do imperialismo norte-americano como superpotência militar e animaria a resistência de outros povos face às acções belicistas de Washington.



publicado por vermelho vivo às 23:58
link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De fernando samuel a 18 de Outubro de 2010 às 17:27
Muito bom!

Um abraço.


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


posts recentes

Resistir!

Demissão!

A frase do dia

Festa da Fraternidade 201...

A Voz que Conta!

Fascismo. Cuidado eles an...

Ai Crato. Ai, Ai...

Álvaro Cunhal

O 10 de Junho

semelhanças...

arquivos

Outubro 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Os meus hinos

 

 

 
Melhores adeptos do mundo