"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sábado, 30 de Outubro de 2010
reflexões que a democracia tece

Esta coisa da crise e o folhetim protagonizado pelo PS / PSD sobre o orçamento e que teve o seu epílogo na sexta-feira (e tal como era previsivel porque é assim que acontece em todas as novelas e folhetins, tudo acabou bem. Vão ser todos muito felizes, os bancos, os grupos económicos, os políticos do poder e os que se preparam para lhe suceder no próximo ano, os amigos dessa gente, os corruptos, enfim, não vai faltar gente feliz com este epílogo. É verdade que tanta felicidade não vai chegar à maioria dos portugueses que são os trabalhadores e o povo que vivem honestamente do seu trabalho, ou sobrevivem com as merecidas reformas depois de dezenas de anos de trabalho e contribuição para a segurança social, aqueles que por causa da tal crise estão desempregados, ou aqueles que por infelicidade são doentes e necesitam de medicamentos, entre muitos outros, esses, vão ver a sua carteira mais vazia e vão sentir ainda mais dificuldades. Mas enfim, não se pode agradar a todos. Por isso, podemos considerar que tudo acabou em bem e de forma feliz. Pelo meio, PS, PSD, os média e os vários analistas de serviço ao regime ainda deram uma ajuda eleitoral ao Sr. Presidente da República na sua reeleição, provocando a ilusão de que teve uma intervenção indispensável neste epílogo, quando a verdade é que o epílogo estava escrito desde o início do guião. Mas pronto, é a democracia que temos.)

 

Mas voltando à vaca fria, este folhetim tentou a todo o custo passar a mensagem de que só nos resta a resignação. Isto é: A crise é um facto. A aprovação do orçamento é obrigatória. Os sacrifícios para o povo português são inevitáveis.

 

No meio de tanta discussão foram envolvidos, ex-ministros, ex-presidentes, empresários, analistas do sistema, enfim, uma multidão de gente que nós bem conhecemos... No fundo, foram chamados a opinar aqueles a quem se devem pedir  responsabilidades pela situação em que nos encontramos e curiosamente, todos disseram o que deles se esperava. Ou seja, todos disseram o mesmo, com palavras ou estilos diferentes: estamos perante uma fatalidade... Isto está muito mau... Os sacrificios são inevitáveis para todos... Em suma: resignemo-nos.
 

Também os média têm cumprido com distinção o seu papel de serviçais do verdadeiro poder, que é como quem diz: serviçais de quem lhes paga. E em que mãos está a imprensa hoje? Nas mãos dos grupos económicos e financeiros, logo...
Cumprindo aquela máxima: «no meu jornal, os jornalistas têm toda a liberdade de escrever o que eu penso», os média têm tido um comportamento irrepreensível.

 

No meio de tanta discussão, dizia eu, quase todos se têm esquecido (premeditadamente como é óbvio) de uma parte essencial do debate: como é que chegamos até aqui? Quem é que o povo deve responsabilizar pela situação em que nos encontramos? Qual a alternativa para além do orçamento, dos mercados financeiros e dos sacrifícios quase desumanos dos mais desfavorecidos socialmente?
Sim! Porque ao contrário do que nos querem convencer, esta situação a que dão o nome de crise, tem responsáveis. Esta crise não é uma fatalidade, não é uma inevitabilidade, não é resultado de uma qualquer obra divinal.
E os responsáveis são as políticas de benefício desavergonhado ao grande capital, aos grandes grupos económicos e a subserviência cega às directrizes da UE de protecção aos países mais fortes. Veja-se o caso da Alemanha e da França.
E os responsáveis por essas políticas são os partidos que nos têm governado ao longo de 34 anos seguindo por este caminho.
O dinheiro não desapareceu. Os grandes grupos económicos, a banca e os previligiados do regime, continuam a acumular lucros e riqueza. Exactamente à custa de sugarem tudo aos trabalhadores e ao povo.
 

Mais!  Desiludam-se aqueles que pensam que os responsáveis pela crise existente, ou seja, aqueles que nos conduziram até aqui, poderão encontrar as respostas e o caminho para sair dela.
Com esta política seguida até aqui e agravada daqui para a frente, Portugal estará em 2011 pior que em 2010, estará em 2012 pior que em 2011. O futuro tratará de provar isto.
 

O aparelho produtivo foi destruído ao longo dos últimos anos, tal como as pescas e a agricultura. Não se vê ou ouve nas soluções anunciadas qualquer indício de que esta situação será invertida. Sem inverter esta situação não há hipóteses de aumentar a produção e a riqueza nacional e criar empregos.
 

Não se vê ou ouve nas soluções anunciadas qualquer indício de que o trabalho será valorizado e remunerado com salários dignos. Ora, se o povo não ganha o suficiente para ter qualidade de vida e ainda deixa o pouco que ganha nos impostos (que têm servido apenas para alimentar uma clientela de previlégiados do sistema com ligações ao PS e ao PSD), não tem dinheiro para consumir mais que o essencial. Se não consome, não justifica o aumento de produção pelas empresas. Sem aumento de produção, as empresas terão mais dificuldades e haverá mais desemprego. Com mais desemprego, menos dinheiro haverá para gastar e mais apoios sociais são necessários... Seguindo esta cadeia por aqui fora, facilmente encontramos o resultado.

Pelas medidas anunciadas, serão mais uma vez aqueles que já nada têm, a pagar a factura dos desgovernos sucessivos quer do PS quer do PSD. Ou seja, estão à espera que a factura seja saldada por aqueles que já não têm como a saldar. É óbvio que a factura vai continuar em aberto.

 

O problema da europa e neste caso particular de Portugal não está na crise em si, está sim na ausência de distribuição da riqueza e como tal, na ausência de circulação do capital. Enquanto uma pequena minoria acumula a riqueza, se lambusa com ela e coloca o que lhe sobra em paraísos fiscais, pomposamente chamados "Offshores", uma imensa maioria vive sem nada. Enquanto esta situação não for resolvida, não há solução que opere o milagre de acabar com a chamada crise.
 

O problema da europa e neste caso particular de Portugal, está no sistema e modelos de sociedade adoptados.

Logo, é na discussão da questão de fundo, ou seja: no sistema e modelo capitalista e na sua natureza exploratória que dá azo à existência dos chamados "mercados". Estes "mercados" não são mais nem menos do que  redes de especulação financeira e que subjugam os países aos seus interesses financeiros.

Como é possível que um país soberano possa estar refém dos mercados especuladores, como é o caso de Portugal neste momento? 
 

Um modelo que contém na sua natureza o previlégio de uma pequena minoria da sociedade à custa do sacrifício de uma imensa maioria. 
 

É na discussão desta questão de fundo, do sistema e modelo capitalista e nas suas alternativas, e não em discussões inócuas em moldes de folhetim e novelas, que encontraremos as respostas e o caminho para o futuro

 

E a resposta é mesmo essa! É necessário acabar com este modelo político de falsa democracia em que muito poucos vivem à custa de muitos outros milhões que não têm quase nada!
É preciso derrubar de uma vez por todas esta falsa democracia dos Armandos Varas, da família Sócrates, dos Dias Loureiros, dos Antónios Mexias, dos Pedro Soares, dos Belmiros de Azevedo, dos Américos Amorins, dos Jerónimos Martins, dos Espirito Santo, dos Joe Berardos e muitos outros, e toda uma clientela que gravita á volta do poder, sugando tudo o que Portugal produz e subjugando um povo a sacrifícios permanentes e inúteis.

 

Como na minha opinião, a resignação nunca foi e continua a não ser a resposta para nada. Logo, também não o é para o desgoverno praticado pelos sucessivos governos do PS / PSD / CDS nestes últimos 34 anos. Assim, espero que os trabalhadores e o povo também não adormeçam ao som deste bolero da resignação.


Como é que na minha opinião se pode alcançar uma ruptura com estas políticas e encontrar respostas para a saída da chamada crise?
Através da luta!
 

O POVO TEM QUE ABRIR MAIS OS OLHOS PORQUE O CAMINHO É A LUTA!



publicado por vermelho vivo às 23:57
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