"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010
As palavras sábias da D. Manuela

Interrompo momentaneamente a denúncia das contradições da crise capitalista, porque não consegui ficar indiferente perante as sábias palavras da D. Manuela hoje no parlamento.

 

Hoje, sempre que tinha oportunidade ia acompanhando via rádio o debate sobre o orçamento de estado na AR.
Foi numa dessas oportunidades que ouvi a extraordinária intervenção da D. Manuela.

Não consigo reproduzir com fidelidade as suas palavras mas foi mais ou menos isto:
Se o senhor ministro da economia pensa que vai haver uma crise política daqui a seis meses, pense mas não o diga publicamente”.

Mais adiante: "Se o sr. Deputado tem alguma desconfiança no PSD, não o diga publicamente, finja, finja que somos todos muito amigos”.

No momento fiquei um bocadinho baralhado ao ouvir aquilo. Mas o espanto ainda aumentou mais tarde. Enquanto almoçava e em simultâneo assistia ao telejornal, ouvi as vozes do PS e do PSD enaltecerem a intervenção da senhora.

E foi aí que reflecti melhor e atingi o alcance das suas palavras.
 

Sei que a D. Manuela tem esta mania de abreviar, codificar ou utilizar expressões simbólicas que depois têm que ser traduzidos. Lembro-me por exemplo daquela expressão em ela dizia que "a democracia devia ser suspensa durante 6 meses". Mas depois ficamos a saber que não era bem isso que ela queria dizer.

 

Bem, então na minha interpretação sobre a intervenção da D. Manuela hoje no parlamento, o que ela quis dizer foi o seguinte:

 

Ambos sabemos, o PS e o PSD, que este é o orçamento que o PSD talvez não tivesse coragem para apresentar, mas é o que gostaria de apresentar aqui se fosse governo. Ambos sabemos que hoje estais vós aí e nós aqui, mas que amanhã estaremos nós aí e vós aqui e cada qual na sua posição faz exactamente o mesmo que o outro fez e fará. No entanto FINJAMOS que somos divergentes, mas com sensatez e moderação.

 

Ambos sabemos que estamos a mentir e a enganar os portugueses. Mas FINJAMOS que estamos a actuar de boa-fé.

 

Ambos sabemos que dizemos uma coisa aos portugueses e fazemos outra coisa oposta na governação. Mas FINJAMOS que falamos verdade.

 

Ambos sabemos que deste orçamento só vão sair beneficiados os grandes grupos económicos e financeiros e a especulação financeira a quem não vamos tocar nos chorudos lucros. Mas FINJAMOS que este é o orçamento que o país precisa.

 

Ambos sabemos que este orçamento vai levar para a falência centenas ou milhares de pequenas e médias empresas do comércio e da indústria e que isso é bom porque beneficia as grandes empresas que ficam com o monopólio dos mercados. Mas FINJAMOS que é para a sua manutenção que estamos a trabalhar.

 

Ambos sabemos que com este orçamento estamos a roubar os salários aos trabalhadores, os abonos às famílias, as pensões aos reformados e os subsídios aos desempregados. Mas FINJAMOS que os sacrifícios são para todos.

 

Ambos sabemos que com este orçamento vamos criar mais recessão, mais precariedade, mais desemprego, mais pobreza, mais desgraça nas famílias com menos recursos. Mas FINJAMOS que estamos a solucionar esse problema.

 

Ambos sabemos que este orçamento vai acentuar as desigualdades sociais. Mas FINJAMOS que é um orçamento para todos os portugueses.

 

Ambos sabemos que este orçamento vai destruir ainda mais o estado social, estrangular os serviços públicos, a educação, a saúde... E que isso é bom porque abre as portas à exploração dessas áreas pelo sector privado que daí arrecadará grandes ganhos. Mas FINJAMOS que estamos preocupados com a sua manutenção.

 

Ambos sabemos que este orçamento não vai resolver absolutamente nada quanto ao aumento da produção e da riqueza nacional e que é asim porque, para produzir e criar riqueza estão lá os outros países mais fortes da UE. Mas FINJAMOS que este é o orçamento possível.

 

Em suma:  Ambos sabemos que este orçamento proposto por vós e viabilizado por nós, é o nosso e o vosso melhor contributo para proteger e aumentar os lucros do grande capital, fazer a vontade aos "mercados" protegendo a especulação. E ambos sabemos que essa é a missão que nos faz estar aqui. Mas FINJAMOS que é o orçamento necessário. Que vós o propuseste e nós o viabilizámos a bem do país e dos portugueses.
 

Mais. Tenhamos todos muito juizinho, porque nesta peça, exige-se que sejamos bons actores, sob o risco nos cair a máscara e ainda deitarmos tudo a perder!

 

E pronto. Assim clarificada a intervenção da D. Manuela, já percebo perfeitamente a convergência dos deputados do PS e do PSD relativamente à sua intervenção.



publicado por vermelho vivo às 00:28
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