"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
A ditadura do capital

O defesa central do Barcelona, Oleguer Presas Renom, viu o seu contrato de patrocínio da marca de equipamentos espanhola Kelme rescindido pelo simples facto de pensar pela sua cabeça, ter opinião e manifestá-la publicamente.

Oleguer, Catalão de nascimento, tem 27 anos e são sobejamente conhecidas as suas opiniões firmes sobre questões políticas e sociais, tal como o seu apoio ao nacionalismo catalão e as suas atitudes “anti-sistema”.

Iñaki de Juana Chaos é um basco preso desde 1987 por pertencer à organização de resistência armada pela independência Basca, ETA (Euskadi Ta Askatasuna; em português «Pátria Basca e Liberdade).

 

"Iñaki de Juana devia ter tido acesso à liberdade no dia 25 de Outubro de 2004, após de ter completado a sua pena de 18 anos na prisão. No entanto, o magistrado da Primeira Sala Penal da Audiência Nacional, Gómez Bermúdez, emitia um auto no dia 22 de Outubro no qual se pretendia impugnar os beneficios que tinha Iñaki [e que lhe davam direito a sair da prisão] para evitar a sua libertação. Perante a impossibilidade de manter essa justificação, o juiz ditou a prisão preventiva contra o preso basco por presumivel delito de pertença a organização armada e de ameaças terroristas. Os factos pelos quais se fez semelhante petição baseavam-se em dois artigos de opinião que o preso basco enviou ao jornal Gara. Seria impossivel encontrar nos ditos artigos base racional suficiente para sustentar semelhantes acusações.

Precisamente, no dia 14 de Junho de 2006, fez-se pública a sentença pela qual o juiz da Audiência Nacional espanhola Santiago Pedraz não dava razão à acusação. Considerava que nos artigos o preso mostrava o seu apoio ao Movimento de Libertação Nacional Basco - MLNB - o qual "não é equiparável à ETA". Acrescentava que "tal movimento não está qualificado como organização terrorista" pelo que considerava não provada a existência de um delito de ameaças.

Nesse momento, desencadeia-se uma campanha mediática contra a decisão do juiz. O titular do Ministério da Justiça, Juan Fernando López Aguilar, declarou: "construiremos novas imputações para evitar que sejam libertados!". O fiscal geral do Estado, Cándido Conde-Pumpido, assegurou que "continuariam a opor-se à sua libertação na medida do que seja legalmente possivel" e assim recorreram da decisão. Esta atmosfera impulsiona a Terceira Secção da Sala Penal da Audiência Nacional a rectificar a decisão do juiz Pedraz considerando que Iñaki de Juana fez "alarde e exaltação" da sua pertença à ETA nos artigos publicados, cujo conteúdo, segundo diz o auto, "revela claramente uma possivel ameaça terrorista" pelo que se faz uma nova petição de 96 anos de prisão.

(Excerto da petição de solidariedade e exigência de libertação de Iñaki de Juana)"

 

Iñaki de Juana foi condenado no início de Novembro de 2006 a mais 12 anos e sete meses de prisão por ter escrito os dois ditos artigos de opinião. Começou então em 7 de Novembro uma nova greve de fome pela sua libertação que já leva 96 dias.

Oleguer criticou na Sexta-feira o estado espanhol pelo tratamento dispensado a Iñaki de Juana, exprimiu a opinião de que o exemplo deste, servia para que se questionasse a independência entre poderes judicial e político e opinando que o De Juana deveria ser libertado por “motivos de saúde”.

A ditadura do capitalismo não se fez esperar. A marca Kelme imitiu um comunicado onde se lê o seguinte:

«Acreditamos na liberdade de pensamento e expressão, mas a relação do jogador com a Kelme baseava-se exclusivamente em critérios desportivos e tomámos a decisão de rescindir unilateralmente o contrato»

Como seria se não acreditassem na liberdade de pensamento e expressão e se o contrato não se baseasse em critérios exclusivamente desportivos?...

Assim se desenvolve subtilmente a ditadura do capital, para o capital, um patrocinado deve limitar-se a ser uma imagem, de preferência bem parecida, inóqua de pensamento e abstinente de opinião, abdicando assim dos seus direitos enquanto cidadão livre.

Em resposta a esta repressão inqualificável da Kelme, algumas organizações Catalãs e Bascas estão já a desenvolver uma campanha apelando ao boicote de todos produtos desta marca.



publicado por vermelho vivo às 00:38
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