"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Domingo, 18 de Fevereiro de 2007
Os Clash

O YOUTUBE além de ser um ”armazém” extraordinário é também um autêntico baú de recordações. Um destes dias, enquanto fazia por lá uma visita, recordei uma fase da juventude atravéz dos CLASH, não com nostalgia porque não tenho tendência para esse sentimento, os olhos e a mente olham sempre em frente, no entanto a memória guarda cuidadosamente o passado, pois esse passado é o percurso que nos trouxe até aqui e ao que somos no presente.
Decidi por isso abrir uma nova frente no blog postando de vez em quando e com recurso ao insubstituível YOUTUBE, algumas bandas e músicas que têm sido companheiras no meu percurso de vida, começando como é óbvio pelos CLASH que foram para mim uma espécie de banda de culto e a banda que me acompanhou durante alguns anos da tenra juventude, fase da vida em que as descobertas, as dúvidas e a irreverência se misturam e se envolvem na vivência quotidiana.

Deles comprei todos os discos (ainda em vinil!!!), li e vi tudo o que pude.

Ainda hoje (em que o culto aos Clash e a apologia da “punkaria” já se apagou à muitos anos), guardo religiosamente uma frase de Joe Strummer que inclusive dá título ao livro dos Clash: “O futuro não está escrito!”

Os CLASH formaram-se em Londres em 1976 por Joe Strummer (Joe Mellor de nome original), filho de um diplomata britânico, Mick Jones e Paul Simonon, ambos originários de Brixton, uma zona de constantes confrontos raciais e efervescência social, a estes juntou-se Terry Chimes na bateria.
Surgiram no auge do movimento punk onde já pontificavam com êxito os Sex Pistols, Ramones, Hot Rods ou Damned.  Apresentaram-se oficialmente em Sheffield em Junho de 1976 e lançaram o seu primeiro LP em Abril de 1977, The Clash, que continha pérolas como Remote Controle, White Riot ou London’s Burning, ao fim de 2 semanas, o LP alcançava o 12.º lugar na lista de vendas do Reino Unido com cerca de 100.000 cópias vendidas.

Entretanto Terry Chimes abandona a banda e para baterista entra Nicky Topper Headon. Foi com esta formação que gravaram mais 5 álbuns de originais, entre eles London Calling que viria a ser eleito em 1990 pela revista Rolling Stone como o melhor álbum dos anos 80. Já em 2005, o tema London Calling que dá titulo ao álbum, foi também eleito como a 8.ª melhor música de sempre numa votação da mesma revista.

Outros álbuns ficaram como referência. Sandinista, um triplo álbum envolto em polémica pela exigência da banda em que fosse comercializado ao preço de um só álbum contra a vontade da editora, os CLASH acabaram por pagar do seu bolso a ousadia, mantendo a coerência, aceitaram renunciar aos direitos de autor dos primeiros 200.000 discos vendidos, a CBS (editora dos Clash) que hipócritamente aceitou editá-lo, acabou por não promovê-lo e as vendas ficaram-se pelos 160.000 exemplares. Combat Rock, editado em 1982, foi o último álbum e talvez o mais maduro e mais bem conseguido, nele se encontra o hit talvez mais conhecido do público geral, Should i Stay or Should i Go. Para a história do rock ficaram músicas como, Complete control, London’s Burning, Tommy Gun, I Fought the Law, London Calling, Spanish Bombs, The Guns of Brixton, The magnificent Seven, Know Your Rights, Should i Stay or Should i Go, entre outros.
Mais tarde, em 1985 editaram ainda mais um álbum, Cut the Crap, mas da formação original já só existiam Joe Strummer e Paul Simonon.É nitidamente um álbum que o percurso dos Clash não merecia, a critica apelidou-o de “estilhaços dos Clash” penso que é uma boa definição.

Ao contrário de muitas outras bandas do universo “punk-rock” os CLASH eram uma banda bastante politizada, e tiveram um enorme contributo na consciencialização do "movimento punk”. Enquanto o punk anárquico e dominante na altura queria simplesmente destruir o status quo, os CLASH ofereciam uma outra visão e propunham uma nova ordem ao invés de simplesmente destruí-la. Adicionaram à agressividade da sua música uma mensagem de justiça social, anti-racismo, anti-violência gratuita, anti-droga, e combate ao estado de passividade evidenciado pela sociedade civil. Joe Strummer, afirmou sobre a droga: “Nunca piquei, e se alguém alguém ma oferece, corro com essa pessoa. Quem se relacione com drogas é um perfeito idiota. (...) Sempre odiei essa imagem da estrela de rock como um gajo cheio de pó...” A prova era dada pelas palavras e pelos actos, Nicky Topper Headon, o baterista, vê-se obrigado a abandonar os Clash em 1982 exactamente por se ter tornado um heroinómano.

Topper abusava de certas substâncias, entorpecendo o nosso caminho,” afirmaria mais tarde Joe Strummer.

Também no campo politico os CLASH sempre deixaram vincada sua posição, embora afirmassem que não eram de esquerda nem de direita e que apenas defendiam os direitos e liberdade individuais, a sua conotação era claramente de esquerda.
Em 1978 os CLASH participam no concerto "Anti Nazi League Carnival" organizado pela Liga Anti-Nazismo, Joe Strummer apareceu vestido com uma t’shirt nitidamente provocatória onde se lia “Brigate Rosse” e o emblema da facção Baader-Meinhof (Facção do Exército Vermelho) estampado no centro.
Em 1981, os CLASH estiveram em Portugal onde deram um espectáculo no pavilhão do Dramático de Cascais, Margaret Thatcher era chefe do governo britânico e decorria a greve de fome do deputado católico e nacionalista irlandês Bobby Sands, preso numa cadeia inglesa e que viria a morrer dias mais tarde. Nas suas primeiras declarações após a chegada a Portugal, os CLASH afirmavam: “Sentimo-nos envergonhados com o governo inglês. Não queremos que Bobby Sands morra. Falta muita humanidade ao governo inglês, é um governo fascista!”
O triplo álbum Sandinista é indiscutivelmente detentor de uma forte carga ideológica, homenageando a revolução sandinista na Nicarágua. Os CLASH assumem este compromisso ideológico não por simples devaneio intelectual de momento, mas numa atitude lúcida e coerente consigo próprios, tanto é assim que o disco é gravado depois de uma viagem-visita que os CLASH fizeram à Nicarágua após a revolução Sandinista. O guitarrista Mick Jones, afirmava: “Para muita gente era a primeira vez que ouviam falar da Nicarágua ou dos Sandinistas, muitas vezes nos perguntaram: o que é que isso quer dizer, Sandinista? (...) Essa revolução na Nicarágua arrebatava-nos, era a primeira vez que gente da nossa geração fazia uma revolução a valer, não uma de salão. (...) O título estava escolhido e continha um valor informativo, além disso a mensagem revolucionária passava no álbum repetidas vezes.” Joe Strummer foi ainda mais explicito, “Vamo-nos tornando mais politicos à medida que envelhecemos, e ao mesmo tempo, mais coerentes. A minha politica é definitivamente esquerdista sem que isso impeça a auto-determinação.”
Numa entrevista já em 1990, Mick Jones diz o seguinte: “O que eu digo é que os grupos rock devem ser avaliados pelo que dizem. A sua música também deve falar. Se a música não fala, então o que tem a fazer é calar-se. Um grupo deve atingir o seu público na profundidade e hoje há demasiados grupos que apenas deslizam à superficie das pessoas não deixando nenhuma marca tangivel nas suas vidas...”

Os CLASH cumpriram indiscutivelmente um papel de grande importância no movimento punk e deixaram um legado musical de enorme respeito.

Joe Strummer, figura carismático da banda, morreu de ataque cardiaco no dia 22 de Dezembro de 2002 com 50 anos.



publicado por vermelho vivo às 19:27
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2 comentários:
De ruimsc4@gmail.com a 17 de Março de 2008 às 15:48
EU FUI UM DOS SORTUDOS QUE ESTEVE NO PAVILHAO CASCAIS A VER OS CLASH,.MEMORAVEL.SOU UM APRECIADOR DO GRUPO.


De sabrina a 14 de Maio de 2008 às 20:20
oii


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