"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sábado, 24 de Março de 2007
A UGT e os trabalhadores

Li sem surpresa as declarações de João Proença no JN.
“João Proença, líder da UGT, é que não tem qualquer dúvida. Questionado pelo JN sobre a possibilidade de a UGT alinhar numa greve geral convocada pela CGTP, Proença é taxativo "Claramente, não!". E vai mais longe ao afirmar que uma greve tem de ter objectivos concretos.

Vejamos então o que o Sr. João Proença subservientemente prefere não ver:

• Este governo do PS / Sócrates, tem levado a cabo uma politica neo-liberal de protecção do grande capital à custa do sacrifício do povo trabalhador a que nem a direita teria coragem de implementar.

• Os serviços essenciais de apoio público aos cidadãos como a saúde, a educação, a justiça, etc., tem vindo a ser destruídos pelo governo, através do fecho de urgências, maternidades, centros de saúde, escolas, da não colocação de médicos onde eles são necessários, da redução de professores para o ensino especial, entre outras medidas como a introdução das taxas moderadoras nos internamentos. O acesso cada vez mais dificil à justiça devido aos elevados custos e morosidade dos processos, prejudicando muito os trabalhadores nas suas contendas laborais. Todos sabemos quem é que sai prejudicado com isto, os trabalhadores e as classes mais desfavorecidas, os velhos e novos ricos pouco utilizam os serviços públicos pois os lucros da especulação e da exploração pagam tudo o que precisam nos serviços privados.

• Existem hoje em Portugal, 459.000 desempregados oficiais, 85.000 inativos disponíveis e 68.000 em subemprego, o que soma 612.000 desempregados.

• Em 2 anos de governo PS / Sócrates, foram destruídos 68.900 postos de trabalho. O desemprego de longa duração cresceu 28,9%, passou de 182.400 para 235.200.
A precariedade do trabalho sofreu um agravamento de 1,1%, passou de 19,5% em 2005 para 20,6% em 2006.

• Dezenas de milhar de trabalhadores vêem-se obrigados a emigrar devido à ausência de condições dignas de trabalho e de vida aqui no seu país, fixando a taxa de emigração em valores só atingidos antes do 25 de Abril.

• Ainda ontem, foi anunciada o mais que provável encerramento de fábrica “Rohde”, atirando mais 1.300 trabalhadores para o desemprego.

• A penalização dos trabalhadores, já a partir de 2008, através do factor de sustentabilidade, ligado à esperança de vida, que, no futuro, vai reduzir de forma progressiva, todas as pensões de velhice, com consequências mais gravosas para os trabalhadores mais novos.

• O governo, seguindo as directrizes europeias que se baseiam no modelo Dinamarquês, prepara-se para discutir e implementar a desregulamentação das relações do trabalho através da nova lei FLEXIGURANÇA que pretende uma maior flexibilidade em termos de contratação/despedimento. Todos sabemos onde isto vai dar, a uma utilização abusiva do patronato para despedir quando e como lhe apeteça e para reduzir ainda mais a pouca segurança que já existe actualmente no emprego.
Aliás, um estudo de Robert Boyer, lembra as vicissitudes da Dinamarca, destacando "a tradição quase secular de procura de compromissos entre interesses diferentes, por vezes contraditórios, em particular os das empresas e dos trabalhadores". Exemplo disso é a importância da negociação colectiva nestes países e da gestão do poder bipartida entre Governo e parceiros sociais. Também as "particularidades dos sistema educativo" e o "dinamismo das pequenas e médias empresas" são apresentados como factores para o sucesso do modelo de flexigurança.
Curiosamente, nenhuma destas vicissitudes se verifica em Portugal.

• Temos hoje cerca de 20% de portugueses pobres. Destes, 14% são trabalhadores. Se mesmo com emprego, continuam pobres devem-no aos míseros salários que auferem.

O JN divulgava ontem um estudo com as seguintes conclusões:

• Os dados preliminares sobre o último trimestre de 2006 do relatório "Norte Conjuntura", divulgado, ontem, pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) estimam que a taxa de inflação na região, no ano passado, se fixou nos 3,2%, mais um ponto percentual do que os 3,1% que se registaram no país. De 2005 para o ano passado, o agravamento dos preços na região foi bastante significativo em bens como alimentos, habitação, água, electricidade e saúde.

• O aumento do custo de vida, na região Norte, não foi, de resto, acompanhado pelos salários.

• O cenário continua pouco animador em matéria de emprego e desemprego para o Norte. A região chegou ao último trimestre de 2006, como menos 20 mil postos de trabalho, face ao mesmo trimestre do ano passado, com uma queda homóloga no emprego de 1,1%, e uma descida de 0,7%, em relação aos três meses anteriores. O emprego feminino foi o que diminuiu mais, com uma queda de 1,9% no último trimestre do ano.

• O último trimestre de 2006 terminou, ainda, com uma taxa de desemprego de 9,7%, no Norte, face a uma média trimestral nacional de 8,2%. Em termos anuais, o desemprego na região atingiu os 8,9%, acima da média nacional, que se situou nos 7,6%. Nesta matéria, destaca-se o elevado desemprego entre os jovens (aumento de 17% no ano) e o desemprego de longa duração.

Mas efectivamente nem tudo vai mal. Os Bancos e os grandes grupos económicos apresentam um aumento generalizado e chorudo dos lucros, dos quais eu me abstenho de reproduzir em números, pois seriam chocantes num país com tanta pobreza.

Isto são apenas parte das razões que estão à vista dos olhos de qualquer um.

O Sr. João Proença lider da central sindical UGT, faz de conta que não vive nesta realidade ou neste país.

A UGT continua na esteira do seu passado. Foi criada para dividir os trabalhadores, evitando uma unidade sindical que daria mais poder a quem trabalha. Ao longo dos anos limitou-se a praticar essa divisão e a servir de casa de interesses duvidosos como o provam a chamada à barra do tribunal do ex-Secretário-geral, Torres Couto e mais outros 30 dirigentes daquela central sindical acusados de fraude na obtenção de subsídios do Fundo Social Europeu. Segundo o Ministério Público, a UGT conseguiu empolar os custos das acções de formação e, assim, obter lucros indevidos.
Torres Couto afirmaria mais tarde que a UGT – através do Instituto Sindical de Estudos, Formação e Cooperação (ISEFOC) – fez várias acções de formação, nomeadamente para a Comissão Nacional de Aprendizagem, estas a pedido do Governo, liderado na altura por Cavaco Silva.
Ou seja, para poder obter este tipo de favores por parte do poder, a UGT não pode, nem quer ser uma verdadeira defensora dos seus filiados trabalhadores, optando pela subserviência aos amigos do PS e do PSD.

Podemos assim perceber o desconhecimento dos dirigentes da UGT das razões objectivas para uma GREVE GERAL. Como o desconhecimento de razões objectivas para a participação na greve geral de 2002, na grande manifestação do dia 12 de Outubro, na jornada de luta do dia 25 de Novembro ou na mega-concentração que juntou 150.000 pessoas em Lisboa no dia 2 de Março protestando contra as medidas deste governo.

Resta-nos a verdadeira e única central sindical credível na defesa dos trabalhadores com que podemos contar, a CGTP.

As razões acima referidas são motivos mais que suficientes para os trabalhadores encararem a luta de forma abnegada no sentido de fazerem o actual governo inverter a sua politica de protecção ao grande capital e exigirem respeito e dignidade para quem trabalha.

O Eng.º Sócrates vangloriou-se no debate mensal no Parlamento dos excelentes resultados obtidos relativamente ao défice. Só não disse que tem sido à custa do esforço, do empobrecimento e à destruição dos direitos dos trabalhadores que ele se deve, e não ao crescimento e progresso da economia ou ao esforço dos mais ricos.

Reafirmo o que já anteriormente aqui escrevi, É EFECTIVAMENTE NECESSÁRIA UMA GREVE GERAL!

Consciente das dificuldades impostas pela subtil ditadura do capital que ao longo dos últimos anos tem conseguido fazer aprovar várias leis e instrumentos que subtilmente limitam a liberdade dos trabalhadores nas suas lutas e reivindicações, penso que é necessário que os dirigentes e delegados sindicais, os trabalhadores, os usurpados dos seus direitos à saúde e à educação, os comunistas, os socialistas e todos aqueles que compreendem que esta politica neo-liberal não pode continuar, devem encarar com o maior empenho o desafio de uma jornada de luta com uma GREVE GERAL.

O governo defende o grande capital e tem o marketing e a comunicação social como instrumentos de propaganda enganosa. Mas os trabalhadores tem na mão a força da sua classe. Só unidos na luta estaremos à altura para de uma vez por todas dizer BASTA!!! Não somos meros instrumentos da contabilidade do défice, somos cidadãos e trabalhadores deste país e exigimos dignidade e qualidade de vida.



publicado por vermelho vivo às 13:26
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