"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007
A arte do ferro velho

Oportuno!!!

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publicado por vermelho vivo às 16:38
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007
O desemprego em Portugal

Porque a verdade... é como o algodão, não engana!

Aqui ficam os verdadeiros números do desemprego em Portugal:

São  612.300  os desempregados em Portugal, ou seja 10,9% da população.

 

Clique em cima do documento para ver ampliado.

Este relatório pode ser consultado no artigo do economista Eugénio Rosa em "ODiário.info".



publicado por vermelho vivo às 12:38
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007
Lembrando Zeca

Cantar aqueles que partiram
é dar força à liberdade
as flores vermelhas que os cobriram
tornaram alegre a saudade.

Ary dos Santos

 

"Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for."                    José Afonso 

 

José Afonso

 in Hamburg

 

Clique na imagem para ouvir

 

Portugal Solidaritat (Alemanha) AK 0005 | 1976 | LP-33 rpm (Gravado ao vivo) | Capa: Fritz | Fotografia: José Barroso | Texto: Urbano Tavares Rodrigues | Participação de Francisco Fanhais 

LP não editado em Portugal, gravado em 1976 durante um espectáculo realizado em Hamburgo com Francisco Fanhais e José Luis e comercializado em 1982, por iniciativa do grupo Portugal-Solidaritãt. Inclui os temas Os fantoches de Kissinger, Hino à liberdade, Grândola vila morena, Cantar alentejano, Vira, O que faz falta e Adeus muros de Custóias, além de uma pequena biografia do compositor e do texto escrito por Urbano Tavares Rodrigues para Cantares do Andarilho. Apesar das muito deficientes condições de gravação, é um documento importante que, entre outras coisas, ajuda a compreender a forma como Zeca sempre encarou a sua actividade, dando-lhe acima de tudo um sentido político e social.

Vale, também, por alguns excertos quase antológícos, como seja a quadra popular «Ó meu Portugal tão lindo / Ó meu Portugal tão belo / Metade é Jorge de Brito / metade é Jorge de Melo» (Jorge de Brito e Jorge de MeIo eram tidos, juntamente com António Champalimaud, como os donos dos maiores grupos económicos portugueses até ao 25 de Abril.) ou o apar­te em que Zeca pergunta a Fanhais se deve ou não cantar uma determinada estrofe: «Vai a das caralhadas?» (Trata-se de uma quadra popular galega que diz assim: "Viva Lugo, viva Vigo / A Coruña e Pontevedra / Que se vá para o caralho / O cabrão da nossa terra". O cabrão em referência era o ditador fascista Franscisco Franco, natural do Ferrol.) A resposta, deduz-se de seguida, foi com certeza afirmativa..

 

Com o apoio da Associação José Afonso e Rádio Informação Alternativa



publicado por vermelho vivo às 18:17
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007
Porque o Fascismo, a Ditadura e a Pide existiram!

A propósito dos comentários inseridos no artigo “os grandes portugueses”, aqui fica uma parte da história da ditadura de 48 anos em Portugal.

Saliento que esta cronologia histórica não contabiliza os inúmeros portugueses vitimas anónimas da repressão da PIDE, GNR e PSP.

Para que este longo período de escuridão jamais possa ser branqueado ou esquecido. Pela memória daqueles que pagaram com a vida a luta contra o fascismo e pela liberdade de que hoje usufruo.

Assassinados pela PIDE - História de Portugal Contemporâneo

1931
O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;

1932
Armando Ramos
, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;

1934, 18 de Janeiro
Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal

1935
Ferreira de Abreu
, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);

1936
Francisco Cruz
, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;

1937
Ernesto Faustino
, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;

1938
António Mano Fernandes
, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;

1939
Fernando Alcobia
, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;

1940
Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

1941
Jacinto Faria Vilaça
, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;

1942
Henrique Domingues Fernandes
morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;

1943
Rosa Morgado
, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;

1944
General José Garcia Godinho
morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.

1945
Manuel Augusto da Costa
morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;

 1946
Manuel Simões Júnior
, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;

1947
José Patuleia
, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;

1948
António Lopes de Almeida
, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

1950
Militão Bessa Ribeiro
, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

1951
Gervásio da Costa
, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;

1954
Catarina Eufémia
, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

1957
Joaquim Lemos Oliveira
, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;

1958
José Adelino dos Santos
, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

1961
Cândido Martins Capilé
, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

1962
António Graciano Adângio
e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;

1963
Agostinho Fineza
, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

1964
Francisco Brito
, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

1965
General Humberto Delgado
e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

1967
Manuel Agostinho Góis
, trabalhador agrícola de Cuba, morre vítima de tortura na PIDE;

1968
Luís António Firmino
, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

1969
Eduardo Mondlane
, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

1972
José António Leitão Ribeiro Santos
, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;

1973
Amilcar Cabral
, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;

1974, 25 de Abril
Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.

A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as
inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão.

 

Mais ainda...

Podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927.

Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico.

Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene.

Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos "Viriatos" na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas.

Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953.

Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos "Flechas", etc.

 

(A lista de mortes do fascismo, é adaptada de um texto da autoria da Comissão "Abril Revolucionário e Popular")

Retirado de "PIDE: Para que haja memória"  em  PRAVDA.Ru

 

Agradeço a ajuda informativa de Ludovicus Rex do Blog “A voz do povo”.



publicado por vermelho vivo às 12:32
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007
O caminho está na luta

Após a manifestação da população de Valença contra o encerramento das urgências desta localidade, o ministro da saúde "espalhou-se" novamente ao declarar primeiro que Valença ficaria sem o serviço de urgências porque a média de 4 atendimentos por dia não justificava a sua manutenção depois afirmou que ainda não estava definido se este serviço encerraria ou não. Não haverá quem ponha este mestre da imcompetência na rua?

Mas na troca de palavras entre o ministro e o autarca de Valença, este pôs o dedo na ferida, «A mim, não me conseguiu explicar nem convencer que Valença ficará a ganhar com o fecho das Urgências. Mas se acha que consegue explicar e convencer a população, então que saia do seu gabinete e que o faça».
Esta é que é a realidade! E não apenas relativa ao ministro da saúde, mas sim a todos os ministros deste governo, incluindo o primeiro-ministro, que decidem as medidas sentados nas cadeiras do gabinete e escondem-se atrás de estudos duvidosos, de campanhas de marketing enganosas e explicações em plenários internos de militantes socialistas. Se a razão está do seu lado, se as medidas são inevitáveis, pois façam o favor de as expor perante os cidadãos lesados.

Estes senhores que (des)governam Portugal trabalham afincadamente para o beneficio dos interesses privados do grande capital, desconhecem as realidades no terreno porque isso pouco lhe importa. Só que este (des)governo que aposta em mais impostos e menos serviços, tem cada vez mais dificuldade em justificar as suas opções governativas que até ao momento apenas conseguiu retirar beneficios e sacrificar os mesmos de sempre. Enquanto se prejudicam as populações mais necessitadas com o encerramento de urgências e maternidades, emprenham-nos os ouvidos com obras faraónicas como OTA’s, e TGV’s sem que existam estudos imparciais que demonstrem a prioridade de tais empreendimentos. Enquanto se recusa um aumento de salário justo aos trabalhadores, ficamos a saber dos “cambalachos” existentes nas empresas públicas como é o exemplo da CP. Enquanto se penaliza o trabalhador por se reformar antes dos 65 anos, ficamos a saber que o Estado gastou mais de cinco milhões de euros em indemnizações a gestores públicos, que foram substituídos por simples  conveniência politica. Dos 150.000 novos postos de trabalho prometidos, dizem-nos as últimas estatísticas que existem em Portugal quase 460.000 desempregados e cerca de 70.000 trabalhadores imigrados.

O Eng.º Sócrates aproveitou inteligentemente o referendo à IVG para desviar as atenções das suas politicas penalizadoras para o cidadão comum e acalmar o descontentamento que se vive de norte a sul do país. Só que o referendo já passou e a contestação está aí de novo como o provam os protestos de Valença ou a CONCENTRAÇÃO NACIONALmarcada para Lisboa no dia 2 de Março pela Central Sindical CGTP-IN.

As populações e os trabalhadores terão que perceber que é nas suas mãos que está o poder de alterar esta política de interesses do capital, é com a sua luta e protesto que conseguirão obter mais direitos, mais justiça social e impedirão a consolidação das injustiças de que são vitimas pela politica de direita do PS.
Perante um governo de interesse capitalista como o PS tem demonstrado ser, aliás, à semelhança de todos os outros governos anteriores, nada nos será dado e tudo terá de ser conquistado, por isso, o caminho está na luta.

A LUTA CONTINUA!

texto publicado no blog intercom



publicado por vermelho vivo às 01:03
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Domingo, 18 de Fevereiro de 2007
Os Clash

O YOUTUBE além de ser um ”armazém” extraordinário é também um autêntico baú de recordações. Um destes dias, enquanto fazia por lá uma visita, recordei uma fase da juventude atravéz dos CLASH, não com nostalgia porque não tenho tendência para esse sentimento, os olhos e a mente olham sempre em frente, no entanto a memória guarda cuidadosamente o passado, pois esse passado é o percurso que nos trouxe até aqui e ao que somos no presente.
Decidi por isso abrir uma nova frente no blog postando de vez em quando e com recurso ao insubstituível YOUTUBE, algumas bandas e músicas que têm sido companheiras no meu percurso de vida, começando como é óbvio pelos CLASH que foram para mim uma espécie de banda de culto e a banda que me acompanhou durante alguns anos da tenra juventude, fase da vida em que as descobertas, as dúvidas e a irreverência se misturam e se envolvem na vivência quotidiana.

Deles comprei todos os discos (ainda em vinil!!!), li e vi tudo o que pude.

Ainda hoje (em que o culto aos Clash e a apologia da “punkaria” já se apagou à muitos anos), guardo religiosamente uma frase de Joe Strummer que inclusive dá título ao livro dos Clash: “O futuro não está escrito!”

Os CLASH formaram-se em Londres em 1976 por Joe Strummer (Joe Mellor de nome original), filho de um diplomata britânico, Mick Jones e Paul Simonon, ambos originários de Brixton, uma zona de constantes confrontos raciais e efervescência social, a estes juntou-se Terry Chimes na bateria.
Surgiram no auge do movimento punk onde já pontificavam com êxito os Sex Pistols, Ramones, Hot Rods ou Damned.  Apresentaram-se oficialmente em Sheffield em Junho de 1976 e lançaram o seu primeiro LP em Abril de 1977, The Clash, que continha pérolas como Remote Controle, White Riot ou London’s Burning, ao fim de 2 semanas, o LP alcançava o 12.º lugar na lista de vendas do Reino Unido com cerca de 100.000 cópias vendidas.

Entretanto Terry Chimes abandona a banda e para baterista entra Nicky Topper Headon. Foi com esta formação que gravaram mais 5 álbuns de originais, entre eles London Calling que viria a ser eleito em 1990 pela revista Rolling Stone como o melhor álbum dos anos 80. Já em 2005, o tema London Calling que dá titulo ao álbum, foi também eleito como a 8.ª melhor música de sempre numa votação da mesma revista.

Outros álbuns ficaram como referência. Sandinista, um triplo álbum envolto em polémica pela exigência da banda em que fosse comercializado ao preço de um só álbum contra a vontade da editora, os CLASH acabaram por pagar do seu bolso a ousadia, mantendo a coerência, aceitaram renunciar aos direitos de autor dos primeiros 200.000 discos vendidos, a CBS (editora dos Clash) que hipócritamente aceitou editá-lo, acabou por não promovê-lo e as vendas ficaram-se pelos 160.000 exemplares. Combat Rock, editado em 1982, foi o último álbum e talvez o mais maduro e mais bem conseguido, nele se encontra o hit talvez mais conhecido do público geral, Should i Stay or Should i Go. Para a história do rock ficaram músicas como, Complete control, London’s Burning, Tommy Gun, I Fought the Law, London Calling, Spanish Bombs, The Guns of Brixton, The magnificent Seven, Know Your Rights, Should i Stay or Should i Go, entre outros.
Mais tarde, em 1985 editaram ainda mais um álbum, Cut the Crap, mas da formação original já só existiam Joe Strummer e Paul Simonon.É nitidamente um álbum que o percurso dos Clash não merecia, a critica apelidou-o de “estilhaços dos Clash” penso que é uma boa definição.

Ao contrário de muitas outras bandas do universo “punk-rock” os CLASH eram uma banda bastante politizada, e tiveram um enorme contributo na consciencialização do "movimento punk”. Enquanto o punk anárquico e dominante na altura queria simplesmente destruir o status quo, os CLASH ofereciam uma outra visão e propunham uma nova ordem ao invés de simplesmente destruí-la. Adicionaram à agressividade da sua música uma mensagem de justiça social, anti-racismo, anti-violência gratuita, anti-droga, e combate ao estado de passividade evidenciado pela sociedade civil. Joe Strummer, afirmou sobre a droga: “Nunca piquei, e se alguém alguém ma oferece, corro com essa pessoa. Quem se relacione com drogas é um perfeito idiota. (...) Sempre odiei essa imagem da estrela de rock como um gajo cheio de pó...” A prova era dada pelas palavras e pelos actos, Nicky Topper Headon, o baterista, vê-se obrigado a abandonar os Clash em 1982 exactamente por se ter tornado um heroinómano.

Topper abusava de certas substâncias, entorpecendo o nosso caminho,” afirmaria mais tarde Joe Strummer.

Também no campo politico os CLASH sempre deixaram vincada sua posição, embora afirmassem que não eram de esquerda nem de direita e que apenas defendiam os direitos e liberdade individuais, a sua conotação era claramente de esquerda.
Em 1978 os CLASH participam no concerto "Anti Nazi League Carnival" organizado pela Liga Anti-Nazismo, Joe Strummer apareceu vestido com uma t’shirt nitidamente provocatória onde se lia “Brigate Rosse” e o emblema da facção Baader-Meinhof (Facção do Exército Vermelho) estampado no centro.
Em 1981, os CLASH estiveram em Portugal onde deram um espectáculo no pavilhão do Dramático de Cascais, Margaret Thatcher era chefe do governo britânico e decorria a greve de fome do deputado católico e nacionalista irlandês Bobby Sands, preso numa cadeia inglesa e que viria a morrer dias mais tarde. Nas suas primeiras declarações após a chegada a Portugal, os CLASH afirmavam: “Sentimo-nos envergonhados com o governo inglês. Não queremos que Bobby Sands morra. Falta muita humanidade ao governo inglês, é um governo fascista!”
O triplo álbum Sandinista é indiscutivelmente detentor de uma forte carga ideológica, homenageando a revolução sandinista na Nicarágua. Os CLASH assumem este compromisso ideológico não por simples devaneio intelectual de momento, mas numa atitude lúcida e coerente consigo próprios, tanto é assim que o disco é gravado depois de uma viagem-visita que os CLASH fizeram à Nicarágua após a revolução Sandinista. O guitarrista Mick Jones, afirmava: “Para muita gente era a primeira vez que ouviam falar da Nicarágua ou dos Sandinistas, muitas vezes nos perguntaram: o que é que isso quer dizer, Sandinista? (...) Essa revolução na Nicarágua arrebatava-nos, era a primeira vez que gente da nossa geração fazia uma revolução a valer, não uma de salão. (...) O título estava escolhido e continha um valor informativo, além disso a mensagem revolucionária passava no álbum repetidas vezes.” Joe Strummer foi ainda mais explicito, “Vamo-nos tornando mais politicos à medida que envelhecemos, e ao mesmo tempo, mais coerentes. A minha politica é definitivamente esquerdista sem que isso impeça a auto-determinação.”
Numa entrevista já em 1990, Mick Jones diz o seguinte: “O que eu digo é que os grupos rock devem ser avaliados pelo que dizem. A sua música também deve falar. Se a música não fala, então o que tem a fazer é calar-se. Um grupo deve atingir o seu público na profundidade e hoje há demasiados grupos que apenas deslizam à superficie das pessoas não deixando nenhuma marca tangivel nas suas vidas...”

Os CLASH cumpriram indiscutivelmente um papel de grande importância no movimento punk e deixaram um legado musical de enorme respeito.

Joe Strummer, figura carismático da banda, morreu de ataque cardiaco no dia 22 de Dezembro de 2002 com 50 anos.



publicado por vermelho vivo às 19:27
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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007
Sócrates, o aproveitador político do referendo

É importante que os comunistas, democratas e progressistas reponham a verdade e passem a mensagem que a vitória do SIM não é resultado do empenhamento de Sócrates na campanha ou fruto da iniciativa do PS, mas antes o resultado da luta das mulheres, suas organizações (o MDM por exemplo), do PCP e de outras personalidades que nas ruas, nas fábricas e à porta dos tribunais conseguiram ganhar a maioria do povo português para a necessidade de se acabar com a criminalização da IVG e com o aborto clandestino. Nenhuma conquista é dada pelo capital e seus governos, mas só pela luta de massas se conseguem atingir ganhos civilizacionais. A vitória do SIM é disso um notório exemplo.

Retirado do Blog "as vinhas da ira"



publicado por vermelho vivo às 22:41
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Portugal é último em bem-estar educativo

Acabados de sair de uma discussão sobre a IVG, as suas causas e as soluções a adoptar, é interessante este estudo divulgado pela UNICEF para refletir sobre o muito que há a fazer pela vida das crianças e jovens, não só em Portugal mas a nivel mundial, porque tal como sublinha a UNICEF, os níveis de bem-estar da criança não são inevitáveis, antes são condicionados por políticas.

É ilucidativo também a posição ocupada por paises como os EUA e Reino Unido que gastam diáriamente milhões de euros  na guerra do Iraque  e Afeganistão e são incapazes de proporcionar bem estar educativo às suas crianças e jovens.

Portugal é último em bem-estar educativo

Portugal ocupa o fim da tabela em matéria de bem-estar educativo mas está à frente da Áustria, Hungria, Estados Unidos e Reino Unido na classificação geral, revela um relatório da UNICEF

De acordo com o estudo sobre O bem-estar das crianças nos 21 países da OCDE, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Portugal surge ainda nos últimos lugares em matéria de bem-estar material das crianças.
Este é medido, nomeadamente, pela percentagem de crianças que vivem em lares com rendimentos inferiores em 50 por cento à média nacional mas também pela percentagem de crianças que declaram que têm menos de dez livros em casa (Portugal surge no fim deste gráfico), ou que têm na família um adulto desempregado.
Pior nesta dimensão do bem-estar material só os Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Hungria e Polónia (que ocupa a última posição).

Baseado neste critério, a pobreza infantil relativa mantém-se acima dos 15 por cento em Portugal, Espanha e Itália, e em três países anglófonos (EUA, Reino Unido e Irlanda).

Os seis critérios tidos em conta neste relatório sobre a felicidade das crianças são o bem-estar material, saúde e segurança, educação, relações com a família e com as outras crianças, comportamentos e riscos e bem-estar subjectivo.

Na classificação geral, que atende aos seis critérios do bem-estar da criança, o relatório da UNICEF situa Portugal no fim da tabela mas com desempenhos melhores do que a Áustria, Hungria, Estados Unidos e Reino Unido (este último no fim da tabela).
Os países europeus estão à frente da classificação geral para o bem-estar das crianças e são da Europa do Norte as nações que ocupam os quatro primeiros lugares do quadro de honra, com destaque para a Holanda e a Suécia classificadas.
A Bélgica e o Canadá lideram a tabela do bem-estar educativo das crianças, em que Portugal surge em último lugar.

A UNICEF nota, a propósito do bem-estar educativo, medido entre outros, por critérios de literacia e bom desempenho em matemática e ciências, que as crianças que saem da escola e não têm formação vocacional ou emprego «correm indubitavelmente maior risco de exclusão e marginalização», consequência que considera preocupante para os países do fundo da tabela.

«Não há relação directa entre o nível de bem-estar das crianças e o PIB por habitante», nota ainda o relatório da UNICEF. A República checa, por exemplo, «obtém uma melhor classificação geral do que vários países nitidamente mais ricos como a França, a Áustria, os Estados Unidos e o Reino Unido», salienta o relatório.
A comparação entre os países mostra que todos têm carências que precisam de colmatar em relação a alguns critérios. A Holanda é o país campeão na felicidade que proporciona às suas crianças, apesar de dar um nível de bem-estar que a UNICEC classifica de medíocre.
A Suécia, que lidera o bem-estar material, tem de fazer progressos para melhorar a relação das crianças com a família e as outras crianças, um factor de bem-estar no qual a Itália surge em primeiro lugar.
Este critério de convívio conta, nomeadamente, para a percentagem de crianças que vivem em famílias monoparentais ou para famílias reconstituídas, que declaram tomar a principal refeição do dia com os pais mais de uma vez por semana ou que os seus pais têm tempo de conversar com eles.

Os «níveis de bem-estar da criança não são inevitáveis, antes são condicionados por políticas», sublinha a UNICEF que quer fazer do seu relatório «um guia elementar e realista de melhoria possível para todos os países da OCDE».

artigo publicado em SOL online



publicado por vermelho vivo às 10:05
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
A força da razão

Os resultados do referendo sobre a despenalização da IVG deram razão aos que defendiam a discussão e votação em Assembleia da República sem recurso ao referendo, a maioria dos portugueses não se deslocou às urnas e colocou novamente a decisão nas mãos do governo e dos deputados.

No Referendo, o SIM saíu vitorioso e vários factores contribuiram decisivamente para tal desfecho.
Foi indiscutivelmente uma vitória da convicção e da persistência de uma causa sobre a inconsistência de argumentos de uma tese.

Nós, os defensores do SIM, assumimos uma luta genuína assente na convicção dos nossos ideais de justiça, liberdade e avanço civilizacional. Estavamos certos de que a luta se destinava a acabar com uma lei retrógrada que empurra as mulheres para a clandestinidade e para a morte, a acabar com humilhação das mulheres na praça pública, a acabar com a injustiça social que permite o privilégio dos mais ricos deslocarem-se ao estrangeiro praticar a IVG e com a marginalização de uma classe da sociedade que por falta de meios se vê obrigada a recorrer ao método mais acessível com enormes riscos de saúde, e acima de tudo para instaurar um valor de liberdade consagrando na lei o direito de opção e de decisão da mulher sobre o seu corpo e a sua vida. Em várias momentos se perguntou e com razão: se fossem os homens a engravidar esta lei existiria? Sou da opinião de que provavelmente não!

Entre vários outros factores, foi a consistência destas convicções que nos moveu, uns mais activamente outros menos mas todos conscientes da razão que sustentava a luta e batemo-nos com estes argumentos de princípio a fim sem desvios nem concessões.

Ao contrário, os defensores do NÃO foram demonstrando com o tempo a fragilidade das suas teses, começaram por defender o direito à vida do feto e denunciando como criminosos os defensores do SIM acusando-os de quererem liberalizar o aborto, passaram pelo argumento financeiro, defenderam o mesmo que o SIM em matéria de combate à causas que motivam o aborto, levantaram a bandeira da religião e da moral e acabaram pondo em causa a constitucionalidade da pergunta a referendar e a defender a despenalização da mulher sem apontar soluções para a clandestinidade e a viabilidade do argumento noutro quadro que não fosse o de votar SIM no referendo. Este titubear constante mostrou que além do esforço, os defensores do NÃO pouco tinham para oferecer em matéria de soluções.

Há quem atribua a Ricardo Araújo Pereira, dos Gato Fedorento a chave para a desmontagem dos argumentos do NÃO, penso que foi importante, mas não determinante, a inconsistência já começava a ser visivel quando Marcelo Rebelo de Sousa se aventurou a defender uma tese de que pelos vistos, nem ele era convicto, e se houve factor de realce, então esse factor foi sem dúvida o próprio paradoxo de MRS que motivou depois o humor dos Gato Fedorento. Ou então a participação activíssima na campanha de Bagão Félix que após ter sido recentemente pai de um código de trabalho que fragiliza claramente os trabalhadores na estabilidade do emprego e as mulheres nos seus direitos de maternidade no emprego, apareceu a defender leis que contrariavam completamente o seu código do trabalho. É óbvio que os seus argumentos não podiam ser levados a sério.

Pela parte do SIM, também a persistência da luta que o PCP vem travando desde há muitos anos sobre este tema e a dinâmica e determinação imposta na campanha foi um dos factores determinantes para a vitória, provam-no as votações nos círculos eleitorais de influência comunista, onde os votos no SIM “esmagaram” completamente os votos no NÃO.
O PCP foi um dos grandes obreiros, não de agora mas desde sempre para que esta batalha fosse finalmente ganha. Mesmo que para o PCP, esta tenha sido apenas uma das muitas batalhas que trava diáriamente para a construção de uma sociedade moderna, mais justa e mais livre.

Mas esta vitória não é de ninguém em particular, é uma vitória da liberdade e de todas as mulheres portuguesas, Elas sim, são as grandes vencedoras.

Finalmente, muitos defensores do NÃO tem agora a oportunidade de demonstrar a coerência das propostas apresentadas ao longo da campanha e juntar-se áqueles que defendem, não de hoje, mas desde à muitos anos, a implementação da educação sexual nas escolas; um ensino escolar de qualidade e acessível a todos; um planeamento familiar efectivo; uma segurança social que proteja efectivamente os mais desfavorecidos; menos precarização do emprego; salários mais dignos para os trabalhadores; leis que protejam a maternidade das mulheres no seu emprego.
Podem também juntar-se áqueles que protestam contra o encerramento das escolas, maternidades, urgências, centros e extensões de saúde, postos dos CTT, as taxas moderadoras nas urgências e o pagamento de portagens em scuts que não tem outra via rodoviária como alternativa aceitável.
Podem juntar-se ao protesto dos trabalhadores portugueses na manifestação nacional marcada pela CGTP-IN para o dia 2 de Março, demonstrando assim a activação no terreno da coerência das propostas.

Para mim e para muitos milhares de camaradas, esta sociedade pode e deve ser melhor do que aquela que nos querem impôr, por isso, esta batalha terminou, mas muitas outras decorrem e muitas outras nos esperam.

A LUTA CONTINUA!!!



publicado por vermelho vivo às 23:15
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
A ditadura do capital

O defesa central do Barcelona, Oleguer Presas Renom, viu o seu contrato de patrocínio da marca de equipamentos espanhola Kelme rescindido pelo simples facto de pensar pela sua cabeça, ter opinião e manifestá-la publicamente.

Oleguer, Catalão de nascimento, tem 27 anos e são sobejamente conhecidas as suas opiniões firmes sobre questões políticas e sociais, tal como o seu apoio ao nacionalismo catalão e as suas atitudes “anti-sistema”.

Iñaki de Juana Chaos é um basco preso desde 1987 por pertencer à organização de resistência armada pela independência Basca, ETA (Euskadi Ta Askatasuna; em português «Pátria Basca e Liberdade).

 

"Iñaki de Juana devia ter tido acesso à liberdade no dia 25 de Outubro de 2004, após de ter completado a sua pena de 18 anos na prisão. No entanto, o magistrado da Primeira Sala Penal da Audiência Nacional, Gómez Bermúdez, emitia um auto no dia 22 de Outubro no qual se pretendia impugnar os beneficios que tinha Iñaki [e que lhe davam direito a sair da prisão] para evitar a sua libertação. Perante a impossibilidade de manter essa justificação, o juiz ditou a prisão preventiva contra o preso basco por presumivel delito de pertença a organização armada e de ameaças terroristas. Os factos pelos quais se fez semelhante petição baseavam-se em dois artigos de opinião que o preso basco enviou ao jornal Gara. Seria impossivel encontrar nos ditos artigos base racional suficiente para sustentar semelhantes acusações.

Precisamente, no dia 14 de Junho de 2006, fez-se pública a sentença pela qual o juiz da Audiência Nacional espanhola Santiago Pedraz não dava razão à acusação. Considerava que nos artigos o preso mostrava o seu apoio ao Movimento de Libertação Nacional Basco - MLNB - o qual "não é equiparável à ETA". Acrescentava que "tal movimento não está qualificado como organização terrorista" pelo que considerava não provada a existência de um delito de ameaças.

Nesse momento, desencadeia-se uma campanha mediática contra a decisão do juiz. O titular do Ministério da Justiça, Juan Fernando López Aguilar, declarou: "construiremos novas imputações para evitar que sejam libertados!". O fiscal geral do Estado, Cándido Conde-Pumpido, assegurou que "continuariam a opor-se à sua libertação na medida do que seja legalmente possivel" e assim recorreram da decisão. Esta atmosfera impulsiona a Terceira Secção da Sala Penal da Audiência Nacional a rectificar a decisão do juiz Pedraz considerando que Iñaki de Juana fez "alarde e exaltação" da sua pertença à ETA nos artigos publicados, cujo conteúdo, segundo diz o auto, "revela claramente uma possivel ameaça terrorista" pelo que se faz uma nova petição de 96 anos de prisão.

(Excerto da petição de solidariedade e exigência de libertação de Iñaki de Juana)"

 

Iñaki de Juana foi condenado no início de Novembro de 2006 a mais 12 anos e sete meses de prisão por ter escrito os dois ditos artigos de opinião. Começou então em 7 de Novembro uma nova greve de fome pela sua libertação que já leva 96 dias.

Oleguer criticou na Sexta-feira o estado espanhol pelo tratamento dispensado a Iñaki de Juana, exprimiu a opinião de que o exemplo deste, servia para que se questionasse a independência entre poderes judicial e político e opinando que o De Juana deveria ser libertado por “motivos de saúde”.

A ditadura do capitalismo não se fez esperar. A marca Kelme imitiu um comunicado onde se lê o seguinte:

«Acreditamos na liberdade de pensamento e expressão, mas a relação do jogador com a Kelme baseava-se exclusivamente em critérios desportivos e tomámos a decisão de rescindir unilateralmente o contrato»

Como seria se não acreditassem na liberdade de pensamento e expressão e se o contrato não se baseasse em critérios exclusivamente desportivos?...

Assim se desenvolve subtilmente a ditadura do capital, para o capital, um patrocinado deve limitar-se a ser uma imagem, de preferência bem parecida, inóqua de pensamento e abstinente de opinião, abdicando assim dos seus direitos enquanto cidadão livre.

Em resposta a esta repressão inqualificável da Kelme, algumas organizações Catalãs e Bascas estão já a desenvolver uma campanha apelando ao boicote de todos produtos desta marca.



publicado por vermelho vivo às 00:38
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