"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sábado, 22 de Setembro de 2007
Entre o show-off e a realidade (II)

O show-off dos figurões continua sem pejos nem escrúpulos:

(os negritos e as cores são opção minha)

Concelhia de Braga do PCP condena operacão de propaganda do Governo civil:

A operação de propaganda encenada ontem pelo Governador Civil de Braga e um membro do Governo não pode passar sem a mais veemente crítica da Comissão Concelhia de Braga do PCP.

A estratégia de propaganda seguida pelo Governo do PS está friamente montada e tem sido implacável: nos últimos dias foi o rodízio de ministros e secretários de estado pela escolas do País, no início do ano escolar, para apregoar pretensos sucessos da política educativa que só o Governo vê e já antes não tivera pruridos em usar crianças para um spot televisivo.
Mas era de exigir que, pelo menos desta vez, tivesse a sensibilidade e o bom senso de não se “servir” de cidadãos idosos, isolados, dependentes e muito carenciados para os seus actos de propaganda e evitasse espectáculos degradantes e desumanos como foi este.

Não é de estranhar que a entrega de telemóveis (poucas dezenas para já) a pessoas com grandes carências de toda a ordem, seja por estas olhado como um “presente” (e as faça até esquecer a míngua das pensões, da rede pública de apoios aos idosos, etc.) mas é reprovável que um ministro de uma área de solidariedade social e outros responsáveis públicos não tenham tido a sensibilidade para não as “usarem” sem pudor e evitarem o que se passou. Carrinhas de bombeiros e de Casas do Povo ou autocarros (fretados provavelmente do mesmo modo como alguns presidentes de câmaras fizeram para levar os “seus reformados” a Lisboa para aplaudir a eleição do candidato do PS à Câmara) criaram, à entrada do Auditório, onde o acto de propaganda teve lugar, um cenário lamentável a lembrar mobilizações à moda antiga.

Idosos em situação de grande pobreza, com mobilidade difícil e saúde precária, trazidos a Braga para encher a sala, para aplaudirem e agradecer ao Governo PS, para dar o”boneco” que as imagens e as reportagens difundirão a comprovar as “preocupações sociais” da política deste Governo.

É a máquina de propaganda do PS e do Governo no seu pleno, a não olhar a meios para atingir os fins.

Ao exprimir a sua condenação à forma como este acto foi preparado, a Comissão Concelhia de Braga do PCP não tem dúvidas que se o objectivo fosse apenas o de entregar os telemóveis aos idosos do Distrito mais carenciados, era mais correcto e sério processar a sua entrega através das Juntas de Freguesia, que em actos simples e discretos fariam a sua distribuição. Mas o que ficou claro desta “operação”, foi que os Srs. Governador Civil de Braga e Ministro da Solidariedade Social pretenderam, não um acto político de solidariedade social, mas afinal um novo número propagandístico do Governo PS.

 

comunicado retirado do sitio da Organização Regional de Braga do PCP em:

http://www.braga.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=104&Itemid=1

 

The show must go on...



publicado por vermelho vivo às 15:27
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007
Tiques de autoritarismo (para não ir mais longe)

Hoje, Quinta-feira, vão ser ouvidos três dos quatro sindicalistas notificados pelo ministério público para prestar declarações sobre a sua participação na manifestação espontânea ocorrida no dia 7 de Outubro de 2006*, em Guimarães, frente ao CC Vila Flor aquando da visita de José Sócrates a esta cidade.

Nessa manifestação espontânea onde cada cidadão se representava apenas a si individualmente, protestava-se, e com razão, pelo facto de que o Vale do Ave estava, e está, cada vez mais pobre sem que o governo fizesse, e continua a não fazer, nada para inverter esta situação.

Nessa manifestação espontânea onde cada cidadão se representava apenas a si individualmente, protestava-se, e com razão, contra o aumento do desemprego e da precariedade laboral no Vale do Ave que conduzia, e continua a conduzir, ao desespero de muitas famílias.

O Sr. (Ou engº?) Sócrates que gosta de aparecer todo pomposo e sorridente nas fotos e imagens da comunicação social, não achou piada nenhuma ao facto de estarem ali uma centena de cidadãos a chamarem-no à atenção para a triste e lamentável realidade existente no Vale do Ave desmentindo a sua verdade virtual de que o país melhora a olhos vistos.
A única justificação para este acto intimidatório e atentatório às liberdades individuais, é a incapacidade destes figurões que nos governam de aceitarem o protesto e a razão  popular como uma atitude legítima em democracia e salvaguardada pela Constituição Portuguesa.
 

Conclusivo, é facto de estarem cerca de uma centena de pessoas no ajuntamento, e a retaliação recair - e não me digam é coincidência - sobre os sindicalistas presentes.

O governo PS/Sócrates, com os seus tiques autoritários e até pidescos, passando por cima do direito ao protesto público de qualquer cidadão,  procura aqui tentar calar aqueles que se lhe opõem, através da intimidação e do abuso de poder.

 

Vermelho Vivo, manifesta aqui publicamente a TOTAL SOLIDARIEDADE COM OS SINDICALISTAS NOTIFICADOS ABUSIVAMENTE PELO MINISTÉRIO PÚBLICO.
 

A LUTA CONTINUA!
 

A RAZÃO É MAIS FORTE QUE AS AMARRAS!

 

* Por lapso, tinha colocado: 10 de Outubro. Está feita a rectificação. A concentração aconteceu realmente no Sábado dia 7 de Outubro de 2006.



publicado por vermelho vivo às 00:43
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007
Entre o show-off e a realidade

O começo do ano lectivo escolar foi marcado por uma operação mediática governamental sem precedentes, quer a nível nacional ou internacional. Nada mais nada menos que 13 Secretários de Estado, 7 Ministros e ainda... o Primeiro-Ministro estiveram envolvidos no show-off com uma grande e indispensável cobertura dos média que se encarregaram de difundir e levar até aos portugueses a operação de propaganda.

Era vê-los todos sorridentes e triunfantes a entregar computadores a professores e a alunos, a elogiar as melhorias - só vistas por eles - decorrentes das medidas deste governo relativamente à educação, enfim... Graças a eles, a elevação dos padrões de qualidade na educação deste país são um facto consumado.

Mas uma coisa é o show mediático em que este governo é um expert, outra bem diferente é a realidade presente e decorrente das medidas deste governo.
 

A DECO, entidade insuspeita, revela um relatório que diz isto:

“Uma em cada três escolas tem placas de fibrocimento com amianto e cinco em quatro têm problemas de aquecimento e má qualidade do ar, conclui um estudo da Pro Teste, ontem divulgado. E sublinha: "as escolas são frias, húmidas, têm pouca iluminação e ar de má qualidade".

Os técnicos daquela revista da Deco entraram em 40 salas de 20 escolas do 1. º ao 3.º ciclos e 80% chumbaram ao nível do aquecimento e da da qualidade do ar. Verificaram, ainda, existirem problemas de construção e conservação dos edifícios, "mas o mais grave, dizem, foi perceber a presença de amianto em sete dos 20 estabelecimentos...”
"Tudo isto, depois de a Assembleia da República ter recomendado, em 2003, o inventário dos edifícios públicos com amianto e a substituição deste material que pode libertar fibras cancerígenas", protesta a associação de consumidores.

A EB1 Elias Garcia tem amianto e é a segunda pior classificada em termos de desconforto térmico, isto apesar de ser recente. "Foi construída em 1997 e todos os anos temos rupturas nas canalizações. A construção é má e não foram utilizados materiais de qualidade porque a adjudicação é feita segundo o orçamento mais baixo. Tivemos que comprar os aquecedores e as contas de electricidade são elevadíssimas", diz José Santos, presidente do conselho executivo.

"Alunos e professores sentem-se desconfortáveis em 16 das 20 escolas estudadas, devido ao excesso de humidade do ar e às baixas temperaturas, ambos decorrentes de problemas nos edifícios", escrevem os técnicos da revista da Deco, depois de verificarem as condições dos imóveis no Inverno.

"Detectámos temperaturas baixas em muitas escolas, problemas de humidade e quase todas as amostras estavam contaminadas com bactérias acima das referências legais, tanto em edifícios antigos, como recentes", diz Fátima Ramos, da Pro Teste.

Encontraram microrganismos, dióxidos de carbono e fungos, o que "aumenta o risco de alergias e problemas respiratórios". E chamam a atenção para a necessidade de haver uma melhor ventilação dos espaços que concentram crianças, um grupo etário mais sensível a contrair doenças respiratórias.

A EB da Lousada, no Porto, construída em 1981, registou o grau mais elevado de insatisfação, 78%, o que foi confirmado pelas baixas temperaturas e grau de humidade registadas. A escola tem 971 alunos que, no Inverno, suportam temperaturas de 8º graus e, quando chega o Verão, atingem os 38 graus. "Os meninos e os professores queixam-se muito do frio, porque não temos aquecimento. A escola está muito degradada e superlotada", lamenta Celeste Freitas, vice-presidente do executivo, acrescentando que não têm meios para custear o aquecimento.”

 

Mais um exemplo noticiado pelo “Portugal Diário”:

Na escola Filipa de Lencastre, em Lisboa, a cantina foi fechada pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). Há salas com buracos no tecto, por onde chove, janelas partidas, o quadro eléctrico não é seguro e o pátio está impróprio.
 

Mas não fiquemos por aqui!

Aqui bem perto, em Famalicão, a escola básica de Santa Ana, frequentada por 320 alunos, foi encerrada esta terça-feira, num protesto dos pais contra a falta de funcionários, onde acusam a DREN de «incompetência». Em declarações à imprensa, o presidente da Associação de Pais, justifica o protesto: a escola tem três funcionários no quadro, dos quais dois encontram-se de baixa, um por doença prolongada, o que deixa as crianças sem qualquer vigilância, dado que a única auxiliar de educação apenas começa a trabalhar às 10h30.
Há várias crianças, que chegam antes das 8h00, que ficam à porta da escola numa das artérias mais movimentadas de Ribeirão, o que é um perigo.
Os pais acusam a DREN de «indiferença e inoperância» face ao problema, frisando que o organismo estatal foi avisado há meses do problema.
Por seu lado, o vereador da Câmara de Famalicão, Leonel Rocha, revelou que apesar de discordar com o método usado pelos pais para o protesto, compreende as suas razões.
Disse também que «as autoridades escolares foram avisadas há meses sobre o problema, em reunião realizada no Conselho Municipal de Educação».
  

Mas continuemos com uma notícia da TVI:

A indignação marcou também o início do ano escolar na Escola Básica de Cruzes, em Felgueiras. 17 alunos do primeiro ano, não viram constituída uma turma para e vão ser espalhados pelas restantes classes.
Das 41 crianças que entram no primeiro ano, só 24 é que tiveram direito à constituição de uma turma. As outras 17 vão ter aulas em conjunto com os colegas dos 2º, 3º e 4º anos.
Os pais temem pela qualidade do ensino e não aceitam que 17 crianças sejam espalhadas pelas turmas dos outros anos, em vez terem aulas numa turma só para elas. Segundo informação da TVI o Conselho Directivo da Escola pediu à direcção Regional de Educação do Norte (DREN) a formação de mais uma turma, mas que a proposta foi rejeitada.
Ainda segundo a TVI, a DREN não quis dar qualquer explicação para o caso, afirmando que a Directora estava ocupada com o início do ano escolar.
Até ao momento ninguém se mostrou disponível para esclarecer a decisão.
 

Outro caso noticiado:

Os pais de 21 alunos de uma turma do 4º ano da Escola Primária Serra da Estrela, em Nelas, recusaram-se hoje a deixar os seus filhos numa escola provisória, que dizem "não reunir condições de segurança".
Acompanhados pelos pais, permaneceram junto aos muros do estabelecimento "em gesto de protesto", em vez de seguirem para o cine-teatro de Nelas, onde foram adaptadas duas salas que acolheriam provisoriamente duas turmas — uma de 14 e outra de 21 alunos.

"Toda esta situação revela incapacidade ou incompetência na gestão dos recursos escolares", acusou Fernando Garcia, pai de outro aluno.

Enfim...podiamos continuar por ai fora.

 

Isto para dizer (e argumentar com os factos indesmentiveis acima mencionados) o seguinte:

A realidade, é que após medidas e mais medidas adoptadas pelo Ministério da Educação, o ensino em Portugal não só não apresenta resultados positivos como está hoje mais degradado e em pior estado do que estava anteriormente.

Este governo PS/Sócrates, que faz da governação de portugal um espectáculo de marketing e show-off, e que ocupou o seu tempo a propagandear a oferta de computadores, devia preocupar-se mais com os verdadeiros problemas que afligem o país, os pais, os professores e os alunos e menos com, a necessidade de ocultar a sua incompetência e o descalabro do desmantelamento do ensino público (tal como de todos os outros serviços públicos de apoio ao cidadão).

 

Termino citando um excerto do artigo de opinião semanal de Honório Novo no JN do dia 17 deste mês:

«O que ninguém viu foi Sócrates e Lurdes Rodrigues a entregar computadores e a abrir o ano lectivo em escolas inseridas em áreas e bairros problemáticos, com edifícios cinzentos de humidade e apoios miseráveis para alunos cuja origem social só por milagre lhes permite almejar a tão falada igualdade de oportunidades?

 

O que ninguém ouviu foi Lurdes Rodrigues explicar porque é que este ano mudou as regras do mais recente concurso de professores, exactamente no dia em que a lista das colocações foi afixada!

 

O que ninguém ouviu foi Sócrates explicar a "nova teoria pedagógica" que exulta com o aumento do número de alunos e a diminuição do número de professores!



publicado por vermelho vivo às 23:32
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Domingo, 16 de Setembro de 2007
Solidariedade

O post que hoje escreveria, será substituido pela solidariedade com a posição do camarada Aristides, do Blogue do Castelo, referente à cobertura (inexistente) da Revista Visão sobre a Festa do Avante.

Aqui fica o link:

 

Não deve ser fácil tomar uma decisão tão radical. Parabéns!

Mas acrescento: É desta massa que são feitos os homens convictos, antes quebrar que torcer!



publicado por vermelho vivo às 23:35
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
O Caminho das Aves

"Este romance é uma homenagem a todos os homens e mulheres que lutaram contra o fascismo – aos que essa a luta dedicaram as suas vidas e, em muitos casos, as perderam; aos que, vencidos num momento pela brutalidade pidesca, retomaram a luta; aos que, ainda esporadicamente, juntaram a sua a outras vozes no combate à ditadura.

Constituiria um exercício inútil procurar identificar qualquer dos personagens deste romance com qualquer personagem real. No entanto, o Autor sentir-se-á gratificado se os lutadores antifascistas que o lerem nele puderem rever-se através da memória."

José Casanova

 

 

O romance O caminho das Aves, de José Casanova, descreve-nos através de uma escrita simples mas ilucidativa e profunda, o duro caminho percorrido por milhares de portugueses que, convictos do seu ideal de liberdade e solidariedade correram todos os riscos e se entregaram à luta corajosamente de forma apaixonada e alegre.

 

“... A greve foi em cheio, parou tudo, até o comércio, só ficou uma mercearia aberta, a guarda prendeu quatro camaradas, a população cercou o posto e libertou-os e prendeu os guardas, a malta cortou os fios do telefone e a aldeia foi nossa durante 2 dias, até houve quem começasse a planear a distribuição de terras – acrescenta Pires. Depois os gajos vieram em força e começaram a prender toda a gente que apanhavam, levaram mais de duzentas pessoas, a malta entrava para os carros prisionais a gritar viva a liberdade, abaixo o fascismo... Andam por aí muitos camaradas fugidos.
Faz uma pausa e acrescenta: A gente aqui viu um bocadinho do futuro, Francisco, e é bonito.
Informa Pires: Em Montemor houve uma concentração em frente à Câmara e o Vacas chamou a guarda e mandou disparar, mataram um trabalhador, o funeral é amanhã.
Quem é o Vacas?
É o presidente da Câmara.
Rui explica-lhe agora, o plano que tem para essa madrugada:
Vamos fazer inscrições nas paredes, para os gajos verem que, por muitos que prendam, há sempre quem continue a luta... Despede-se dos amigos, está o sol a nascer, e parte na direcção de Montemor. ...
... Os camaradas estão ali – prossegue a rapariga, apontando para o centro da vila – O funeral vem de Vendas Novas  acompanhadopor dez jipes da guarda.
Vamos andando para o cemitério – diz alguém. Num muro comprido, caiado de branco, lê-se: «Morte aos assassinos de José Adelino Santos.»
Junto ao cemitério estão agora mais de mil pessoas, é uma multidão compacta, em profundo silêncio. Chegam os primeiros jipes, logo atrás vem o carro funerário, depois mais jipes. Um cordão de guardas barra o acesso ao cemitério. Ninguém pode entrar – grita um graduado. A multidão de homens e mulheres avança em silêncio, as mulheres à frente. Ninguém pode entrar – repete o capitão em tom de ameaça. A multidão continua a avançar, mulheres e homens, de rostos fechados, em silêncio, rompem o cordão e entram no cemitério. ...”

 

...À sua frente está agora o polícia da voz vinda de longe. Tem nos lábios um sorriso escarninho.
Acende um cigarro e, lentamente, aproxima a ponta acesa do rosto do preso que recua um passo e cai. O polícia puxa uma fumaça, debruça-se e atira-lhe o fumo para os olhos.
Tenta desesperadamente trazer à memória os rostos dos amigos...
O polícia repete a operação, desta vez virando a ponta acesa do cigarro na direcção do peito nu do preso. A voz do polícia está agora muito perto: Tens apenas duas hipóteses, rapaz, ou falas, ou sofres, ou falas, ou morres.
Pelos olhos de Francisco passa um brilho vivo e, sem se aperceber, sorri.
De súbito, os mesmos dois polícias erguem-no e imobilizam-no. No mesmo instante, sente no peito, uma dor lancinante, como se uma agulha grossa lhe entrasse no corpo e, lá dentro se fragmentasse em milhares de finíssimas lâminas, que lhe dilaceram os músculos, que lhe rasgam a carne e lhe sacodem o corpo em tremores compulsivos. Solta um urro monstruoso, liberta-se do braço e atira-se ao polícia, uma cabeçada a que o outro se furta facilmente...”

Excerto de O Caminho das Aves


O romance O caminho das Aves, é um extraordinário documento sobre a luta que conduziu ao derrube do regime fascista e que nos permite hoje viver em liberdade, mas é também, e acima de tudo, um hino ao valor da amizade e da camaradagem e à solidariedade e fraternidade indissossiáveis destes valores.

 

“Magro, pálido, com um ar sofredor, contudo mantendo o habitual sorriso fraterno: é Mário, acabado de sair da prisão. As cicatrizes nos pulsos, que ele não esconde, atraem a atenção de Francisco. Fui cobarde, estive quase a falar, valeu-me, no último momento, ter-me lembrado dos amigos.
Francisco prende-lhe os braços, numa carícia leve passa as mãos pelos pulsos do amigo.
O outro prossegue: Não seria capaz de voltar a falar-te se tivesse traído... Mas fui cobarde... Francisco abana a cabeça, enquanto o outro continua: Apesar disso, toda a gente me tratou como se fosse um heroi. E foste. Tu não sabes. Sei que preferiste morrer a trair os teus amigos.
Foi um momento de fraqueza, de vacilação.
De coragem, de grande coragem.
Dizes isso porque és meu amigo.
Porque sou teu amigo, digo-te sempre o que penso.”

 

“...Vieste despedir-te de mim, aposto.
E não só – diz Francisco, apontando para o embrulho – trouxe-te uma prenda.
Posso abrir – pergunta o rapaz.
Sem esperar pela resposta, chega a chama do isqueiro ao cordel, rasga o papel que encvolve a prenda: é a fotografia do Che, corpo inteiro, boina na cabeça, mochila às costas, uma espingarda nas mãos; em baixo uma frase extraída de um dos seus discursos: «Toda a nação é um grito de guerra contra o imperialismo e um clamor pela unidade dos povos contra o maior inimigo do género humano: o imperialismo americano.»
Com os olhos muito brilhantes obriga Francisco a levantar-se, dá-lhe um abraço prolongado e sufocante, depois, abanando a cabeça e limpando os olhos, murmura: Só tu, tu és único – e, perante a ironia que vê nos olhos de Francisco, acrescenta: O Vasco tem razão, és único. Ele também é, e tu.
Quando regressares, possivelmente... Não me encontrarás – diz Francisco, em voz baixa.
...Na manhã seguinte, na obra, Eloi entregar-lhe-á uma carta de pedro: «Meu querido amigo Francisco, meu muito querido amigo, escrevo-te momentos após a tua saída de minha casa e a poucos minutos da minha partida. A ideia de que, quando regressar, não te encontrarei, esmaga-me de tristeza e alegria. Um dia, não sei quando, encontrar-nos-emos. Numa qualquer divisão da nossa casa grande da amizade. Até lá, guardarei o poster do Che e tentarei seguir o seu exemplo de coragem, de coerência, de dignidade.»”

Excerto de O Caminho das Aves

 

A amizade é um sentimento tão forte e tão belo que ultrapassa qualquer definição que dela possamos querer fazer.

Tal como nos diz, e prova, o autor várias vezes ao longo do romance, A AMIZADE É TUDO!

 

São estes valores de amizade e camaradagem, em simultâneo com uma força inquebrantável dos ideais de liberdade, justiça, igualdade que percorrem todo o romance de uma forma convicta e contagiante não nos permitindo ficar indiferentes ao desenrolar dos acontecimentos. Antes, e não poucas vezes, apetece-nos encarnar nos personagens e sermos nós a ocupar os seus lugares. E sem que disso demos por ela, estamos a viver intensamente as alegrias, a luta e as revoltas do Francisco, do Eugénio, do Vasco, do Albano, da Marta...

São estes valores de amizade e camaradagem, estes ideais de luta por uma sociedade e um mundo melhor que, hoje como ontem, são o caminho para alcançar uma sociedade mais justa e mais fraterna.

O Autor, José Casanova, escreveu que: “...o Autor sentir-se-á gratificado se os lutadores antifascistas que o lerem nele puderem rever-se através da memória.”

Não estando eu entre os citados, não tenho dúvidas que tal aconteceu. Que aqueles que travaram a luta de resistência contra o fascismo, não só se reviram como se sentiram homenageados ao ler o livro.

O Caminho das Aves é também uma grande lição de humanismo e de como a riqueza maior é efectivamente a amizade e a certeza dos ideais assumidos.

Um romance extraordinário, bonito, profundo. Talvez o melhor romance que li nos últimos anos.

Lamentavelmente, li-o apenas 5 anos depois da sua edição. Considero-o IMPERDÍVEL para quem ainda não o leu.

 

Uma nota ao autor: Só é possivel a alguém escrever uma obra tão bela e transmitir um sentimento tão forte, comungando profundamente os valores e ideais contidos no romance.
Como tal, atrevo-me a dizer que este livro foi escrito mais com o enorme coração do José Casanova que com a mão do romancista.



publicado por vermelho vivo às 23:51
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
Uns e outros...

A curiosidade provocada pelo comentário da Magnolia (a quem agradeço a dica) sobre a reportagem de Miguel Esteves Cardoso no Avante, na Revista Sábado, levou-me a ler a revista e a referida reportagem.

Não resisti a não publicar alguns excertos desse texto aqui. E publico-os pela simples razão de que após tantos disparates que tenho lido, estas também são as palavras e a visão de um não-comunista. Sendo que nesta condição não pode ser acusado de Juiz em causa própria.

Aqui vai (os negritos são da minha autoria):

 
“Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante!. Estas são as mais populares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.
Já é a Segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.
O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei? ...

 
...As festas do Avante, por muito que custe aos anti-comunistas reconhecê-lo, são magníficas.
É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça... Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo... Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história... E talvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje não haveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas " que lhe devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão. ...

 
... Mas não é só por isso que a Festa do Avante faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não só sabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazem o que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até o show off é minimo e saudável.
Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático.
Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira e dissessem e fizessem as mesmas coisas - paciência. Dava-nos jeito que estivessem eufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo - mas não estão. Estão é fartos do capitalismo - e um bocadinho zangados. ...

 
...Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias. ...

 
...A Festa do Avante é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada ao ponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar a grandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representando o país inteiro e os PALOP, é dificil não pensar numa versão democrática da Exposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E de salazarismo, claro.
Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festa do PCP fosse partidária, sectária e ideológicamente estrangeirada. Na verdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista. ...

 
... As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo e substituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tanta gente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa está tão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças - atentos mas invisiveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar uma mosca. ...

 
...Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar a impressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque de sineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras. Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas, consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro.
Nem vale a pena indagar acerca da marca do shampô.
Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos de borla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do avante enche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes.
E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar como gostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles” militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festa de finalistas. ...

 
...É uma sólida tradição dizer que temos de aprender com os comunistas... Infelizmente é impossível. Ser-se comunista é uma coisa inteira e não se pode estar a partir aos bocados. A força dos comunistas não é o sonho nem a saudade: é o dia-a dia; é o trabalho; é o ir fazendo; e resistindo, nas festas como nas lutas. ...

 
...A verdade é que se sente a consciência de que as coisas, por muito más que estejam, poderiam estar piores. Se não fossem os comunistas: eles.
Há um contentamento que é próprio dos resistentes. Dos que existem apesar de a maioria os considerar ultrapassados, anacrónicos, extintos. Há um prazer na teimosia; em ser como se é. Para mais, a embirração dos comunistas, comparada com as dos outros partidos, é clássica e imbatível: a pobreza. De Portugal e de metade do mundo, num Portugal e num mundo onde uns poucos têm muito mais do que alguma vez poderiam precisar. ...

 
...Resistir é já vencer. A Festa do Avante é uma vitória anualmente renovada e ampliada dessa resistência. ... Verdade se diga, já não é sem dificuldade que resisto. Quando se despe um preconceito, o que é que se veste em vez dele? Resta-me apenas a independência de espirito para exprimir a única reacção inteligente a mais uma Festa do Avante: dar os parabéns a quem a fez e mais outros a quem lá esteve. Isto é, no caso pouco provável de não serem as mesmíssimas pessoas.
Parabéns! E, para mais, pouquíssimo contrariado.”

 

NOTA FINAL: Esta reportagem de Miguel Esteves Cardoso, é uma grande bofetada aos muitos escribas da imprensa submetidos à vontade do capital e a muitos outros supostos jornalistas incapazes de despir o preconceito anti-comunista primário enquando escrevem o que devia ser informação isenta e imparcial.



publicado por vermelho vivo às 23:50
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
31.ª Festa do Avante

É isto que doi a muitos dos escrivãos da comunicação social.

 

Tal como diz a JCP:

SOMOS  MUITOS,  MUITOS  MIL,  PARA  LUTAR  E  CONTINUAR  ABRIL!

 

 

 

 

Um dos grandes momentos de alegria para mim. O regresso dos Peste & Sida à Festa.

UM GRANDE CONCERTO!!!

 

 

Pois... também tenho direito a aparecer no boneco.

 

 

E nem o nosso Vitória foi esquecido...

 

 

Infelizmente, ainda falta um ano para a próxima Festa!



publicado por vermelho vivo às 23:56
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
Jornalistas e jornaleiros

O director do Jornal Avante, José Casanova, na sua intervenção durante o comício de encerramento da Festa do Avante disse sobre os ataques de alguma imprensa à esta Festa: “...são as sistemáticas, persistentes e inqualificáveis campanhas da comunicação social dominante, propriedade do grande capital. Este ano, em vários casos, o que escreveram sobre a Festa podia ter sido escrito antes mesmo de a Festa se realizar...”

 
Ontem, enquanto dava uma olhadela às noticias do fim-de-semana, fiquei pasmado com esta fantástica crónica de Francisco Almeida Leite no DN de 09-09-2007 :

 

"O PC colombiano limpou todas e quaisquer referências à revista Resistência, órgão oficial das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), do seu stand na Festa do Avante!. No espaço reservado àquele que é considerado o braço político das FARC está exposta a revista Europa por la Solidariedad y la Paz en Colombia, para além de vários cartazes claramente alusivos ao momento que atravessa aquele país latino-americano: "Campanha contra o paramilitarismo na Colômbia" ou "Terrorismo de Estado nunca mais".

Ao DN, um elemento que se encontrava no stand virou a cara às fotografias e adiantou ser de nacionalidade espanhola e não colombiana. Mas sobre a ligação entre o PC colombiano e as FARC não teve dúvidas em responder: "São duas organizações distintas". O mesmo elemento, que não se quis identificar e que envergava uma t-shirt do PC colombiano, não quis responder à pergunta sobre se considerava ou não as FARC uma organização terrorista. O alegado espanhol não está "autorizado a falar", segundo explicou.

A poucos metros dali, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, comia descansadamente com a família e, quando abordado pelo DN, sobre o mesmo tema, remeteu explicações para o gabinete de imprensa. O deputado comunista garantiu, no entanto, que ainda não tinha bebido café colombiano, a principal tarefa que o PC colombiano parece ter vindo desempenhar este ano à Festa do Avante!..."

 

Este isento profissional da comunicação social, ao invés de ir fazer a cobertura da festa, investiu-se do papel de Sherlock Holmes e foi à procura do “crime” que só ele esperava. O PCP desde sempre anunciou e assumiu a vinda do PCC como convidado do PCP, à festa do Avante. Mas para este isento profissional, o grande facto foi a ausência de quem não estava anunciado e como tal, também não se esperava a presença. No seu papel de detective, conseguiu ainda, fazer a interessante descoberta de que todo o material da revista Resistência, que nunca esteve previsto estar na presente, foi limpo da festa e que o elemento presente no stand colombiano era espanhol (perante uma fonte com a credibilidade demonstrada nesta crónica, nada nos faz duvidar de tal realidade. Para além disso, facilmente se conclui que não era colombiano pois estes falam o idioma “colombianês”)

Nota à parte: Pessoalmente sou totalmente solidário com a luta revolucionária das FARC (tenho inclusive um link do seu site neste blog) e veria com grande satisfação não só a presença da revista Resistência, como de uma delegação das próprias FARC na Festa.

 

Adiante:

 

"...O ambiente ontem na Quinta da Atalaia, no Seixal, era de festa. Uma festa com muita música, regada a muito álcool e com várias drogas a serem consumidas aos olhos de todos - charros, erva e até ácido, com a ajuda do respectivo papel prata..."

 

Este isento profissional da comunicação social ainda descobriu mais: Descobriu que a Festa do Avante é afinal, um antro de alcóol e droga.

Não viu dezenas e dezenas de milhar de pessoas, jovens e menos jovens confraternizando saudavelmente.

Não viu o ambiente de alegria e entusiasmo que envolvia o recinto.

Não percebeu que a Quinta da Atalaia é um espaço de liberdade e fraternidade único. Como dizia Zeca Afonso: “Uma cidade sem muros nem ameias”.

Não se apercebeu que a festa comportava milhares e milhares de jovens que se revêem nos valores de solidariedade, amizade e luta do PCP.

Não viu a enorme oferta gastronómica presente na festa.

Não viu o grande espectáculo de musica clássica apresentado no palco 25 de Abril presenciado por largas dezenas de milhar de pessoas.

Não viu a enorme oferta cultural com vários espectáculos desde o teatro, música, até à pintura, e a ciência que decorriam em simultâneo na festa.

Não viu a capacidade única em Portugal de através da militância e do querer dos comunistas portugueses ser possivel levantar aquele que é indiscutivelmente o maior evento político cultural deste país.

Mas... Não lhe escapou tudo.

Viu uns “gajos” a beber e a fumar umas ganzas sem que alguém os pusesse no olho da  rua imediatamente.

E pergunto eu: Este senhor já alguma vez foi a um festival Rock?!!!

Provavelmente, NÃO. Se fosse, sairia completamente arrasado.

 

E nova descoberta!

 

"...Mais perto dos livros e das palestras, o secretário-geral do PCP, que abrira a festa com um discurso na véspera, voltou à Atalaia. Levou a família e esteve na esplanada do espaço central, trajando de verde..."

 

EUREKA!!! Descobriu o importante facto de que o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, não vai à festa só para fazer os discursos, e que afinal, também lá vai, e até leva a família, para confraternizar com os milhares de participantes presentes. Com a referência ao pormenor importantissimo da cor da roupa usada. Provavelmente não conseguiu identificar a marca, pois também seria um pormenor digno de notícia. (Também é assim nas revistas cor-de-rosa. Onde está o espanto?)

 

Continuemos:

 

"SARAMAGO SÓ VAI HOJE - Escritor sentiu-se indisposto e ficou em Espanha. Chega hoje à zona dos livros da festa.

Na zona dos livros, onde há palestras, venda e consulta de muitas obras, esperava-se ontem a presença de José Saramago. Mas o prémio Nobel acabou por faltar, alegadamente por se ter sentido indisposto, tendo adiado por um dia a sua comparência. Os seus livros, contudo, estavam à venda, com destaque para "Intermitências de Morte", por 10,08 euros e "As pequenas memórias", por 7,56 euros. De resto, destaque para a quase totalidade da obra de e sobre Álvaro Cunhal, a vários preços e para todas as bolsas..."
 

No espaço da feira do livro, estavam expostos e à venda milhares de livros dos mais diversos escritores. Livros politicos, romances, policiais, juvenis, infantis, enfim, uma oferta enorme e para todos os gostos e bolsos. Neste espaço foram apresentados vários livros com a presença dos próprios autores, realizaram-se sessões de autógrafos, lançamentos de livros, realizaram-se debates sobre algumas obras, por lá passaram vários autores e criticos literários. No sábado à tarde, enquanto lá estive, o espaço estava cheio com centenas de pessoas.

Mas este isento profissional da comunicação social não viu nada disto.

E o que é que ele viu?

O que não estava lá!!!

O grande facto para ele, e motivo de notícia, foi nem mais nem menos que a ausência do escritor José Saramago. Por doença, refira-se!

 

Para finalizar a sua crónica, uma frase lapidar:

 

"...Uma festa cada vez menos proletária, onde abundam os telemóveis, câmaras digitais e de filmar..."

 

Pois... Afinal os proletários deviam ser todos uns coitadinhos e nem sequer deviam ter direito a estas coisas. Onde é que já se viu os simples trabalhadores também terem direito ao mesmo que, entre outros, este senhor?

 

Quando acabei de ler isto, dei uma enorme gargalhada e disse:

O PCP ESTÁ BEM VIVO!  E ESTA GENTE ROI-SE TODA COM ISSO!

 

Do JN, tirei ainda esta pérola:

 

"...No interior do recinto, davam-se, por essa altura, os últimos retoques antes da abertura de portas, o que aconteceu cerca das 18 horas, já com tudo a postos para ouvir o discurso do secretário-geral comunista. Um intervenção a quem muitos dos presentes não assistiram, já que, ao contrário de anos anteriores, não decorreu no palco principal, onde à mesma hora tocava uma orquestra sinfónica..."

Helga Costa, In JN de 08-09-2007

 

Será que escreveu sobre a mesma festa onde eu estive???

Uma orquestra sinfónica tocava à mesma hora no palco principal???  Onde?

Bastava a esta senhora, consultar o programa da Festa para saber que os espectáculos no palco principal só começaram às 22.00 horas!!!

Nota-se à distância que esta senhora, sabe do que fala. Tal como sabe fazer direitinho o trabalho de casa.

Nas aberturas da Festa a que assisti, e foram algumas, nunca esta aconteceu no palco principal. Mas pelos vistos, e segundo esta senhora, este ano aconteceu uma inovação neste aspecto!

Só que, aberturas no palco principal... Como dizia alguém: Só contaram p'rá você!!! 

 

Enfim, é o jornalismo e a comunicação social que temos!



publicado por vermelho vivo às 23:58
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007
Até à Atalaia

E agora, até para a semana.

Logo de manhãzinha, o rumo é a Quinta da Atalaia e a participação no maior evento político-cultural que se realiza neste país, A FESTA DO AVANTE!

Para outros é apenas um, até amanhã camaradas.



publicado por vermelho vivo às 01:39
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A LER

O PCP/TAIPAS BLOG denuncia o alheamento da junta de Freguesia relativo a um esgoto a céu aberto existente na Vila das Taipas.

Pelos vistos, neste caso já não interessa o incómodo dos habitantes Taipenses.

Veja AQUI:



publicado por vermelho vivo às 01:33
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