"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sábado, 7 de Abril de 2007
Somos realmente únicos!!! (V)

Este artigo foi publicado no Site da UEFA no seu MAGAZINE.

A chama não se apaga

Quinta-feira, 5 de abril de 2007

por Vítor Santos

A paixão dos adeptos do Vitória de Guimarães ultrapassa tudo o que se julgava possível, sobretudo após a queda do clube minhoto no segundo escalão do futebol português. Na noite de sexta-feira, 30 de Março, por ocasião da visita do Leixões ao Estádio D. Afonso Henriques, as bancadas encheram-se com 24,853 espectadores, registo recorde em partidas da II Liga. O anterior máximo na competição também pertencia ao Vitória e fora consumado duas semanas antes, na recepção ao Gil Vicente, com mais de 20,000 espectadores nos degraus do anfiteatro vimaranense. Um caso raro de amor, sem paralelo em Portugal fora do universo dos três gigantes, FC Porto, Benfica e Sporting.

Meira sempre presente
Se pensarmos que, ao contrário dos três maiores clubes portugueses, o Vitória não tem, propriamente, implantação nacional, a adesão dos seguidores do emblema de Afonso Henriques torna-se ainda mais notável. E ninguém perde a oportunidade de assistir às partidas, independentemente do escalão ou do nome do adversário. Nem mesmo os adeptos... especiais. Fernando Meira, internacional português que representa o VfB Stuttgart, nasceu para o futebol no berço da nacionalidade e não hesita em deslocar-se, propositadamente, da Alemanha para ver o Vitória jogar. Já aconteceu, esta época, chegar ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, em Pedras Rubras, e rumar imediatamente ao estádio. “Sempre que consigo conjugar com as minhas visitas a Portugal, assisto às partidas, seja fora ou em casa”, contou Meira ao uefa.com.

Amor à causa
O defesa-central entende que, independentemente da prova que estiver a disputar, o Vitória será sempre um emblema especial, essencialmente em razão da força da sua massa associativa. “Quando toca a apoiar a equipa, não há divisões nos adeptos, como por vezes acontece nos grandes clubes”, explica o internacional português. Antes de rumar ao Benfica, Fernando Meira envergou a braçadeira de capitão do Vitória e, posteriormente, também capitaneou as "águias". “Ter sido capitão no Vitória representa a concretização de um sonho de menino e, sinceramente, não senti uma pressão maior quando repeti a experiência no Benfica. Aqueles adeptos obrigam-nos a dar tudo, pois também eles dão tudo por nós nas bancadas”, completa.

Até morrer...
De facto, as demonstrações de afecto sucedem-se até nos maus momentos. Na época passada, no dia em que se consumou a despromoção à II Liga, o ambiente vivido no estádio era arrepiante. Disputava-se a derradeira jornada e o Vitória precisava de um milagre, que não aconteceu. Após o final do jogo com o Estrela da Amadora e depois de alguns segundos de silêncio sepulcral, enxugaram-se as lágrimas e os mais de 20,000 seguidores presentes no palco do EURO 2004 encheram os pulmões e gritaram, bem alto e durante vários minutos, “Vitória até morrer”. No dia seguinte, quando tudo apontava para um afundamento psíquico das massas, deram entrada nos serviços administrativos novas propostas de sócio. Hoje, o clube possui 24,403 associados nos seus registos. Entre eles, Pedro Mendes, médio do Portsmouth FC.

Pedro Mendes e a paixão à inglesa
Natural de Guimarães, Pedro Mendes evoluiu na formação do Vitória, impôs-se na equipa principal e saiu para o FC Porto, tocando o céu da Europa com a conquista da edição 2003/04 da UEFA Champions League. Na temporada seguinte, encetou uma aventura no futebol inglês, onde permanece desde o Verão de 2004. O médio encontra semelhanças entre a cultura típica do adepto britânico e o “microclima” de Guimarães: “É uma cidade relativamente pequena, onde as pessoas, ao contrário do que acontece na generalidade do nosso país, não têm um segundo clube. Tal como em Inglaterra, existe um enorme sentimento de pertença. O clube está acima de tudo, mesmo do futebol, pois a pessoas mobilizam-se em todas as modalidades”, explicou Pedro Mendes ao uefa.com. Mesmo à distância, o médio não perde de vista o quotidiano do Vitória.

Recuperação segundo Cajuda
Fernando Meira e Pedro Mendes admitem o desejo de um dia voltarem a vestir a camisola branca do Fundador. É evidente que no actual contexto seria impossível, até porque o clube atravessa o pior momento desportivo dos últimos 50 anos, mergulhado na II Liga. No entanto, depois de um arranque aos soluços, em que andou sempre distante dos primeiros lugares, a equipa embalou para níveis que permitem continuar a sonhar e, envolvida por uma corrente branca proveniente das bancadas, ocupa o terceiro posto, a três pontos das vagas de acesso à Liga portuguesa, quando faltam disputar sete jornadas. A recuperação dificilmente pode ser dissociada da chegada de Manuel Cajuda ao comandando técnico. Em Dezembro, o treinador trocou o Egipto por Guimarães e rendeu Norton de Matos, deparando-se com um complicado quadro de divórcio entre equipa e massa associativa. Mas, ao contrário dos analistas, recusou-se a acreditar que a pressão dos sócios poderia ser o principal inimigo dos jogadores.

Portas abertas
“Não é crível que uma massa associativa destas pudesse ser encarada como o adversário número um. Abri as portas dos treinos e a equipa enfrentou as críticas, pois os jogadores estavam a dar tudo, não havia razões para se esconderem da maior jóia do clube. No fundo, alguém tinha de ceder e nós caminhámos na direcção dos sócios”, disse o experiente treinador, que, recentemente, se vinculou ao Vitória por mais uma época. Num momento particularmente conturbado, o clube viveu, ainda, um processo eleitoral. No início do mês passado, Emílio Macedo sucedeu a Vítor Magalhães na cadeira da presidência e as coisas têm corrido bem. Mas, para uma colectividade desta dimensão, não chega manter os sócios motivados. É imperioso regressar ao patamar mais elevado do futebol português e cimentar um projecto europeu.

Visão europeia
Na temporada 2005/06, o Vitória alcançou a fase de grupos da Taça UEFA. Curiosamente, acabaria despromovido no final da época. O novo presidente entende que o lugar do Vitória deve ser “entre os cinco primeiros classificados da Liga portuguesa”. O dirigente partilha a fé dos adeptos e acredita que, no final da época, haverá motivos para o champanhe imperar em Guimarães. “Não nos passa pela cabeça não subir este ano. É perfeitamente possível e temos de acreditar até ao fim”. Mas Emílio Macedo quer mais: “Uma vez no primeiro escalão, vamos trabalhar para o regresso às competições europeias. A grandeza da instituição não nos permite pensar de outra forma. O Vitória é um clube de dimensão europeia", assinala.

Sempre a crescer
Há, contudo, uma certeza. Avaliando os cordões humanos, as enchentes no estádio e a alegria das cinco centenas de jovens que despontam nos escalões de formação, percebe-se que, esteja onde estiver, é impossível extinguir a chama da onda branca - o Vitória nunca caminhará sozinho.

É com orgulho que visto branco...



publicado por vermelho vivo às 15:27
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