"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sexta-feira, 1 de Junho de 2007
O que eu vi na greve geral

Quem acompanhou de perto a preparação da greve e os piquetes de greve na jornada de luta de ontem, confirmou todas as preocupações relativas à sociedade em que vivemos.

A precariedade e insegurança em que vivem os trabalhadores portugueses, assim como as formas de coacção exercidas pela classe patronal com o patrocínio e apoio das leis implementadas pelos últimos governos do PSD e do PS, são revoltantes e não podem deixar ninguém indiferente.

Está-se a criar uma sociedade dominada pelo medo e condicionada pela necessidade de sobrevivência.

Numa das empresas em que solidáriamente estive com o piquete de greve, um administrador deu-se ao trabalho de ser o próprio a abrir o portão da fábrica às 5.30 horas. A partir desta hora não mais abandonou o lugar de plantão em frente à entrada, mesmo a chuva que caía abundantemente não demoveu o homem que de guarda-chuva na mão, se manteve ininterruptamente até às 8.30 horas da manhã. A partir daqui, tudo o resto é facil de compreender. Perante este facto e estando com contrato a prazo, alguns temiam a retaliação no final do mesmo, também devido às dificuldades económicas e compromissos em que se encontravam, alguns trabalhadores confessaram não estarem em condições de perder um dia que fosse de ordenado, muitos trabalhadores viram-se assim coagidos a não fazer greve. Uma ideia colhia unanimidade entre os trabalhadores, esta greve é justa, e lamentavam o facto de não estar em condições de participar.

Numa outra empresa vimaranense onde também estive bastante tempo, a administração da empresa colocou holofotes na entrada da empresa que iluminavam toda a área de entrada, requisitou uma patrulha da GNR que se manteve toda a noite do outro lado da estrada. Isto após ter chamado uns dias antes os dirigentes sindicais da empresa avisando-os de que à menor instabilidade instauraria processos disciplinares aos funcionários da empresa participantes ou accionaria criminalmente quem não estivesse ligado à empresa.
Também aqui muitos trabalhadores no seu contacto com o piquete de greve manifestavam a sua solidariedade às causa da greve mas lamentavam a coacção a que estavam sujeitos e que os impedia de aderirem à greve devido à condição precária em que se encontravam na empresa, acrescentando outros que se fizessem greve, além da perda do dia de ordenado, lhe seriam cortados ilegalmente os prémios de assiduidade que só poderiam reaver recorrendo para o tribunal. Neste caso a empresa poderia retaliar sobre eles e poderiam perder o emprego.

 

Estes serão apenas 2 exemplos dos milhares de casos de coação e medo que percorreram este país no dia da greve geral.

 

É grave a situação de liberdade em que se encontram os trabalhadores portugueses.

 

Mesmo perante condições dificeis, sublinhe-se o sucesso da greve não só no sector público mas também no sector privado. Vejam-se alguns exemplos, CTT em Lisboa (85% de adesão à greve), call centers da TMN e da Optimus (1º turno com quase 100%), Autoeuropa (60%), Portucel de Setúbal (90%), Euroresinas em Sines (100%), Tudor/VFX (90%), Lisnave e Gestnave (100%), Groz/Beckert, empresa metalúrgica de Gaia (62,5%), Danone (73,33%), EDP em Lisboa (75%) e em Setúbal (70%), Blaukpunt em Braga (80% no turno da noite, 70% no turno do dia), Thyssen em Setúbal (85,71%), Petrogal/Matosinhos (100%), Lear em Palmela (76,67%), Unicer em Matosinhos (83%), Fisipe no Barreiro (97,14%), Cimianto em Vila Franca de Xira (80%), Auto-Sueco na Maia (98%), Rohde em Aveiro (96%), Estaleiros de Viana do Castelo (100%), Rotor/Nissan nos Montes Burgos, Porto (100%), Continente de Gaia (50% no turno das 8 horas da manhã), Refrige em Palmela (85%), Socometal do grupo Soares da Costa no Porto (91%), etc.

 

Conclusões:

1 - Quem apenas registou os números percentuais da greve e quem de dentro dos gabinetes comentou essas mesmas percentagens, simplesmente não sabe do que fala!

2 - Esta foi efectivamente uma grande jornada de luta e uma enorme prova de insatisfação dos trabalhadores portugueses.

3 - As condições de precariedade e coacção encontradas em muitas empresas abalam a consciência de qualquer cidadão que honestamente defenda os direitos, garantias e liberdades individuais.

 

Por isso, A LUTA CONTINUA!!!

Hoje com mais razões e preocupações do que ontem.

 

Recuso-me a intransigentemente a pactuar com este modelo de sociedade onde impera o medo e a coacção originados e alicerçados na precariedade do emprego, no desemprego e na falta de condições dignas de vida.

 

A LUTA CONTINUA!!!



publicado por vermelho vivo às 10:41
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