"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Terça-feira, 12 de Junho de 2007
O Campo da Morte Lenta

Em 1926, a maré reaccionária que alastrava na Europa chegou a Portugal. A 28 de Maio um golpe de Estado militar instaura a ditadura. Começou, para o povo português, um período negro de repressão, obscurantismo, miséria e opressão, que se prolongou por quase meio século.

 

O golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 fez Portugal um país sob ocupação militar e policial, num regime de opressão, repressão e exploração - a que chamaram «Estado Novo» e que encontrou em Salazar o seu mentor.Salazar tomou como modelo as ditaduras fascistas de Mussolini e de Hitler. Foi incondicional aliado de Franco na Guerra Civil espanhola (1936-39) para a instauração da ditadura em Espanha. Apoiou as ditaduras nazi-fascistas de Hitler e Mussolini, na II Guerra Mundial, até à sua derrota militar.

 

 

A mais brutal expressão da violência repressiva da ditadura, nesta época, foi a abertura do Campo de Concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde, a milhares de quilómetros de Portugal.

O campo do Tarrafal, foi inaugurado em Outubro de 1936. Foi inspirado nos campos de concentração nazis, que Hitler nessa altura começava a montar na Alemanha e depois estendeu, como campos de extermínio, por todos os países ocupados pelo exército nazi.

No Tarrafal não havia câmaras de gás, como nos campos de concentração nazis, mas os presos eram submetidos a um regime de morte lenta - por isso ficou conhecido como o «Campo da Morte Lenta». Os maus tratos e a má alimentação, as doenças sem tratamento e o clima, numa das mais insalubres regiões de Cabo Verde, mataram 32 dos portugueses que para lá foram deportados.

Nas primeiras levas de prisioneiros enviados para o Tarrafal encontravam-se muitos dos participantes nas greves do 18 de Janeiro de 1934 e da revolta dos marinheiros de Setembro de 1936, na sua grande maioria comunistas, mas também outros antifascistas, sindicalistas e anarquistas. Entre os presos políticos enviados para o Tarrafal encontrava-se o Secretário-Geral do PCP, Bento Gonçalves, onde viria a ser assassinado.
 

No dia 31 de Janeiro de 1953, Francisco Miguel, o último preso político português no Tarrafal, é transferido  para a cadeia do Forte de Caxias.
 

Em 26 de Janeiro de 1954, é encerrado o Campo de Concentração do Tarrafal.
 

Em 1962, O Campo de Concentração do Tarrafal foi reaberto, desta vez destinado aos patriotas dos movimentos de libertação das colónias portuguesas.

 

No cemitério do Tarrafal ficaram os corpos de 32 dos prisioneiros que ali morreram vítimas dos maus tratos sofridos. Só depois do 25 de Abril de 1974, foi possível trazer de regresso os seus corpos para terra portuguesa.

 

Cemitério do Campo do Tarrafal

 

Tarrafal – trasladação dos corpos, dos presos políticos portugueses, mortos no Campo do Tarrafal, em Fevereiro de 1978, com a presença de Francisco Miguel antigo preso do Campo e as autoridades de Cabo Verde, militares e povo.

 

Lisboa – Velório quando da trasladação dos mortos em Fev. 1978, com a presença da Direcção do PCP

 

Lisboa – Velório quando da trasladação dos mortos em Fev. 1978, com os antigos presos sobreviventes do Campo do Tarrafal

 

Em 1978, numa grande homenagem nacional, promovida pelos sobreviventes do Tarrafal, e na qual participaram dezenas de milhar de pessoas, os corpos dos prisioneiros que ali morreram foram transladados para um Mausoléu Memorial no cemitério do Alto de S. João, erigido por subscrição pública e no qual estão inscritos os nomes daqueles que o fascismo salazarista matou no Campo de Concentração do Tarrafal.

 

Lisboa – Funeral da trasladação dos mortos em Fev. 1978, da SNBA para o Memorial no Cemitério do Alto de S.João

 

Textos e imagens retirados do site do PCP. 70 anos - Tarrafal «Campo da Morte Lenta» - Nunca mais! Abril Sempre!



publicado por vermelho vivo às 23:06
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