"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
Palestina sob as botas americana e israelita

Os EUA prometem levantar o embargo à Palestina, que dura há 15 meses, mal tome posse um Governo sem participação do Hamas.

O anúncio, feito em Jerusalém por um enviado norte-americano, corresponderá à estratégia que Bush e Olmert discutirão na visita de 3 dias que este último começou ontem aos EUA.

 

Esclareçamos então o seguinte:
 

No dia 25 de Janeiro de 2006, dos cerca 1.300.000 Palestinos registados nos cadernos eleitorais, 1.042.524 foram às urnas votar para eleger o seu governo e 132 parlamentares.
 

Os resultados foram os seguintes:

Change and Reforms (Hamas) - 440,409 votos / 44.45%.

Fatah Movement - 410,554 votos / 41.43%

Martyr Bu Ail Mustafa - 42,101 votos / 4.25%

The Alternative - 28,973 votos / 2.92%

Independent Palestine - 26,909 votos / 2.72%

The third Way - 23,862 votos / 2.41%

Freedom and Social Justice - 7,127 votos / 0.72%

Freedom and Independence - 4,398 votos / 0.44%

Martyr Abu al-Abbas - 3,011 votos / 0.30%

The National Coalition for Justice and Democracy (Wa'ad) - 1,806 votos / 0.18%

The Palestinian Justice - 1,723 votos / 0.17%

 

Desta votação resultou um parlamento composto:

Change and Reform (Hamas) - 74 parlamentares

Fatah Movement - 45 parlamentares

Martyr Abu Ali Mustafa - 3 parlamentares

The Third Way - 2 parlamentares

The Alternative - 2 parlamentares

Independent Palestine - 2 parlamentares

Independents - 4 parlamentares

 

As conclusões dos observadores internacionais foram:

Há dez anos que os palestinos não votavam para o conselho legislativo, tendo sido governados, de juri, desde essa altura, pelo movimento Fatah, cujo líder e fundador foi o desaparecido Yasser Arafat. Esta quarta-feira voltaram às urnas e romperam com o satus quo. O movimento Fatah foi ultrapassado pelo movimento islâmico de resistência armada, ou Hamas, re-baptizado para estas eleições como Mudança e Reforma. Um novo nome para o movimento que grande parte da comunidade internacional classifica há muito como grupo terrorista.

Eleições livres e justas.

Os cerca de 860 observadores internacionais presentes nas eleições legislativas - o maior grupo de observadores é proveniente da UE, seguido do grupo norte-americano do The Carter - Center/National Democratic Institute - concluíram o mesmo:

Estas eleições, apesar de todos os constrangimentos, foram globalmente livres e justas. As pequenas escaramuças que se registaram e os obstáculos à mobilidade impostos por Israel, acabaram por não pôr em causa a normalidade democrática em que o escrutínio decorreu. A delegação de observadores da UE afirmou mesmo que estas eleições foram um sucesso e deveriam constituir um modelo para a região árabe.

Numa declaração pública, o The Carter - Center/NDI - evidenciou o orgulho e entusiasmo evidentes dos palestinos em relação a estas eleições, que foram reforçados pela performance profissional e imparcial dos funcionários eleitorais. A elevada participação nestas eleições, assim como nas presidenciais de 2005, revela, para aquelas instituições, o envolvimento cada vez maior dos palestinos nas eleições democráticas. Cabe agora aos líderes e representantes eleitos, construir instituições e processos genuinamente democráticos, que tragam a paz e a prosperidade que o povo palestino merece, no seio de um Estado livre e independente, concluem aquele observadores.

 

N.B. - Resultados e conclusões recolhidos no site insuspeito do IEEI - Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais.

 

Mas a única democracia que os americanos conhecem é aquela em que podem pôr a sua bota e impôr as suas vontades e interesses.

 

Após a vitória eleitoral, o Hamas integrou-se na estrutura política existente. Durante mais de um ano promoveu um cessar fogo unilateral em relação a Israel incluíndo os ataques suicidas contra os Israelitas.

Por seu lado, a Fatah, com o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas à cabeça e  com a rectaguarda de Israel e dos EUA, tudo fez para provocar o caos nos territórios ocupados para enfraquecer e derrubar o poder eleito democráticamente pelo povo.

 

Entre os actos de sabotagem ao governo legítimo da Palestina contam-se:

- Em 7 de Junho, o jornal Haaretz relatou que "altos responsáveis do Fatah na Faixa de Gaza pediram a Israel que lhes permitisse receber grandes carregamentos de armas e munições de países árabes, incluindo o Egipto".

- Num memorando confidencial escrito em Maio e publicado esta semana por The Guardian, o enviado superior das Nações Unidas, Alvaro de Soto, confirmou que foi sob a pressão dos EUA que Abbas recusou ao Hamas o convite inicial para constituir um "governo de unidade nacional". De Soto pormenoriza que os conselheiros de Abbas ajudaram activamente a cortar a ajuda de Israel-EUA-União Europeia e o cerco dos palestinos sob ocupação, o que conduziu a um aumento maciço da pobreza para milhões de pessoas. Estes conselheiros empenharam-se junto aos Estados Unidos numa trama para "provocar a morte prematura do governo [Autoridade Palestina] liderado pelo Hamas", escreveu De Soto.

- A Fatah recusou-se a colocar as suas milícias sob o controle do ministro do Interior que, frustrado, acabou por demitir-se.

- Entre as milicias da Fatah encontra-se a "Força de Segurança Preventiva" liderada em Gaza pelo senhor da guerra Mohammad Dahlan, um aliado próximo de Israel e dos Estados Unidos.
 

Informações recolhidas em “resistir.info

 

É ilucidativa esta descrição do status quo do governo palestino:

Palavras do ministro da Informação, Yussef Rizqa:

“Adoptamos cada vez mais medidas de protecção devido às ameaças israelitas. As nossas vidas correm perigo, mas isso é o que acontece com todos os palestinos desde o começo da ocupação.

Muitos ministros não podem trabalhar nos seus gabinetes porque têm medo de ser alvo de um ataque com mísseis”.

Acrescente-se que, os membros do governo evitam usar telemóvel, por medo de serem localizados, comunicam por fax e mantêm reuniões em lugares secretos, escolhidos em cima da hora e longe das câmaras de televisão. A necessidade de medidas de segurança faz ainda com que ministros e deputados tenham de dormir cada noite num local diferente e mudem constantemente de carro e de hábitos pessoais.

À meses, a detenção de 64 ministros, deputados e autarcas do Hamas na Cisjordânia, levada a cabo por Israel, decapitou um terço do governo do Hamas e reduziu a já de si escassa margem de manobra do Executivo.

O professor Mjaimar Abu Sada, da universidade Al-Azhar, de Gaza, declarou que o governo palestiniano está "paralisado há meses", porque desde que tomou posse, os seus ministros de Gaza e da Cisjordânia nunca puderam reunir-se no mesmo local.

 

É repugnante esta ingerência americana / israelita que tem como consequência o agravar do conflito, mortes, e o massacre de um povo quer fisicamente quer na sua dignidade.

 

Perante os factos enunciados, compreenda-se que ao contrário do que muito boa gente tem tentado fazer passar de que o Hamas é um grupo terrorista e está a actuar da única forma que sabe, ou seja com as armas, inviabilizando assim a oportunidade de um plano de paz. O que acontece é que o Hamas teve necessidade de utilizar as armas para repôr a livre vontade do povo Palestino que os elegeu democráticamente para governar o seu estado.

E se existem verdadeiros culpados, eles são os EUA e Israel que impedem por todos os meios, inclusive os mais sujos, a auto determinação do povo palestino.

O anúncio, feito em Jerusalém pelo enviado norte-americano, é a prova mais que evidente da bota americana em todo este processo palestino.

 

Bandeira da Plestina copiada de Momentos&Documentos



publicado por vermelho vivo às 00:26
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3 comentários:
De Ludovicus Rex a 18 de Junho de 2007 às 23:03
Temo que a situação se agrave.
Um artigo bem ilucidativo

Boa semana


De Aristides a 19 de Junho de 2007 às 11:30
A democracia tem esta particularidade: só é boa qundo ganham os que os EUA querem. Lembram-se do que aconteceu na Argélia aí há cerca de 5 anos?
Pois é!
Um abraço camarada


De Aristides a 19 de Junho de 2007 às 11:32
Não foi há 5 mas sim há uns 15 anos.


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