"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007
Outubro Vermelho

Assinalando também neste blog as comemorações do 90º Aniversário da Revolução de Outubro, os “post’s” desta semana, insidirão sobre este tema. Começarei com a cronologia dos passos mais importantes do mês de Outubro de 1917 que conduziram ao triunfo Bolchevique.

 

Nota importante: em 1917, a Rússia utilizava ainda o calendário juliano, só adoptando o calendário gregoriano, actualmente em vigor, em 1918. Significa isto que, hoje, dia 5 de Novembro no actual calendário gregoriano, representava em 1917 na Rússia, o dia 23 de Outubro.

 

A 10 de Outubro, depois de três meses de clandestinidade, Lénine regressa a Petrogrado. Nessa mesma noite realiza-se uma reunião do Comité Central do Partido Bolchevique. Uma única questão estava em discussão: se o Partido manteria a orientação de uma insurreição num futuro próximo.

O Comité Central do POSDR, apenas com dois votos contra (Kámenev e Zinóviev) aprova uma resolução sobre a insurreição armada:

O CC considera que tanto a situação internacional da revolução russa (a insurreição na esquadra da Alemanha, como manifestação extrema do desenvolvimento em toda a Europa da Revolução Socialista mundial, depois a ameaça da paz entre os imperialistas com o objectivo de estrangular a revolução na Rússia) como a situação militar (decisão indubitável da burguesia russa e de Kérenski e C.ª de entregar Petrogrado aos alemães) e a obtenção pelo partido proletário da maioria nos sovietes - tudo isto em ligação com a insurreição camponesa e com a viragem da confiança do povo para o nosso partido (eleições em Moscovo) e, finalmente, a evidente preparação de uma segunda kornilovada (retirada de tropas de Petrogrado, transporte de cossacos para Petrogrado, cerco de Minsk pelos cossacos, etc.) - tudo isto coloca na ordem do dia a insurreição armada.

Considerando deste modo que a insurreição armada é inevitável e amadureceu completamente, o CC propõe a todas as organizações do partido que se guiem por isto e discutam e resolvam segundo este ponto de vista todas as questões práticas (Congresso dos Sovietes da Região Norte, retirada de tropas de Petrogrado, acções em Moscovo e Minsk, etc.)

Na mesma reunião foi formado um Bureau Político para a direcção da insurreição, encabeçado por Lénine.

 

A 11 de Outubro reuniu o Congresso dos Sovietes de Deputados Operários e Soldados da Região Norte, convocado por iniciativa do POSDR. Aos delegados bolcheviques a este Congresso dirigira Lénine uma carta com "Conselhos de um Ausente", onde sublinhava que no momento presente a palavra de ordem "Todo o Poder aos Sovietes!" significava a insurreição armada e desenvolvia de forma breve as regras mais importante da "arte" da insurreição.

Os relatórios das diferentes regiões confirmavam as conclusões de Lénine sobre a disposição das massas para a insurreição armada. O Congresso aprovou uma resolução que destacava que "só a passagem imediata de todo o Poder para os órgãos da revolução - os sovietes de deputados operários, soldados e camponeses, tanto a nível central como local pode salvar o povo."

 

A 12 de Outubro, o Comité Executivo do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Petrogrado decide criar o Comité Militar Revolucionário (CMR), que é constituído a 20 de Outubro.

 

A 14 de Outubro, é eleito o Comité Executivo do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Moscovo exclusivamente constituído por bolcheviques. Multiplicam-se as resoluções dos Sovietes de diferentes regiões no sentido da pasagem de todo o poder para os Sovietes.

 

A 16 de Outubro, o CC do POSDR decide da criação do Centro Militar Revolucionário, encarregado de dirigir a insurreição armada, constituído por Búbnov, Dzerjínski, Sverdlov, Stáline e Urítski.

 

A 18 de Outubro, Zinóviev e Kámenev, dão expressão pública ao seu desacordo com a decisão do CC e a decisão da acção imediata.

 

A 21 de Outubro, uma assembleia de representantes dos comités de regimento da guarnição aprovou uma resolução de total apoio ao Comité Militar Revolucionário.

 

Para 22 de Outubro estava marcada uma manifestação de cossacos, considerada pela contra-revolução como uma revista das suas forças. O enorme trabalho de agitação dos bolcheviques junto dos cossacos anulam a provocação orquestrada pelo Governo Provisório.

 

A 22 de Outubro, grandiosos comícios assinalam o "Dia do Soviete de Petrogrado" mostrando a força real dos bolcheviques.

 

Entre 22 e 23 de Outubro, uma conferência dos guardas vermelhos de Petrogrado aprova os seus Estatutos, cujo primeiro ponto afirmava: " A Guarda Vermelha operária é a organização das forças armadas do proletariado para o combate à contra-revolução e a defesa das conquistas da revolução". O Soviete tomou nas suas mãos a organização e direcção política da Guarda Vermelha. As unidades militares da guarnição de Petrogrado decidiam apoiar o Soviete de Petrogrado, uma após outra.

O governo tentava reunir forças para lutar contra a revolução ascendente. A 19 ordena a tomada imediata de medidas para prender Lénine. Ordena a transferência de unidades da guarnição de Petrogrado para a frente. Patrulhas de alunos das escolas militares ocupam os pontos mais importantes da Cidade.

 

Às 10.00 da manhã de 24 de Outubro, um destacamento do CMR dirige-se à Sede do Jornal Rabótchi Put. Começa a luta armada. O CMR envia a instrução nº 1 às unidades militares da guarnição (150 000 homens) e à guarda vermelha (200.000 homens) colocando-as em estado de alerta.

Às 13.00 horas, Kérenski, toma a palavra numa sessão do Pré-Parlamento, afirmando a intenção de liquidar a insurreição em Petrogrado, e dá ordens, como comandante supremo, para que as tropas se coloquem em prontidão de combate. É dada ordem para encerrar os telefones do Soviete e levantar as pontes da Cidade, a fim de isolar o centro da cidade dos bairros operários.

Os guardas-vermelhos frustam a tentativa de levantar as pontes.

Às 17.00 o telégrafo central é ocupado pelos bolcheviques.

Mas ainda existem vacilações nos bolcheviques. O Presidente do Soviete de Petrogrado afirma que a prisão do Governo Provisório não estava na ordem do dia.

 

Ao fim da tarde de 24 de Outubro Lénine escreve uma "Carta aos membros do Comité Central ", onde sublinha que "Não se pode esperar! Pode-se perder tudo!" e dirige-se, disfarçado, ao Smólni (Sede do Soviete), assumindo a direcção da insurreição armada.

 

À 1.25 da madrugada de 25 de Outubro é ocupada a estação central de correios.

Às 2.00 é ocupada a Estação Nikolaevski e é cortada a luz das Sedes do Governo.

Às 6.00 a Sede Central do Banco de Estado é ocupada, bem como a sede dos principais jornais.

Às 7.00 a maioria dos telefones do Governo são desligados.

Às 8.00 a Estação Varsóvia fica sob o controlo do CMR.

Na manhã de 25 de Outubro, quase toda a Cidade de Petrogrado estava já nas mãos dos insurrectos, com excepção das zona dos Palácio e Isaaakievskaia.

Às 10.00 da manhã, Lénine escreve o apelo "Aos Cidadãos da Rússia", que anunciava a passagem do poder de Estado para o órgão do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Petrogrado, o Comité Militar Revolucionário.

Á mesma hora, Kérenski, sob o débil pretexto de ir receber as tropas fiéis, foge da capital.

Ao meio dia é cercado o Palácio onde estava instalado o Conselho Provisório da República.

Às 14.35 realiza-se um sessão extraordinária do Soviete de Petrogrado. Lénine usa da palavra pela primeira vez desde Julho: "A revolução operária e camponesa, de cuja necessidade os bolcheviques sempre falaram, foi realizada!"

Às 18.00 o Palácio de Inverno estava inteiramente cercado.

Às 22.40 começa o II Congresso dos Sovietes de Deputados Operários e Soldados de Toda a Rússia. No ínicio dos trabalhos estavam presentes 649 delegados, dos quais 390 bolcheviques. Os mencheviques e socialistas-revolucionários de direita abandonaram ostensivamente o Congresso.

Enquanto decorriam os trabalhos, o Palácio de Inverno foi tomado de assalto. O Governo Provisório, com excepção do fugido Kérenski, é preso.

 

Às 5 horas da manhã do dia 26 de Outubro, o II Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia recebe o poder de Estado do Comité Militar Revolucionário, e proclama a passagem de todo o Poder no país para os Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses.

Às 21.00 de dia 26 é aprovado o Decreto sobre a Paz, pelo qual o poder operário-camponês afirmava a sua resolução de assinar imediatamente uma paz sem anexações nem indeminizações.

 

Às 2 horas da manhã de 27 de Outubro é aprovado o Decreto sobre a Terra, que abolia a propriedade privada sobre a Terra.

O Congresso formou um governo operário-camponês - o Conselho dos Comissários do Povo.

Os socialistas-revolucionários de esquerda, que no Congresso apoiaram os bolcheviques, recusaram-se a participar no Governo. Lénine é eleito presidente do Conselho de Comissários do Povo.

 

A 30 de Outubro, numa mensagem a todos os cidadãos da Rússia , Lénine informa das conquistas da revolução operária-camponesa, que em 2 dias apenas dera resposta às principais reivindicações populares, e da determinação de derrotar a natural reacção das antigas classes dominantes.

 

Pela segunda vez na história, ergue-se um Estado em que o poder estás nas mãos das classes não exploradoras.

 

E surge, pela primeira vez na história, um Estado Socialista.

 

Com o apoio de: sitio da ORL



publicado por vermelho vivo às 00:23
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2 comentários:
De gr-gr a 5 de Novembro de 2007 às 23:05
Passei para informar que o camarada Sérgio Ribeiro (economista), está na RTP1 - Prós e Contras.
GR


De gr-gr a 5 de Novembro de 2007 às 23:11
Vamos fazer um debate sobre esta matéria, ainda este mês, com a leitura dos teus textos é uma grande ajuda.
Parabéns!

GR


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