"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sábado, 10 de Novembro de 2007
Primeiros decretos da Revolução de Outubro

Ao evocar e comemorar a Revolução de Outubro, é inevitável e significativo mencionar os primeiros decretos após o triunfo da revolução. Significativos porque identificam claramente a natureza da insurreição, o seu carácter de paz e a sua matriz prufundamente revolucionária e proletária.

 

DECRETO SOBRE A PAZ

(Extractos)

O governo operário e camponês, criado pela revolução de 24-25 de Outubro e que se apoia nos Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses, propõe a todos os povos beligerantes e aos seus governos que se comece imediatamente negociações sobre uma paz justa e democrática.

(...) por tal paz entende o governo uma paz imediata, sem anexações (isto é, sem conquista de terras estrangeiras, sem incorporação pela força de povos estrangeiros) e sem contribuições.

(...) O governo considera que continuar esta guerra pela questão de como partilhar entre as nações fortes e ricas os povos fracos por elas conquistados é o maior crime contra a humanidade e declara solenemente a sua resolução de assinar imediatamente condições de paz que ponham fim a esta guerra nas condições indicadas, igualmente justas para todos os povos sem excepção.
(...)

(Aprovado por unanimidade no Segundo Congresso dos Sovietes de deputados operários e soldados de toda a Rússia)

26 de Outubro (8 de Novembro) de 1917

 

(In V. I. Lénine, Obras Escolhidas em três tomos, Edições «Avante!», Lisboa, 1980, pp. 396-397)

 

DECRETO SOBRE A TERRA

1) A propriedade latifundiária da terra é abolida imediatamente sem qualquer indemnização.

2) As propriedades dos latifundiários, bem como todas as terras de apanágio, dos mosteiros e da Igreja, com todo o seu gado e alfaias, edifícios e todas as dependências, passam a ficar à disposição dos comités agrários de vólost e dos Sovietes de deputados camponeses de uezd até à Assembleia Constituinte.

3) Qualquer estrago dos bens confiscados, que doravante pertencem a todo o povo, é declarado crime grave, punível pelo tribunal revolucionário. Os Sovietes de deputados camponeses de uezd tomarão todas as medidas necessárias para a observância da ordem mais rigorosa na confiscação das propriedades dos latifundiários, para a determinação do tamanho dos terrenos e quais precisamente estão sujeitos a confiscação, para estabelecer um registo preciso de todos os bens confiscados e para proteger com o maior rigor revolucionário todas as explorações agrícolas que passam para o povo, com todos os edifícios, utensílios, gado, reservas de víveres, etc.

4) Para dirigir a realização das grandes transformações agrárias, até à sua resolução definitiva pela Assembleia Constituinte, deve servir em toda a parte o seguinte mandato camponês, elaborado pela Redacção do Izvéstia Vserossíiskogo Soveta Krestiánskikh Deputátov, na base dos 242 mandatos camponeses locais, e publicado no número 88 deste Izvéstia (Petrogrado, n.º 88, 19 de Agosto de 1917).

[Segue-se o texto do «Mandato camponês sobre a terra»]

Tudo o que está contido neste mandato, como expressão da vontade absoluta da imensa maioria dos camponeses conscientes de toda a Rússia, é declarado lei provisória, que será aplicada até à Assembleia Constituinte, tanto quanto possível imediatamente e, nalgumas das suas partes, com a necessária graduação a determinar pelos Sovietes de deputados camponeses de uezd.

5) Não se confiscam as terras dos simples camponeses e dos simples cossacos.

26 de Outubro (8 de Novembro) de 1917

 

(In V. I. Lénine, Obras Escolhidas em três tomos, Edições «Avante!», Lisboa, 1980, pp. 403-405).

 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 

 

No final de uma semana de artigos consagrados à Revolução de Outubro, muito ficou por dizer e contar sobre um dos maiores acontecimentos na história da humanidade. Para mim, teve o prazer de reflectir e discorrer sobre uma Revolução com que me identifico ideológicamente sem "rodeios" e o aprofundar do conhecimento da mesma.

Para aqueles que visitam este blog e estejam mais distantes desta ideologia revolucionária, espero ter despertado, pelo menos, a curiosidade de olharem e estudarem mais profundamente este grande acontecimento sem o crivo da especulação e da campanha caluniosa do capitalismo e do imperialismo.

 

Termino (por agora) esta evocação dos 90 Anos da Revolução de Outubro com uma canção tradicional Russa, muito bonita e alegre - Katyusha. Ou, originalmente em Russo - Катюша.

Porque também a concretização da revolução levada a cabo pelos operários e camponeses russos e liderada pelos Bolcheviques, foi um hino à alegria e à beleza. Alegria, pelo foco de luz com que iluminou milhões de trabalhadores e povos oprimidos,  e pelo contributo que deu à organização e luta destes. Beleza (e aqui entenda-se, beleza revolucionária) porque, pela primeira vez na história da humanidade, as classes mais exploradas conquistaram com e nas suas mãos o poder de decidir o seu futuro e construir uma sociedade livre da exploração capitalista (e digo conquistaram e não, obtiveram, porque nunca nada do que os trabalhadores ou o povo obtiveram lhes foi oferecido. Tudo teve, e tem, que ser conquistado).

 

 



publicado por vermelho vivo às 00:55
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4 comentários:
De Antonio Ferrão a 10 de Novembro de 2007 às 22:39
Caro red
Катюша é, sem dúvida, uma canção muito bonita. Também os Barqueiros do Volga, Kalinka, Полюшко-поле (http://ferrao.org/2007/11/coro-do-exrcito-vermelho-poljuschka.html) e tantas outras.


De vermelho vivo a 12 de Novembro de 2007 às 00:03
Efectivamente, caro António Ferrão, também Kalinda é muito bonita. Realmente, os russos são um povo com uma tradição musical muito rica e extensa. Produziram muito e bom.

Obrigado pela visita e pelo post.
Cumprimentos,
Rogério



De gr-gr a 12 de Novembro de 2007 às 00:09
Eu continuo a ler.
Vou reler as Obras Escolhidas Lénine.
Adorei ver o vídeo.
Neste blog sinto-me como estivesse no CT , da blogosfera.
Parabéns!

GR


GR


De vermelho vivo a 15 de Novembro de 2007 às 00:14
cara Gr-GR, alegra-me que te sintas bem neste blog.
Afinal, utilizando a excelente definição do nosso camarada José Casanova, direi que ambos somos frequentadores da nossa grande casa da amizade. É normal que nos sintamos bem entre amigos.
Obrigada. Um grande abraço.


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