"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Sábado, 26 de Abril de 2008
Lágrimas de crocodilo...

O nosso Presidente da República, mostrou-se impressionado com a ignorância dos jovens relativamente ao que foi e o que significa o 25 de Abril, tal como a desilusão e afastamento da política por parte desses mesmo jovens, conclusões estas, retiradas de um estudo encomendado por Belém.

O Presidente da República necessitou de um estudo para descobrir aquilo que todos nós já sabiamos à muito, ou pior que isso, aquilo que nós sabiamos ser uma inevitabilidade perante as políticas praticadas pelos partidos que tem governado Portugal ao longo dos últimos 32 anos, nomeadamente na área educativa.

Eu que não tenho meios para mandar fazer estudos, não conhecia este do Presidente da República, e até sou bastante mais novo que ele, tenho abordado esta questão em várias situações nestes últimos anos, a última das quais, numa coluna do jornal Reflexo Digital.

Mas as palavras do Presidente da República merecem uma outra análise.

Mostrar-se impressionado e dizê-lo no discurso do 25 de Abril, é bonito e fica-lhe bem mas... só por si não muda rigorosamente nada.
É preciso também explicar como e porquê chegamos até aqui. Facilmente constatamos que por trás desta realidade estão os 32 anos de politicas delineadas pelo PSD/CDS/PP e PS, ora sózinhos, ora coligados.
Assim, e numa abordagem resumida constatamos que:
1.º - Estes partidos, PSD/CDS/PP/PS, têm promovido programas de ensino onde a valorização deste acontecimento maior para a liberdade, a democracia, o progresso, o desenvolvimento e a soberania nacionais, têm sido simplesmente esquecido, tal como a promoção da participação cívica. Têm levado a cabo grandiosas ofensivas contra o que de mais importante foi conquistado pela Revolução dos Cravos, consolidado pela luta do povo e consagrado na Constituição da República de 1976.
Estes partidos, com os exemplos de corrupção, compadrios, jogos de interesse e desonestidade política que teimam em dar aos cidadãos, que durante as campanhas eleitorais prometem, prometem, e quando chegam ao poder praticam o contrário do que prometeram, promovem esse desinteresse e afastamento.
Ao longo de 32 anos o PSD/CDS/PP e PS têm premeditadamente usado instrumentos para afastar os portugueses das decisões e da participação cidadã que Abril preconizou, arquitectando desta forma a estratégia de poderem decidir sem obstáculos, sózinhos e segundo os seus interesses - que têm sido os interesses do capital.

2.º - Cavaco Silva foi primeiro-ministro do Portugal durante 10 anos, os programos educativos do seu governo omitiram a importância deste acontecimento, tal como o fizeram os seus antecessores e depois os seus sucessores. As políticas educativas dos seus governos foram tão acertadas que deram origem à chamada “geração rasca”.
Cavaco Silva com a sua famosa tese de que Portugal corria no pelotão da frente da europa promoveu uma sociedade egoista, de competição pessoal e económica onde os valores e ideais eram letra morta. Através da mesma tese, lançou várias ofensivas contra muitas das conquistas dos trabalhadores e do povo adquiridas precisamente com o 25 de abril.
Cavaco Silva não está isento de responsabilidade nesta matéria, bem pelo contrário, tem culpas e muitas.

Mais recentemente, o Presidente da República Cavaco Silva, o mesmo que se pronunciou preocupado, foi protagonista de episódios que contribuem fortemente para as conclusões desse estudo:

Na sua visita à Madeira, Cavaco Silva pactuou com os desvarios de Alberto João Jardim, entre os quais a não realização de uma sessão solene na parlamento madeirense ou insultos desmedidos e desrespeitosos para com os deputados da oposição democráticamente eleitos pelo povo madeirense. Cavaco Silva primou pelo silêncio cúmplice, o sorriso amarelo e grandes elogios ao seu amigo Alberto João, quando nós sabemos, e os madeirenses sabem melhor ainda, como é exercida a democracia ou o jogo de interesses na Madeira.

O Presidente da República Cavaco Silva, apoiou um dos maiores atentados à credibilidade política, à democracia e à participação dos cidadãos na vida pública e nas decisões que a eles afectam como foi o caso da rectificação do tratado de Lisboa pelo parlamento, arredando o povo português da sua discussão e aprovação e subjugando Portugal aos interesses dos países europeus mais poderosos.

Não basta chorar lágrimas de crocodilo. O Presidente da República ao invés de se impressionar e “botar discurso” também tem que assumir as suas responsabilidades e contribuir com mais acção e menos palavras para que seja possível alterar as conclusões que aparecem no estudo.

Finalmente, Cavaco Silva concluiu que a culpa é dos partidos políticos, sim, os partidos porque ele, mesmo com o descrito acima, não se vê como culpado.

O Presidente da República Cavaco Silva não foi honesto nas suas conclusões e sabe bem que não foi.
Uma das provas desta mentira - e esta é apenas uma de muitas - foi dada ontem. O PCP promoveu por todo o país comemorações do 25 de Abril com festas, marchas, jantares e outras iniciativas. Em grande parte das autarquias presididas pela CDU, realizaram-se iniciativas comemorativas, entre elas várias sessões temáticas sobre o que foi e o que significa o 25 de Abril.
Mas o Presidente da República culpou os partidos políticos - supostamente todos. Pois se queria arriscar culpados, também devia ter tido a frontalidade de chamar os bois pelos nomes e ter referido o PSD, o PP e o PS, além da sua mea culpa como é óbvio.

É verdade que a liberdade, a democracia e os direitos de participação civica, têm sido vilipendiados, mal tratados e em muitos casos até eliminados. É verdade que esta realidade afasta os jovens da política e do exercício de cidadania. É verdade que o 25 de Abril, o seu significado e os seus ideais estão cada vez mais mais esquecidos. É verdade que esta realidade tem responsáveis

O Presidente da República Cavaco Silva, não foi honesto ao meter todos os partidos no mesmo saco e sabe bem porque o fez. Mas nós também sabemos, algumas das razões até estão aqui neste “post”.

Termino com um conselho da minha humilde pessoa ao Exmo. Sr. Presidente da República:

No seu Artigo 2.º, a Constituição da República diz o seguinte:

(Estado de direito democrático)

“A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.”

Sr. Presidente, faça cumprir este artigo!

Talvez possa começar por aí a legitimar o discurso de ontem na Assembleia da República.



publicado por vermelho vivo às 16:19
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2 comentários:
De POESIA-NO-POPULAR a 26 de Abril de 2008 às 18:12
Camarada Rogério
Eles passam pelos lugares mas é como se não tivessem passado, agora a grande moda é culpar o "sistema"como se eles não fossem parte integrante do sistema, quanto ao teu pedido para que se cumpra o artigo 2 da Constituíção, tira o cavalinho da chuva, nem com horas extraordinárias!
Grande abraço
Manangão


De vermelho vivo a 27 de Abril de 2008 às 00:01
É verdade, amigo Manangão. Culpam o "sistema" que eles próprios criaram e continuam a alimentar. Já irrita tanta demagogia.
Um abraço


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