"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
Censura à moção de censura

Como é sabido, uma grande parte dos órgãos de informação difundem as suas notícias com base nas informações da Agência de Notícias LUSA.

Sei que a transcrição dos conteúdos informativos prestados pela LUSA durante a tarde, vão transformar este "post" num longo texto e menos apetecível de ler, mas vale a pena ler estes conteúdos para que se perceba a facilidade com que se manipula a informação neste país.

 

Lisboa, 08 Mai (Lusa) - 16,02 horas:

«O primeiro-ministro sustentou hoje que se ficará a dever a um Governo PS o maior avanço de sempre na legislação laboral contra a precariedade e acusou o PCP de sacrificar à sua táctica política os interesses dos trabalhadores.

As posições de José Sócrates foram proferidas no seu discurso inicial no debate da moção de censura do PCP ao Governo na Assembleia da República.

Na fase de abertura do debate, o primeiro-ministro fez um ataque cerrado ao PCP e ao Bloco de Esquerda: os dois partidos que hoje deverão votar favoravelmente a censura ao executivo.

"Do meu ponto de vista, a conclusão política é apenas uma: ficar-se-á a dever a um Governo e à maioria do PS, e não à esquerda conservadora, o maior avanço da legislação laboral contra a precariedade", advogou o primeiro-ministro.

Tal como fizera no último debate quinzenal no Parlamento, Sócrates acusou o PCP de estar a apresentar uma moção de censura não contra o executivo mas "contra a concertação social".

"No debate há dois campos: o campo que defende a concertação social e o campo que a combate", afirmou Sócrates, para quem PCP e Bloco de Esquerda pretendem "condicionar, pressionar" o movimento sindical, "boicotando qualquer esforço de concertação social".

Mas o primeiro-ministro foi ainda mais longe nos seus ataques, especialmente em relação ao PCP.

"O PCP critica com grande azedume [as propostas de revisão do Código de Trabalho], mas ao fazê-lo está a desprezar os interesses dos trabalhadores. Essa é também a verdade deste debate: o PCP sacrifica à sua táctica política os interesses da larga maioria dos trabalhadores", criticou Sócrates.

No seu discurso, o primeiro-ministro pretendeu sobretudo destacar as propostas do seu Governo em relação "ao combate à precariedade" no trabalho, mas defendeu que a revisão em curso também favorecerá a negociação colectiva e a "adaptabilidade na vida das empresas com melhores condições de adaptação ao mercado".

Neste último ponto - o que maior contestação motiva à esquerda parlamentar -, o primeiro-ministro sustentou que, "com a possibilidade acordarem com os seus trabalhadores a gestão do tempo de trabalho, as empresas ficam mais competitivas".

Para José Sócrates, "as propostas do Governo obedecem à mesma preocupação: favorecer a modernização das empresas, porque isso é essencial para que cresçam a economia e emprego; proteger os trabalhadores, porque isso é essencial para o aumento do bem-estar de todos e o combate à precariedade e exclusão".

De acordo com a lógica apresentada pelo primeiro-ministro, com a revisão do Código de Trabalho, "está em causa o progresso".

"Aos arautos da desgraça, aos adversários da autonomia do movimento sindical, aos inimigos do diálogo social e da modernização económica o Governo do PS diz que esse não é o caminho", declarou em novo ataque à oposição de esquerda.

Sócrates defendeu então que, pelo contrário, as propostas do Governo são "progressistas, rigorosas no combate à precariedade, amigas da negociação colectiva e capazes de um equilíbrio positivo entre as necessidades de adaptação das empresas e os direitos dos trabalhadores".»

 

Lisboa, 08 Mai (Lusa) - 17,03 horas:

«O primeiro-ministro José Sócrates considerou hoje que podem existir muitos motivos para censurar o Governo, mas recusou que as propostas de alteração ao Código do Trabalho possam estar entre esses motivos.

"Pode haver muitos motivos para censurar o Governo, mas este é o motivo errado", afirmou José Sócrates durante o debate da moção de censura ao Governo apresentada pelo PCP, sublinhando que a proposta do executivo de revisão do Código do Trabalho é para "defender a economia e os trabalhadores".

Antes, o líder parlamentar do BE, Luís Fazenda, tinha enumerado alguns motivos para censurar o Governo, nomeadamente a existência de mais desempregados, mais trabalhadores precários e piores serviços públicos.

"Há motivos de sobra para censurar este Governo", salientou Luís Fazenda, acusando o executivo de não cumprir o seu programa.

"Há incumprimento do programa do Governo", disse, recordando que esse é um dos motivos para a apresentação de uma moção de censura na Assembleia da República.

Na resposta, José Sócrates aproveitou a intervenção de Luís Fazenda: "o senhor deputado disse que há motivos de sobra para censurar este Governo, mas estes são os motivos errados".

Além disso, acrescentou, o que o Governo propõe agora em sede de concertação social está de acordo com as orientações que o PS sempre defendeu.

"Se há um ponto de divergência é porque são mais ambiciosas", insistiu.

Ainda antes da intervenção da bancada do BE, o PSD, através do deputado Hugo Velosa, tinha também questionado o primeiro-ministro sobre a alteração de posição do PS relativamente aquilo que defendeu em 2003, durante a discussão do Código Laboral.

"O PS não recupera uma proposta dessa discussão. Porquê essa mudança de atitude?", questionou Hugo Velosa.

José Sócrates assegurou, contudo, que "no essencial" as propostas do PS são as mesmas que defendiam quando estava na oposição, apesar de poderem ser "diferentes em alguns aspectos".

"São muito mais ambiciosas", garantiu, reiterando que são propostas que vão no sentido de defender os trabalhadores.

Pelo PS, o líder parlamentar da bancada, Alberto Martins, reforçou as críticas de José Sócrates ao PCP, classificando a apresentação da moção de censura como "um tiro de pólvora seca".

"É ficção", sublinhou, reiterando que se trata de uma moção de censura à concertação social e não ao Governo de maioria socialista.

"Têm medo dos trabalhadores e da concertação social", declarou, dirigindo-se à bancada comunista.

Fugindo ao tema central da moção de censura, o líder parlamentar do CDS-PP, Diogo Feio, preferiu questionar o primeiro-ministro sobre o protocolo estabelecido entre a ADSE e o Hospital da Luz.

"Como avalia a situação?", interrogou Diogo Feio, recordando que, enquanto o ministro das Finanças já veio a público apoiar a decisão, a ministra da Saúde considerou tratar-se de uma "opção lamentável".

José Sócrates não respondeu, contudo, directamente à questão, considerando "lamentável" a "demagogia" do CDS-PP.

Ainda a propósito do protocolo, o primeiro-ministro lembrou que a ADSE fixa um quadro de convenções com instituições privadas e que o Hospital da Luz decidiu aderir a esse plano.

"O propósito da ADSE é dar a todos os funcionários públicos um maior leque de opções", acrescentou.»

 

Por aqui se retiram duas conclusões óbvias e bastante ilucidativas:

1.ª - O primeiro-ministro José sócrates, é o primeiro a reconhecer que existem muitos motivos para que o seu catastrófico governo seja censurado. Ele sabe, e sabe tão bem como nós, que além de: erros, asneiras, subserviência à europa, demagogia, mentiras, marketing, e defesa dos interesses dos grandes monopólios, pouco mais tem feito em 3 anos de governação. Ou seja, tem razão o PCP na luta que tem travado e concretamente nesta MOÇÃO DE CENSURA AO GOVERNO E À SUA POLÍTICA.

2.º - A LUSA silência completamente o principal protagonista desta MOÇÃO DE CENSURA, o PCP, que é posto à margem da discussão, escamoteia completamente as razões invocadas pelo PCP para a apresentação desta MOÇÃO DE CENSURA, escamoteia completamente a intervenção do PCP (discurso do seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa) nesta sessão do parlamento.

Na segunda notícia consegue transmitir a posição de todos os partidos, transcrever parte da discussão entre o BE e Sócrates, e não contém uma única referência ao que disse o PCP.

 

Esta selecção de intervenções, será apenas uma distracção?

Não! É assim porque assim tem que ser. Arredar o PCP das notícias desta sessão e discussão parlamentares, é silenciar a sua voz incómoda, é não permitir que as razões invocadas sejam motivo de reflexão pela opinião pública. É dar destaque ao BE, tal como convém, como arma de combate e ofuscamento do PCP. Ou seja, é noticiar apenas o que deve ser noticiado em nome da ideologia e poder dominante.

Repare-se que nestes blocos noticiosos, a suposta "notícia", principalmente o primeiro bloco, limita-se a fazer passar a mensagem que José Sócrates pretende que chegue à opinião pública.

Será mero acaso?

Não! Não é de certeza! Estes serventuários não dormem em serviço.

 

Mas com grande desilusão para estes "noticiadores" de ocasião, o PCP também está onde sempre esteve: ao lado dos trabalhadores, ao lado do povo e das populações. Assim, mesmo silenciado na comunicação social, os trabalhadores e o povo sabem quem os defende e reconhecem ao PCP esse papel, que aliás é histórico.

 

Embora sabendo nós que isto faz parte da normalidade noticiosa porque a isenção informativa há muito tempo anda pelas ruas da amargura e se limita apenas a prestar serviço ao poder e à ideologia dominante,  fica aqui a denúncia para que não pareça que os comunistas se colocam gratuitamente no papel de vítimas. Os argumentos são inegáveis.



publicado por vermelho vivo às 18:17
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