"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
A música está mais pobre

Em 1988, cumpria eu o serviço militar obrigatório no RAC (Regimento de Artilharia de Costa), em Oeiras quando foram anunciadas as datas e cidades para a digressão dos Pink floyd: The Momentary Lapse of Reason tour.

Como habitualmente, Portugal não fazia parte da lista de paises incluídos.

Neste tempo, qualquer grande concerto em Portugal era uma pura utopia.

Os Pink Floyd haviam-se separado e entrado em lítigio no início dos anos oitenta, deram o seu último concerto em 1981 e editaram o seu último álbum em 1983 já sem Rick Wright e com graves conflitos entre David Gilmour e Roger Waters. Qualquer apaixonado pela sua música estava consciente de que “The Final Cut” era mesmo o golpe final e que um regresso da banda era totalmente impensável.

Quando foi anunciada esta digressão - mesmo sem Roger Waters - foi para mim uma espécie de sonho tornado realidade. Se era verdade que não vinham a Portugal, também era verdade que estariam em Madrid, aqui no País vizinho.
Encarei a possibilidade de assistir a este concerto como uma oportunidade histórica e única de ver a melhor banda do mundo (para mim) ao vivo. Além disso, ir a Espanha ver os Pink Floyd não seria o mesmo que vê-los em Portugal pois teria sempre um lado aventureiro que me seduzia.

Este interesse foi acompanhado com igual adrenalina por um camarada de armas residente em Lisboa - que infelizmente não voltei a encontrar após o serviço militar.

Assim, combinamos os dois que não perderiamos esta oportunidade única e nos deslocariamos a Madrid em Julho para assistir ao concerto dos Pink Floyd. Seria para nós um momento histórico ver estes magos da música ao vivo.
Como este camarada de armas residia em Lisboa, ficou combinado que seria ele a comprar os bilhetes numa agência de Almada.
Acontece porém que cerca de quinze dias antes da data tanto esperada, ele comunicou-me que afinal não poderia deslocar-se a Madrid nesta data. Sinceramente, já não me lembro porquê.
Fiquei um pouco retraído. Acabava de ficar sozinho nesta aventura. Mas... A decisão estava tomada e era irreversível. Sim. Porque um momento histórico não se perde por uma qualquer contrariedade

Durante a semana, desloquei-me a Almada e comprei eu próprio o ingresso para o concerto que se realizaria no Estádio Vicente Calderon, fui a uma agência de viagens junto a Santa Apolónia e reservei viagem no comboio Lusitano que partiria de Lisboa na noite de Quinta-feira com destino a Madrid.

 

 
Assim começou uma das mais memoráveis aventuras da minha vida. No comboio travei conhecimento com outro “maluco” pelos Pink Floyd, o Zé Nuno D’Eirão. Voltei a não estar sózinho na aventura.

Esta aventura teve tantas peripécias que seriam necessárias milhares de linhas para a descrever. Reportando-me apenas a uma delas: estando eu a cumprir o serviço militar, o dinheiro não abundava, sabia bem que os trocos estavam contados até ao escudo e que mesmo assim... Bem, no Sábado, para a viagem de regresso a Portugal, o dinheiro já não chegava para o comboio directo de Madrid ao Porto. Era necessário encontrar uma rota de acordo com o dinheiro existente. Era necessário, e assim se fez. Fiz uma viagem de Madrid a Salamanca e outra de Salamanca a Vilar Formoso. Em território português o cartão militar concedia um desconto de 75% nas viagens de comboio. Fiz então a viagem de Vilar Formoso à Pampilhosa, depois, da pampilhosa ao Porto e por fim, do Porto à Trofa. Na Trofa coloquei-me à boleia e assim cheguei a Guimarães no Domingo pela manhã, onde me esperava uma comunhão de um sobrinho.

Bem... Foi uma autêntica aventura, mas valeu bem a pena. Se valeu!...

O concerto foi... Inesquecível. Já vi dezenas e dezenas de concertos, entre eles, Rolling Stones, Chico Buarque, Roxy Music, Pogues... O concerto dos Pink Floyd em Madrid foi o maior, o melhor e mais completo concerto que vi até hoje. Mantenho hoje a certeza que transmiti aos meus amigos após o concerto: mesmo que viva mais cem anos e assista a milhares de concertos, nenhum se aproximará a este. E jamais conseguirei apagar da memória as imagens deste concerto. Vi em Madrid o maior espectáculo musical do mundo.

 

Posteriormente, os Pink Floyd já vieram a Portugal. Não os fui ver. A magia do concerto de Madrid não permitia a possibilidade de desilusão. E a verdade é que pelos relatos e imagens conhecidos, acertei na decisão. A digressão The Momentary Lapse of Reason tour, foi mesmo a última oportunidade de ver os míticos Pink Floyd. O que se seguiu, foram apenas "ancores" da digressão de 1988, complementados com uma enorme carga comercial.

 

Apeteceu-me recordar e escrever sobre esta aventura e este concerto inesquecíveis. Encontrei nesta recordação a melhor forma de homenagear Rick Wright.

Ele é um dos “culpados” destes momentos inolvidáveis.

Ele é um dos “culpados” dos inúmeros momentos de prazer que música dos Pink Floyd já me proporcionou.
 

 

Richard William Wright - “Rick Wright” - teclista dos Pink Floyd, morreu hoje com 65 anos.

 

Sem dúvida que a música ficou hoje muito mais pobre, no entanto, a música dos Pink floyd, recordar-nos-á sempre a sua existência e o seu extraordinário legado musical.

 

Este video não é referente ao concerto de Madrid mas faz parte da mesma digressão:



publicado por vermelho vivo às 23:58
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