"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008
O estado do ensino em Portugal (III)

Eu quero recordar. No ano 2005/2005, a taxa de retenção no básico era de 12,2 por cento. No ano seguinte, já da nossa responsabilidade, baixou para 11,4 por cento. No ano posterior caiu para 10,8 por cento. Este ano, desceu para 8,3 por cento... Esse espectáculo lamentável de quem só aparece na televisão para dizer mal e para negar qualquer sucesso do país é uma ofensa aos professores, uma ofensa aos alunos e uma ofensa àquelas famílias que se empenharam na educação dos seus filhos”.

Estas palavras pertencem ao nosso primeiro-ministro, José Sócrates na intervenção proferida no passado fim de semana no Fórum Novas Fronteiras.

 

O que o nosso primeiro-ministro, José Sócrates, não explicou - provavelmente porque também ninguém lhe perguntou, foi a formúla utilizada para a consumação deste milagroso sucesso escolar.

No entanto, o conhecido sucesso do Luís, de 15 anos, que passou do 6º para o 7º ano com oito negativas e uma só positiva (a Educação Física), é já um indício da espantosa e milagrosa fórmula utilizada.

E já que esta a fórmula tem dado resultados espantosos, também em Barcelos, mais propriamente na escola básica 2,3 de Manhente, se prepara um novo milagre educativo para o ano lectivo que agora se inicía.

Esta escola debate-se com alguns problemas de abandono e insucesso escolar com maior incidência no 7º ano - o primeiro do 3º ciclo, situação que tem vindo a agravar-se nos últimos anos.

A lógica seria que fossem avaliadas as prováveis ou possíveis causas deste insucesso e abandono, partindo daí para as medidas necessárias de forma a combater esta situação.

Só que, esta seria a lógica caso houvesse um ME mais preocupado com a educação e formação dos alunos e interessado em promover um ensino de qualidade e menos preocupado com os números estatísticos com que permanentemente tenta esconder a realidade.

Assim, o Conselho Executivo deste agrupamento - baseando-se no despacho normativo nº 50/2005 para o ensino básico, aprovado por este mediocre ME liderado por Maria de Lurdes Rodrigues - decidiu que para este ano lectivo 2008/2009, os alunos poderão passar do 7.º para o 8º ano com cinco negativas (5!!!) desde que duas delas não sejam Português e Matemática.
Recorde-se que este despacho normativo dá autonomia aos Conselhos de Turma e Pedagógicos para aprovarem as transições.

 

Quem sabe se no início do ano lectivo 2009/2010, teremos a sra. Ministra em pessoa na abertura das aulas da escola básica 2,3 de Manhente, para entregar os respectivos diplomas de sucesso escolar aos alunos e exemplificar através desta escola os progressos extraordinários no combate ao insucesso escolar em Portugal, fruto das reformas do seu ME.

 

Bem, eu acho até que todos nós deviamos estar orgulhosos e sentirmo-nos uns previligiados por termos em Portugal, uma ministra com desta dimensão e com esta capacidade reformadora. A senhora tem sempre um método mágico e inovador para alterar as coisas para melhor. No entanto, os pais, os alunos, o pessoal docente e o não docente, incapazes de compreender a amplitude de tão extraordinárias melhorias no ensino, passam a vida a criticá-la. Não percebo porquê!...

O que eu acho mesmo é que se esta iluminada senhora se mantiver à frente do ME mais uns anitos, Portugal ainda atingirá o 1.º lugar de sucesso escolar em toda a Europa. Eu acredito que podemos através de tão inovadores métodos, atingir os 100% de transições. E aí, seremos um exemplo mundial e faremos corar de vergonha todos os países europeus que se julgam muito avançados em termos de políticas de educação.



publicado por vermelho vivo às 23:57
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2 comentários:
De fernando samuel a 19 de Setembro de 2008 às 15:16
Este primeiro-ministro já não se pode ouvir: insulta-nos sempre que fala e, ele não sabe mas insulta-se a si próprio.


Bom post, camarada.


Um abraço amigo.


De Caim a 22 de Setembro de 2008 às 21:42
É meu caro, ao ler sua indignação direto aqui do Brasil, vejo que não é só aqui que o ensino já empobreceu faz tempo. Parece que a prerrogativa de deixar o povo mais "burro" é, antes, uma estratégia liberal que condena todo o Mundo. Estamos à mercê da ignorância no tempo? Eis a pergunta que me faço todos os dias. Povo burro é povo manso, aí vive a lógica do neoliberalismo. Que o diga a população dos Estados Unidos. Uma pesquisa realizada em 2006 lá, provou que 67% dos estadunidenses desconhecem a localização geográfica de países como Iraque, Austrália, Líbano e Chade. É desanimador saber que os habitantes da maior potência do mundo são tão ignorantes quanto as pessoas no Brasil e na África que, por falta de oportunidade, desconhecem a posição geográfica do próprio Estados Unidos e do Brasil. Uma lástima!


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