"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
Debate na cimeira Ibero-Americana

Para que se perceba melhor que aconteceu e o contexto desta "confusão" na cimeira:


 

Via: TIREM AS MÃOS DA VENEZUELA 



publicado por vermelho vivo às 22:44
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Domingo, 11 de Novembro de 2007
Porque hoje é Domingo...
 

[NENHUM PRÉMIO, POR MAIOR]

 

Nenhum prémio, por maior,

vale as dores da liberdade.

Siga o seu próprio pendor

quem de segui-lo se agrade.

Ninguém chore um bem perdido.

Há muitos bens por achar.

Sonhos ocos de sentido

porque havemos de os sonhar?

A liberdade não é

de se dar, mas de tomar-se.

Liberdade que se dê

é apenas um disfarce.

 

Poema de Armindo Rodrigues

 

Retirado do livro:

"Os poemas da minha vida"

de José Casanova, 2006



publicado por vermelho vivo às 21:50
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Sábado, 10 de Novembro de 2007
Primeiros decretos da Revolução de Outubro

Ao evocar e comemorar a Revolução de Outubro, é inevitável e significativo mencionar os primeiros decretos após o triunfo da revolução. Significativos porque identificam claramente a natureza da insurreição, o seu carácter de paz e a sua matriz prufundamente revolucionária e proletária.

 

DECRETO SOBRE A PAZ

(Extractos)

O governo operário e camponês, criado pela revolução de 24-25 de Outubro e que se apoia nos Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses, propõe a todos os povos beligerantes e aos seus governos que se comece imediatamente negociações sobre uma paz justa e democrática.

(...) por tal paz entende o governo uma paz imediata, sem anexações (isto é, sem conquista de terras estrangeiras, sem incorporação pela força de povos estrangeiros) e sem contribuições.

(...) O governo considera que continuar esta guerra pela questão de como partilhar entre as nações fortes e ricas os povos fracos por elas conquistados é o maior crime contra a humanidade e declara solenemente a sua resolução de assinar imediatamente condições de paz que ponham fim a esta guerra nas condições indicadas, igualmente justas para todos os povos sem excepção.
(...)

(Aprovado por unanimidade no Segundo Congresso dos Sovietes de deputados operários e soldados de toda a Rússia)

26 de Outubro (8 de Novembro) de 1917

 

(In V. I. Lénine, Obras Escolhidas em três tomos, Edições «Avante!», Lisboa, 1980, pp. 396-397)

 

DECRETO SOBRE A TERRA

1) A propriedade latifundiária da terra é abolida imediatamente sem qualquer indemnização.

2) As propriedades dos latifundiários, bem como todas as terras de apanágio, dos mosteiros e da Igreja, com todo o seu gado e alfaias, edifícios e todas as dependências, passam a ficar à disposição dos comités agrários de vólost e dos Sovietes de deputados camponeses de uezd até à Assembleia Constituinte.

3) Qualquer estrago dos bens confiscados, que doravante pertencem a todo o povo, é declarado crime grave, punível pelo tribunal revolucionário. Os Sovietes de deputados camponeses de uezd tomarão todas as medidas necessárias para a observância da ordem mais rigorosa na confiscação das propriedades dos latifundiários, para a determinação do tamanho dos terrenos e quais precisamente estão sujeitos a confiscação, para estabelecer um registo preciso de todos os bens confiscados e para proteger com o maior rigor revolucionário todas as explorações agrícolas que passam para o povo, com todos os edifícios, utensílios, gado, reservas de víveres, etc.

4) Para dirigir a realização das grandes transformações agrárias, até à sua resolução definitiva pela Assembleia Constituinte, deve servir em toda a parte o seguinte mandato camponês, elaborado pela Redacção do Izvéstia Vserossíiskogo Soveta Krestiánskikh Deputátov, na base dos 242 mandatos camponeses locais, e publicado no número 88 deste Izvéstia (Petrogrado, n.º 88, 19 de Agosto de 1917).

[Segue-se o texto do «Mandato camponês sobre a terra»]

Tudo o que está contido neste mandato, como expressão da vontade absoluta da imensa maioria dos camponeses conscientes de toda a Rússia, é declarado lei provisória, que será aplicada até à Assembleia Constituinte, tanto quanto possível imediatamente e, nalgumas das suas partes, com a necessária graduação a determinar pelos Sovietes de deputados camponeses de uezd.

5) Não se confiscam as terras dos simples camponeses e dos simples cossacos.

26 de Outubro (8 de Novembro) de 1917

 

(In V. I. Lénine, Obras Escolhidas em três tomos, Edições «Avante!», Lisboa, 1980, pp. 403-405).

 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 

 

No final de uma semana de artigos consagrados à Revolução de Outubro, muito ficou por dizer e contar sobre um dos maiores acontecimentos na história da humanidade. Para mim, teve o prazer de reflectir e discorrer sobre uma Revolução com que me identifico ideológicamente sem "rodeios" e o aprofundar do conhecimento da mesma.

Para aqueles que visitam este blog e estejam mais distantes desta ideologia revolucionária, espero ter despertado, pelo menos, a curiosidade de olharem e estudarem mais profundamente este grande acontecimento sem o crivo da especulação e da campanha caluniosa do capitalismo e do imperialismo.

 

Termino (por agora) esta evocação dos 90 Anos da Revolução de Outubro com uma canção tradicional Russa, muito bonita e alegre - Katyusha. Ou, originalmente em Russo - Катюша.

Porque também a concretização da revolução levada a cabo pelos operários e camponeses russos e liderada pelos Bolcheviques, foi um hino à alegria e à beleza. Alegria, pelo foco de luz com que iluminou milhões de trabalhadores e povos oprimidos,  e pelo contributo que deu à organização e luta destes. Beleza (e aqui entenda-se, beleza revolucionária) porque, pela primeira vez na história da humanidade, as classes mais exploradas conquistaram com e nas suas mãos o poder de decidir o seu futuro e construir uma sociedade livre da exploração capitalista (e digo conquistaram e não, obtiveram, porque nunca nada do que os trabalhadores ou o povo obtiveram lhes foi oferecido. Tudo teve, e tem, que ser conquistado).

 

 



publicado por vermelho vivo às 00:55
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
A Revolução de Outubro (II)

Na análise das conquistas e avanços resultantes da Revolução de Outubro, também a educação e as ciências são áreas de grande aposta e desenvolvimento no processo revolucionário russo. Para além do combate ao analfabetismo  e iliteracia, as condições criadas para o estudo e desenvolvimento da ciência, teve repercussões nos avanços cientificos e tecnológicos a nível mundial.

 

“A Revolução Soviética de Outubro de 1917 abriu uma nova era para a ciência russa e despoletou uma compreensão original do lugar das ciências em geral na vida do homem. A Revolução socialista transformou o mundo em todas as áreas da actividade humana, avançando sem limites pela transformação das mentalidades, resolvendo velhas questões e abrindo novas, induzindo uma era fulgurante de desenvolvimento e progresso social.

Os cientistas russos ganharam com a Revolução de Outubro e as universidades deram um salto em frente. Não tanto como se julgará, porém, até ao pós Segunda guerra mundial.

Estudos recentes mostram que os ingressos nas universidades apenas aumentaram em 1/3 até à guerra relativamente ao período czarista. Houve sim no mesmo período um aumento de institutos superiores de formação e também aumento de financiamento das universidades, mostrando a vontade política de as fazer progredir. O governo soviético envidou medidas especiais para permitir o acesso dos operários aos estudos superiores.

Uma das primeiras medidas, em 1919, foi acabar com as propinas! Mas não esqueçamos os mais de 70% de analfabetos em 1917, entre as mulheres chegava aos 88%.

Os sovietes começaram por impor o ensino obrigatório e em 1919 o seu decreto "Likbez", assinado por Lénine, põe em marcha um programa duradouro de irradicação da iliteracia para todos os russos até aos 50 anos, o que permite reduzir aquela taxa a 43,4% em 1926, a 10,3% em 1939 e a perto de 0% nos anos 50...

Haverá que reconhecer aqui o avanço dado pelos astronautas, astrofisicos e astrónomos, alguns trabalhando no programa espacial - uma conquista do sistema soviético que encheu omundo de orgulho e de espanto em Outubro de 1957 com o lançamento do primeiro satélite artificial terrestre - o "SPUTNIK".

Existe sobretudo um campo teórico que tem um papel revolucionário na ciência soviética: é o da matemática. São conhecidos os resultados do apelo à sua divulgação, à formação dos círculos e clubes de resolução de problemas, à participação nas Olimpíadas de Matemática e a publicação de obras didáticas.

A URSS é pioneira na compreensão, pelo materialismo dialéctico, do papel da matemática no ensino do povo, no ensino das massas.

Outro traço importante da Revolução de Outubro na ciência é o facto de as mulheres russas estarem entre as primeiras no mundo a receberem doutoramento em áreas como a matemática, fisiologia, zoologia, química, e noutros campos.” (1)

   

É também isto que, contra a vontade de muitos e a incompreensão de outros tantos, leva todos os comunistas a comemorar com orgulho a Revolução de Outubro: a experiência da construção de uma nova sociedade, mais justa e mais solidária. Uma sociedade com as ciências, a educação, a cultura, o desporto... acessível a todos e uma economia ao serviço do beneficio colectivo e dos interesses do país.

Os revolucionários, não só mantêm hoje a mesma certeza em que esta sociedade é possível como, mantêm hoje a mesma certeza em que esta sociedade só é possivel liberta da opressão e da exploração capitalistas e da dominação imperialista!

 

Reafirmando que a evocação da Revolução de Outubro não dispensa uma análise objectiva e concreta sobre as suas virtudes e os seus erros, indispensável para a sua compreensão e adaptação ao permanente e persistente percurso de construção de uma sociedade socialista, termino citando José Reinaldo Carvalho:

“Celebramos a Revolução de 1917 porque temos princípios. A revolução, que revelou ao mundo o génio político de Lénine, comprovou o caráter científico do marxismo-leninismo e a aplicabilidade histórica de seus conceitos fundamentais."

 

Textos de apoio:
(1) - In: Caderno Vermelho, 15

 

Artigos inseridos no Jornal Avante! de 08-11-07, que recomendo:

OUTUBRO SEMPRE 

VIVA OUTUBRO!

APENAS COMEÇOU 

LÉNINE E A REVOLUÇÃO 



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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
A Revolução de Outubro

A Revolução de Outubro, marcou de forma ímpar todas as vertentes da sociedade russa e mundial. Nas ciências, no desporto ou na tecnologia, a Revolução de Outubro foi percussora de transformações e avanços sem paralelo. Mais que isso, transformou em direitos individuais e colectivos o acesso a todas as áreas como a educação, a cultura, o conhecimento cientifico ou a fruição e criação artistica.

 

 

Na arte e na cultura:

 

“Com a Revolução Bolchevique o mundo está a mudar. A rua não é só lugar de trânsito, de negócio, é lugar de encontros, muitas vezes tumultuosos, de combate, de festa. A imagem das cidades alterou-se radicalmente. É um gigantesco poema vivo em que vivem em comum as palavras de ordem revolucionárias e as obras de arte, mesmo as mais estranhas e esteticamente mais distantes.

 

Um dos aspectos mais fascinantes desse período revolucionário reside no facto de ter mobilizado no seu movimento transformador todas as vertentes da actividade social humana, com grande destaque para o papel desempenhado pelos artistas e movimentos artísticos de vanguarda, e pela intelectualidade progressista e revolucionária.

Realizavam-se grandes espectáculos revolucionários em que todos participavam fossem artistas ou operários, músicos ou soldados, pintores ou simples moradores, actores ou camponeses. Tudo é motivo para a intervenção das artes. Comemorar a tomada do Palácio de Inverno, o 1.º de Maio, a electrificação da Rússia, o racionamento, a nacionalização dos monumentos, a chegada dos tractores ao campo são alguns dos inúmeros temas que se transformam em festa de todos os artistas e todos os géneros de arte. O mundo assiste aos primeiros grandes espectáculos ao ar livre. Às primeiras grandes exposições nas ruas. A enorme e decisiva diferença é que não são produtos para consumo mais ou menos passivo. São gigantescas manifestações em que todos acabavam, de uma ou de outra maneira, por participar unindo a vida, o trabalho, a festa e a arte.” (1)

 

Na arquitectura:

 
"Naturalmente que a arquitectura destes primeiros anos da Revolução Sovietica não escapa a este processo. E entretanto trata-se de um período de extraordinária riqueza em todos os aspectos: na ilimitada liberdade criativa e de experimentação; na intervenção concreta de um larguíssimo conjunto de excepcionais personalidades criadoras; no impacto, na mobilização e participação de muitas das mais destacadas figuras da arquitectura do primeiro quartel do século XX; na invenção de novos modelos e tipologias; no debate acerca do papel da arquitectura  e do urbanismo na sociedade; no debate acerca dos modelos e objectivos do planeamento; no debate acerca da natureza e do futuro das cidades.

No impeto criador da revolução, a arquitectura rompe amarras teóricas, estilistas e formais, apresenta propostas de enorme audácia, deseja-se parte do processo prático de construção da sociedade socialista.

É naturalmente no período pós-revolucionário que as tendências de vanguarda assumem um destacado protagonismo. A arquitectura assume para si duas tarefas: a de propor os novos espaços que as novas formas de organização social requerem (parques de cultura e lazer, anfiteatros gigantescos para realizações de massas e competições desportivas - as Outubríadas, as imensas praças para as manifestações e comemorações revolucionárias, e também as novas tipologias, as habitações colectivas, a habitação operária modelo, os clubes operários, as casas da cultura, mais tarde os palácios do trabalho,  e os modelos urbanos e a linguagem arquitectónica radicalmente nova que exprimem o rasgo e o heroísmo do novo tempo." (1)

 

"Ainda há muito para estudar e descobrir com esses anos exaltantes, em que o mundo aprendeu que pode haver outro mundo para lá deste, medíocre  e sem dignidade, que nos é vendido em pacotes embrulhados em papel de estanho para parecer de prata."

 

É óbvio que apenas se pretende fazer uma abordagem breve e resumida destes temas. Seriam necessárias muitas e longas páginas para uma abordagem concreta e esclarecedora sobre as transformações nas várias áreas, resultantes da revolução socialista de 1917.

 

Textos de apoio:
(1) - In: Caderno Vermelho, 15



publicado por vermelho vivo às 00:12
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
90º Aniversário da Revolução de Outubro

"Em 7 de Novembro, com o assalto do operariado armado e dos soldados revolucionários ao Palácio de Inverno, foi quebrado o último foco de resistência militar e política à Revolução. E sob a palavra de ordem: "Todo o poder aos Sovietes", a vitória bolchevique alastrou rapidamente por toda a Rússia europeia e asiática, logo apoiada pela rapidez e amplitude da organização do Exército Vermelho. Na noite de 7 para 8 de Novembro, o Congresso dos Sovietes em Petrogrado confiou o poder de governo ao Conselho de Comissários do Povo, presidido por Lenine, que logo iniciou uma acção enérgica de transformação económica e social revolucionária, ao mesmo tempo que intentava restabelecer, na imensidade do território russo, uma organização firme de Estado socialista." (1)

 

 

Na passagem dos 90 anos da Revolução de Outubro, devemos recordar que a Rússia Czarista anterior à Revolução de Outubro era um território propriedade da nobreza e que a sua população rural representava 80% dos habitantes.

Em Outubro de 1917, com a realização vitoriosa da revolução Bolchevique, foi derrubado o governo provisório que sucedeu ao Czarismo e dá-se inicio ao maior avanço humano e libertário do séc. XX.

 

A Revolução de Outubro constitui um dos maiores acontecimentos histórico de toda a humanidade pois assinalou o advento de uma nova época com a experiência pioneira de construção de uma sociedade sem classes, livre de opressão e exploração.

"Primeira vez na História se viu que é possível os trabalhadores tomarem nas suas mãos a gestão da sociedade e construir uma sociedade de trabalhadores sem capitalistas nem exploradores." (2)

 

Sobre os escombros do Czarismo, a Revolução de Outubro, apoiada na aliança entre os operários e os camponeses russos e dirigida pelos bolcheviques, levantou em poucos anos uma nova civilização humana, uma economia desenvolvida, um povo culto e digno.

“A entusiástica participação das massas populares e dos trabalhadores permitiu a rápida reconstrução do país após a guerra civil e desencadeou um gigantesco esforço de industrialização que transformou a velha Rússia atrasada do Czarismo na dinâmica União Soviética - uma sólida potência económica...
O desenvolvimento económico foi posto ao serviço do desenvolvimento social. Pão, trabalho, saúde, educação, segurança social, foram pela primeira vez direitos reais, com o primeiro Estado Socialista." (2)

 

Mas a Revolução de Outubro não só libertou a classe operária russa e transformou um país atrasado numa potência económica, como desencadeou forças libertadoras que marcaram decisivamente os progressos alcançados pela sociedade mundial no Século XX.

“Com o seu exemplo e as suas realizações, a Revolução de Outubro trouxe para a vida concreta e impôs na consciência do nosso tempo, mesmo nos países capitalistas, uma nova e mais ampla concepção dos direitos humanos, alargando-os aos direitos económicos, sociais e culturais. Impulsionou a universalidade dos direitos políticos e nacionais. Quebrou preconceitos e barreiras que aprisionavam a condição dos trabalhadores e da mulher. Abriu caminho a transformações que, em poucos decénios, permitiram radicais e reais melhorias nos níveis de desenvolvimento e nas condições sociais dos povos que empreenderam o caminho da construção do socialismo. A sua influência estendeu-se aos próprios países capitalistas, dando novas forças e confiança aos trabalhadores, que obrigaram o capitalismo a ceder terreno e a reconhecer muitas das suas reivindicações políticas, económicas e sociais, graças em grande medida ao peso da sua concretização prática nos países do socialismo." (2)

 

Numa leitura simples da realidade, facilmente se constacta que com o desaparecimento da URSS, todas estas conquistas acima referidas se tem vindo gradualmente a perder. A desresponsabilização do estado na obrigação de garantir os direitos fundamentais de todo o cidadão é hoje o caminho conscientemente encetado pelo capitalismo com  destaque para a privatização de sectores vitais como a saúde, a educação, a justiça ou a segurança social.

 

Também no plano internacional, foi já um estado Soviético económico-militar forte e consolidado, resultado da Revolução de Outubro, que travou e derrotou o fascismo-nazi na 2.ª Guerra mundial e que teve uma enorme influência na libertação dos povos colonizados. Essa influência é bem visível no contributo solidário prestado pela URSS aos movimentos de libertação na luta anti-colonial dos povos de África ou Ásia, levando à prática a solidariedade internacionalista em Cuba, Angola, Moçambique, Guiné, e outros. Inclusive, no derrube do fascismo em Portugal, através de todo o apoio solidário prestado ao Partido Comunista Português, a maior força de resistência e principal obreiro do derrube do fascismo neste país.

Tudo isto são factos incontornáveis da história e resultado da Revolução de Outubro.

 

Todo este percurso revolucionário e a demonstração da aplicabilidade prática das teses Marxistas, são motivo para que se comemore o 90º Aniversário da Revolução de Outubro.

Mas... comemorar a Revolução de Outubro, não pode nem deve ser visto e entendido como uma simples efeméride comemorativa de um momento histórico. A Revolução de Outubro deve ser analisada e entendida como uma enorme experiência e uma importante lição para os tempos actuais.

 

Quando hoje olhamos para a guerra do Iraque, do Afeganistão, do Kosovo, entre outras, percebemos perfeitamente o desequilíbrio mundial provocado pelo desaparecimento da URSS e a importância desta no panorama internacional. Temos agora um país único, os EUA, que decidem unilateralmente, executam, invadem, cometem genocídios, ocupam países fazendo letra morta da lei da soberania e... nada se passa. Existe hoje um “dono” do mundo que se arroga no direito de fazer do mundo o palco da defesa e manutenção dos seus interesses sem olhar a meios ou consequências.

 

Vemos hoje o sistema capitalista a aprofundar e a impor a sua verdadeira essência. Este capitalismo sempre foi o mesmo, apenas se sente agora mais livre e sem oposição para impor e concretizar os seus verdadeiros objectivos.

Este caminho que o capitalismo nos conduz e impõe, é um neoliberalismo puro e duro, fundamentalista e selvagem, com consequências dramáticas para milhões e milhões de pessoas.

A perda quase diária de direitos dos que trabalham. Pretendendo-se assim por via legal, impedir o seu direito ao protesto e à indignação perante as injustiças e a exploração de que são vítimas. A dependência subserviente perante o capital através de uma oferta de fácil endividamento às famílias que assim ficam limitadas no seu direito à dignidade devido à necessidade de cumprimento dos seus compromissos. A marginalização das classes mais desfavorecidas. O desrespeito cada vez maior pela condição humana dos cidadãos. A introdução na sociedade do Pensamento Único, mutilando e anulando das formas mais subtis a liberdade e os valores democráticos, são demonstrações claras dos objectivos e da essência do capitalismo.
Ou seja, o capitalismo sustenta-se numa governação de fora para dentro, onde os grupos económicos e financeiros decidem as regras em que o governo político executa a sua governação, garantindo assim a sua milionária sustentabilidade, ao invés de ser o governo político a impor as regras e a pautar o seu exercício governativo segundo os interesses do povo e do país.

Este sistema e modelo político não tem outra consequência que não seja a de causar mais miséria no mundo e assegurar o aumento da riqueza e do bem estar de meia dúzia de previligiados, bem como, assegurar a protecção destes pelo próprio estado.

 

É perante esta realidade, que encontramos toda a actualidade na matriz que orientou e concretizou a Revolução de Outubro.

 

Sabendo nós que, não há modelos importáveis ou exportáveis na sua exactidão ou na sua aplicação. Que a construção de uma sociedade socialista só pode ser possível levando em linha de conta todas as particularidades locais e temporais e que é indissossiável das raízes culturais, dos hábitos, anseios e características de cada povo. A Revolução de Outubro deve ser comemorada com uma profunda análise e reflexão sobre a sua natureza, os seus objectivos e as suas concretizações e transportada dessa forma para a actualidade.


Ontem na Rússia Czarista, hoje em Portugal e na Europa capitalista, impera a necessidade de "derrubar" o modelo que pratica uma desigualdade abismal na distribuição da riqueza produzida, de "derrubar" um modelo que se sustenta através da injustiça social.

Ontem na Rússia Czarista, hoje em Portugal e na Europa capitalista, impera a necessidade de construir uma sociedade nova, mais solidária e humana, sustentada no direito a uma vida digna e de oportunidades iguais independentemente da condição social, étnica, racial, ou outra de cada um.

Em suma, hoje, como à 90 anos na Rússia, é preciso encontrar o caminho da ruptura com o modelo vigente e encetar o percurso  para a construção de uma sociedade justa, de direitos e obrigações iguais para todos, sem opressão nem exploração.

 

(1) - In: História do Mundo, 1973
(2) - In: PCP - 80º aniversário da Revolução de Outubro



publicado por vermelho vivo às 00:32
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007
Outubro Vermelho

Assinalando também neste blog as comemorações do 90º Aniversário da Revolução de Outubro, os “post’s” desta semana, insidirão sobre este tema. Começarei com a cronologia dos passos mais importantes do mês de Outubro de 1917 que conduziram ao triunfo Bolchevique.

 

Nota importante: em 1917, a Rússia utilizava ainda o calendário juliano, só adoptando o calendário gregoriano, actualmente em vigor, em 1918. Significa isto que, hoje, dia 5 de Novembro no actual calendário gregoriano, representava em 1917 na Rússia, o dia 23 de Outubro.

 

A 10 de Outubro, depois de três meses de clandestinidade, Lénine regressa a Petrogrado. Nessa mesma noite realiza-se uma reunião do Comité Central do Partido Bolchevique. Uma única questão estava em discussão: se o Partido manteria a orientação de uma insurreição num futuro próximo.

O Comité Central do POSDR, apenas com dois votos contra (Kámenev e Zinóviev) aprova uma resolução sobre a insurreição armada:

O CC considera que tanto a situação internacional da revolução russa (a insurreição na esquadra da Alemanha, como manifestação extrema do desenvolvimento em toda a Europa da Revolução Socialista mundial, depois a ameaça da paz entre os imperialistas com o objectivo de estrangular a revolução na Rússia) como a situação militar (decisão indubitável da burguesia russa e de Kérenski e C.ª de entregar Petrogrado aos alemães) e a obtenção pelo partido proletário da maioria nos sovietes - tudo isto em ligação com a insurreição camponesa e com a viragem da confiança do povo para o nosso partido (eleições em Moscovo) e, finalmente, a evidente preparação de uma segunda kornilovada (retirada de tropas de Petrogrado, transporte de cossacos para Petrogrado, cerco de Minsk pelos cossacos, etc.) - tudo isto coloca na ordem do dia a insurreição armada.

Considerando deste modo que a insurreição armada é inevitável e amadureceu completamente, o CC propõe a todas as organizações do partido que se guiem por isto e discutam e resolvam segundo este ponto de vista todas as questões práticas (Congresso dos Sovietes da Região Norte, retirada de tropas de Petrogrado, acções em Moscovo e Minsk, etc.)

Na mesma reunião foi formado um Bureau Político para a direcção da insurreição, encabeçado por Lénine.

 

A 11 de Outubro reuniu o Congresso dos Sovietes de Deputados Operários e Soldados da Região Norte, convocado por iniciativa do POSDR. Aos delegados bolcheviques a este Congresso dirigira Lénine uma carta com "Conselhos de um Ausente", onde sublinhava que no momento presente a palavra de ordem "Todo o Poder aos Sovietes!" significava a insurreição armada e desenvolvia de forma breve as regras mais importante da "arte" da insurreição.

Os relatórios das diferentes regiões confirmavam as conclusões de Lénine sobre a disposição das massas para a insurreição armada. O Congresso aprovou uma resolução que destacava que "só a passagem imediata de todo o Poder para os órgãos da revolução - os sovietes de deputados operários, soldados e camponeses, tanto a nível central como local pode salvar o povo."

 

A 12 de Outubro, o Comité Executivo do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Petrogrado decide criar o Comité Militar Revolucionário (CMR), que é constituído a 20 de Outubro.

 

A 14 de Outubro, é eleito o Comité Executivo do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Moscovo exclusivamente constituído por bolcheviques. Multiplicam-se as resoluções dos Sovietes de diferentes regiões no sentido da pasagem de todo o poder para os Sovietes.

 

A 16 de Outubro, o CC do POSDR decide da criação do Centro Militar Revolucionário, encarregado de dirigir a insurreição armada, constituído por Búbnov, Dzerjínski, Sverdlov, Stáline e Urítski.

 

A 18 de Outubro, Zinóviev e Kámenev, dão expressão pública ao seu desacordo com a decisão do CC e a decisão da acção imediata.

 

A 21 de Outubro, uma assembleia de representantes dos comités de regimento da guarnição aprovou uma resolução de total apoio ao Comité Militar Revolucionário.

 

Para 22 de Outubro estava marcada uma manifestação de cossacos, considerada pela contra-revolução como uma revista das suas forças. O enorme trabalho de agitação dos bolcheviques junto dos cossacos anulam a provocação orquestrada pelo Governo Provisório.

 

A 22 de Outubro, grandiosos comícios assinalam o "Dia do Soviete de Petrogrado" mostrando a força real dos bolcheviques.

 

Entre 22 e 23 de Outubro, uma conferência dos guardas vermelhos de Petrogrado aprova os seus Estatutos, cujo primeiro ponto afirmava: " A Guarda Vermelha operária é a organização das forças armadas do proletariado para o combate à contra-revolução e a defesa das conquistas da revolução". O Soviete tomou nas suas mãos a organização e direcção política da Guarda Vermelha. As unidades militares da guarnição de Petrogrado decidiam apoiar o Soviete de Petrogrado, uma após outra.

O governo tentava reunir forças para lutar contra a revolução ascendente. A 19 ordena a tomada imediata de medidas para prender Lénine. Ordena a transferência de unidades da guarnição de Petrogrado para a frente. Patrulhas de alunos das escolas militares ocupam os pontos mais importantes da Cidade.

 

Às 10.00 da manhã de 24 de Outubro, um destacamento do CMR dirige-se à Sede do Jornal Rabótchi Put. Começa a luta armada. O CMR envia a instrução nº 1 às unidades militares da guarnição (150 000 homens) e à guarda vermelha (200.000 homens) colocando-as em estado de alerta.

Às 13.00 horas, Kérenski, toma a palavra numa sessão do Pré-Parlamento, afirmando a intenção de liquidar a insurreição em Petrogrado, e dá ordens, como comandante supremo, para que as tropas se coloquem em prontidão de combate. É dada ordem para encerrar os telefones do Soviete e levantar as pontes da Cidade, a fim de isolar o centro da cidade dos bairros operários.

Os guardas-vermelhos frustam a tentativa de levantar as pontes.

Às 17.00 o telégrafo central é ocupado pelos bolcheviques.

Mas ainda existem vacilações nos bolcheviques. O Presidente do Soviete de Petrogrado afirma que a prisão do Governo Provisório não estava na ordem do dia.

 

Ao fim da tarde de 24 de Outubro Lénine escreve uma "Carta aos membros do Comité Central ", onde sublinha que "Não se pode esperar! Pode-se perder tudo!" e dirige-se, disfarçado, ao Smólni (Sede do Soviete), assumindo a direcção da insurreição armada.

 

À 1.25 da madrugada de 25 de Outubro é ocupada a estação central de correios.

Às 2.00 é ocupada a Estação Nikolaevski e é cortada a luz das Sedes do Governo.

Às 6.00 a Sede Central do Banco de Estado é ocupada, bem como a sede dos principais jornais.

Às 7.00 a maioria dos telefones do Governo são desligados.

Às 8.00 a Estação Varsóvia fica sob o controlo do CMR.

Na manhã de 25 de Outubro, quase toda a Cidade de Petrogrado estava já nas mãos dos insurrectos, com excepção das zona dos Palácio e Isaaakievskaia.

Às 10.00 da manhã, Lénine escreve o apelo "Aos Cidadãos da Rússia", que anunciava a passagem do poder de Estado para o órgão do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Petrogrado, o Comité Militar Revolucionário.

Á mesma hora, Kérenski, sob o débil pretexto de ir receber as tropas fiéis, foge da capital.

Ao meio dia é cercado o Palácio onde estava instalado o Conselho Provisório da República.

Às 14.35 realiza-se um sessão extraordinária do Soviete de Petrogrado. Lénine usa da palavra pela primeira vez desde Julho: "A revolução operária e camponesa, de cuja necessidade os bolcheviques sempre falaram, foi realizada!"

Às 18.00 o Palácio de Inverno estava inteiramente cercado.

Às 22.40 começa o II Congresso dos Sovietes de Deputados Operários e Soldados de Toda a Rússia. No ínicio dos trabalhos estavam presentes 649 delegados, dos quais 390 bolcheviques. Os mencheviques e socialistas-revolucionários de direita abandonaram ostensivamente o Congresso.

Enquanto decorriam os trabalhos, o Palácio de Inverno foi tomado de assalto. O Governo Provisório, com excepção do fugido Kérenski, é preso.

 

Às 5 horas da manhã do dia 26 de Outubro, o II Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia recebe o poder de Estado do Comité Militar Revolucionário, e proclama a passagem de todo o Poder no país para os Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses.

Às 21.00 de dia 26 é aprovado o Decreto sobre a Paz, pelo qual o poder operário-camponês afirmava a sua resolução de assinar imediatamente uma paz sem anexações nem indeminizações.

 

Às 2 horas da manhã de 27 de Outubro é aprovado o Decreto sobre a Terra, que abolia a propriedade privada sobre a Terra.

O Congresso formou um governo operário-camponês - o Conselho dos Comissários do Povo.

Os socialistas-revolucionários de esquerda, que no Congresso apoiaram os bolcheviques, recusaram-se a participar no Governo. Lénine é eleito presidente do Conselho de Comissários do Povo.

 

A 30 de Outubro, numa mensagem a todos os cidadãos da Rússia , Lénine informa das conquistas da revolução operária-camponesa, que em 2 dias apenas dera resposta às principais reivindicações populares, e da determinação de derrotar a natural reacção das antigas classes dominantes.

 

Pela segunda vez na história, ergue-se um Estado em que o poder estás nas mãos das classes não exploradoras.

 

E surge, pela primeira vez na história, um Estado Socialista.

 

Com o apoio de: sitio da ORL



publicado por vermelho vivo às 00:23
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Domingo, 4 de Novembro de 2007
Nem só de pão vive o homem...

Mónica Bellucci no filme: Quanto me amas? (Combien Tu M’Aimes?)

  



publicado por vermelho vivo às 00:06
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Sábado, 3 de Novembro de 2007
A esquerda simpática

«Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo;

pode-se até enganar algumas pessoas durante o tempo todo;

mas não é possível enganar todas as pessoas durante o tempo todo».

                                                                             Abraham Lincoln

 

Rui Faustino, autor do blog Esquerda Comunista, e contribuinte do blog INTERCOM, escreveu dois artigos neste blog, que considero de leitura obrigatória. Nestes artigos, desmistifica o contraste entre o discurso e a prática de UMA NOVA ESQUERDA que se diz: moderna, pragmática e revolucionária.

 

Artigo 1. Sob o título: Louçã, o liquidacionista 

"Quando há meses atrás, Francisco Louçã se opôs aos militantes do Bloco que exigiam do partido uma aproximação com o PCP, de modo a constituir um pólo de luta e combate ao (des)governo que temos no país, fê-lo com o argumento de que isso iria conduzir à satelização do Bloco em relação ao PCP.

Bastaram, todavia, apenas 2 meses para compreendermos que a verdadeira razão que levava Francisco Louçã a recusar uma política de unidade com o PCP para combater o governo Sócrates era, na realidade, o seu desejo de se satelitizar em relação ao PS..."

 
Artigo 2. Sob o título: Bloco de Esquerda já admite despedimentos na CML
"Três semanas após se ter congratulado com "A importante conquista dos trabalhadores avençados da CML” segundo a qual nenhum nenhum trabalhador precário seria despedido mas, antes pelo contrário, admitido ao quadro de pessoal da CML por graça e obra da acção política do Zé e do grande acordo de coligação assinado com o PS para governarem a câmara a meias... O Bloco de Esquerda vem agora insurgir-se contra os despedimentos que efectivamente estão a decorrer! ..."
 
Vale a pena ler os artigos completos!


publicado por vermelho vivo às 00:42
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Energia

 

Clique no botão reproduzir  e constate a energia que anda aí!

(Em Windows Media Player)



publicado por vermelho vivo às 01:00
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