"Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!"

 
Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006
Nova ordem

As últimas décadas de história dos povos da América Latina estão marcados por páginas manchadas de sangue. A ditadura, a miséria, a opressão e perseguição e a revolta do povo foram e são ainda em alguns desses países o pão nosso de cada dia.
Figuras sanguinárias como Augusto Pinochet, Anastázio Somoza, Alfredo Stroessner, Lucas Garcia, Álvarez Martínez, Rafael Videla, Ferdinando Marcos, entre outros, exerceram os seus regimes ditatoriais através da opressão, da perseguição e do assassínio sem lei às mão da policia ou pelos famosos esquadrões da morte, milhares de revolucionários, milhares e milhares de pessoas anónimas pagaram com a vida a ousadia de se oporem a estes ditadores, de lutarem pela liberdade, por melhores condições de vida ou contra a corrupção.
Estes ditadores, mais não eram que autênticas marionetas manobradas pelos EUA, como tal, e devido ao seu apoio interno e externo, o derrube destas ditaduras era tarefa quase impossível.
Os EUA na preservação dos seus interesses estratégicos e económicos na área, com o objectivo de combater os comunistas e outras forças progressistas e revolucionárias na América Latina, não só patrocinaram a liderança destes ditadores, como sustentaram (e sustentam) os seus regimes ditatoriais das mais variadas formas.
A nivel militar através de material logístico, manutenção de conselheiros militares americanos, treino de oficiais militares nos EUA ou a colaboração estreita entre a CIA e os serviços secretos destes paises.
A nível económico, os EUA exerciam as suas influências junto das instituições financeiras (por ex. o FMI) para os financiamentos que aguentavam as economías e que em simultâneo deixaram os paises de tal forma endividados que se tornou impossível executar os pagamentos das respectivas dividas. Perante a incapacidade dos países para pagar as prestações acordadas, as instituições financeiras concediam um novo empréstimo que servia essencialmente para pagar os juros, assim, os países pagavam, pagavam, e a dívida continuava a aumentar. Estes ditadores aplicavam uma grande parte do orçamento do país para a segurança, pelo que os EUA que forneciam todo o apoio militar quer a nivel logistico, quer a nível de treino e conselheiros, tinham aqui um grande negócio.
Também a nivel externo (por ex. Na ONU) eram os EUA quem lhes dava toda a cubertura e branqueava a real situação do país.
Mesmo quando forças progressistas e revolucionárias conseguiram chegar ao poder legitimamente pelo voto popular, como aconteceu no Chile em 1970 através da Unidade Popular de Salvador Allende ou na Nicarágua em 1984 com a Frente Sandinista de Libertação Nacional de Daniel Ortega, os EUA encarregaram-se de fazer com que as democracias não vingassem, derrubaram-nas e colocaram mais uma vez as suas marionetas no poder.
No Chile em 1970 Salvador Allende implementa a chamada «via chilena para o socialismo», pretende uma transição pacífica para uma sociedade mais justa, de raiz socializante. Nacionalizou os bancos, as minas de cobre e algumas grandes empresas, começa então a enfrentar as pressões políticas americanas. Apesar das gravíssimas dificuldades económicas derivadas da pressão americana e do boicote dos senhores do capital, nas eleições legislativas de 1973, a Unidade Popular obteve 43% dos votos. Então os Americanos não toleraram.
Através de um golpe militar planeado, financiado e apoiado pela CIA e com Augusto Pinochet à cabeça, Salvador Allende foi assassinado, milhares de Chilenos foram encarcerados e fuzilados no estádio de Santiago, outros milhares foram dados como desaparecidos, a democracia foi extinta e uma junta militar liderada por Augusto Pinochet passou a governar o país com mão de ferro e a bênção dos EUA.
Na Nicarágua em 1979, os Sandinistas após derrubarem o ditador Anastázio Somoza tiveram que enfrentar e combater os ”contras” apoiados pelos EUA, mesmo assim, implementaram uma política de redistribuição de riqueza, obtendo grandes progressos em campos como a saúde e a educação. Em 1984, realizaram-se eleições livres e os sandinistas obtiveram uma esmagadora vitória. Aí os EUA passaram ao ataque total.
Patrocinaram a contra-revolução com o fornecimento de meios financeiros e armas aos “contras”,  asseguraram-lhes bases nas Honduras para preparação e local de partida para os ataques terroristas que estes efectuavam no interior da Nicarágua, impuseram sanções comerciais e minaram os portos da Nicarágua. Ao fim de 5 anos o país estava em farrapos, os Sandinistas perderam as eleições. Violeta Chamorro apoiada pelos EUA foi eleita presidente. Passados 16 anos, nas eleições de 2006 e perante o descalabro das politicas promovidas pelos governos pró-americanos, o povo devolveu o poder aos Sandinistas.

A folgada vitória de Hugo Chavéz nas eleições livres da República Bolivariana da Venezuela trouxe-me à memória a luta deste povo e algumas páginas horrendas da sua história.

Também Hugo Chávez foi vitima dos meios sujos utilizado pelos americanos atravéz de um golpe de estado falhado e de uma tentativa de paralisação do país patrocinada pelos EUA. 61% dos votos é uma resposta inequívoca de um povo que recusa ser governado de fora para dentro. Por isso, também eu festejei este triunfo e congratulei-me com o que me parece ser a construção de uma nova ordem no continente americano.

As forças progressistas e revolucionárias apoiadas pelas massas populares começam a triunfar sobre os fantoches americanos, os interesses nacionais e regionais começam a sobrepor-se aos interesses imperialistas, a corajosa luta deste povo começa a alcançar resultados.
Os sinais são evidentes e as vitórias de Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Daniel Ortega na Nicarágua, Rafael Correa no Equador, Néstor Kirchner na Argentina, são fruto dos ventos de mudança que sopram naquela área. A reeleição de Lula da Silva no Brasil também é uma vitória de enorme importância para a estabilidade e consolidação destes governos progressistas.

O triunfo destas forças de esquerda que conseguiram cortar as amarras americanas e avançar por um caminho revolucionário e progressista, transmitem uma mensagem de coragem e esperança a todos aqueles que como eu lutam por uma sociedade livre, mais justa e mais solidária e são um incentivo para a luta que milhões de revolucionários travam diáriamente em todo o mundo.

É através da luta permanente e da convicção firme dos nossos ideais, que a mudança é possivel.



publicado por vermelho vivo às 11:35
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